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Economia

Carga tributária supera juros e vira principal entrave para a construção, aponta CNI

Sondagem mostra desaceleração da atividade no fim de 2025, dificuldade de crédito e empresários ainda sem confiança, apesar de expectativas positivas para os próximos meses
Redação
29/01/2026 | 20:00

A elevada carga tributária assumiu o posto de principal problema enfrentado pela indústria da construção no país, segundo a Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta quarta-feira (28) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Entre o terceiro e o quarto trimestres de 2025, o indicador saltou cinco pontos percentuais, de 32,2% para 37,2%, ultrapassando as taxas de juros elevadas, que passaram a ocupar a segunda posição no ranking de preocupações do setor, com 32,1%.

Na sequência, aparecem empatados a falta ou o alto custo de trabalhador qualificado e a falta ou o alto custo de mão de obra não qualificada, ambos apontados por 28,5% dos empresários da construção. O resultado reforça o quadro de pressões simultâneas sobre custos, financiamento e disponibilidade de profissionais, em um setor de ciclo longo e alta dependência de crédito.

Carga tributária pesa na construção civil - Foto: José Aldenir/Agora RN
Carga tributária pesa na construção civil - Foto: José Aldenir/Agora RN

Crédito segue restrito e margens pressionadas

O levantamento mostra que o acesso ao crédito continua sendo um dos principais gargalos para a atividade. O índice de facilidade de acesso ao crédito ficou em 39 pontos no quarto trimestre, patamar significativamente abaixo da linha de 50 pontos, que separa percepção de facilidade e dificuldade. O resultado indica que os empresários seguem enfrentando obstáculos relevantes para financiar novos empreendimentos.

“O ciclo de atividade da indústria da construção é longo e o setor tem grande necessidade de crédito para fazer os empreendimentos. À medida que o acesso ao crédito está difícil e caro, por conta das taxas de juros elevadas, o setor é muito afetado”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

A pressão sobre as margens também permanece evidente. O índice de satisfação com o lucro operacional recuou 0,3 ponto, para 45,1 pontos, sinalizando aumento da insatisfação dos empresários com a rentabilidade. Por outro lado, o índice de satisfação com a situação financeira avançou 0,8 ponto, chegando a 49,5 pontos, movimento que sugere leve melhora na percepção sobre o caixa das empresas, ainda que abaixo do nível considerado satisfatório.

Já o índice de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas permaneceu elevado, em 61,6 pontos, indicando que os custos seguem em trajetória de alta no mesmo ritmo observado no trimestre anterior.

Atividade perde fôlego no fim do ano

Os dados da sondagem também revelam desaceleração mais intensa da atividade no encerramento de 2025. Em dezembro, o índice que mede a evolução do nível de atividade da indústria da construção recuou para 44,7 pontos, ante 48,2 pontos em novembro. A retração foi maior do que a usual para o período e levou o indicador ao menor patamar para o mês desde 2018.

Com a atividade mais fraca, a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) permaneceu estável em 67%, o mesmo nível registrado em dezembro de 2024. O índice de evolução do número de empregados também apresentou queda no último mês do ano, recuando 1,2 ponto, para 45,7 pontos. Apesar do recuo, o indicador ficou acima da média histórica para dezembro, de 43,8 pontos.

Confiança segue abaixo do nível neutro

Apesar de uma leve alta de 0,2 ponto em janeiro de 2026, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Indústria da Construção alcançou 48,6 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos e indicando falta de confiança. O resultado reflete, sobretudo, a avaliação negativa dos empresários em relação às condições atuais das empresas e da economia.

Em contraste, as expectativas para os próximos meses seguem positivas. Todos os índices de expectativa avançaram em janeiro, reforçando o otimismo já observado em dezembro de 2025. O índice de expectativa de novos empreendimentos e serviços subiu 1,8 ponto, para 52,9 pontos; o de número de empregados avançou 1,8 ponto, para 52,8 pontos; o de nível de atividade cresceu 1,1 ponto, para 52,8 pontos; e o de compras de matérias-primas aumentou 0,8 ponto, para 52,5 pontos.

“Lançamentos de programas importantes para o setor, como o novo modelo de crédito imobiliário e os financiamentos para a reforma de casas de pessoas de baixa renda, além da expectativa de redução da taxa Selic no futuro próximo, ajudam a explicar as expectativas positivas da construção”, afirma Azevedo.

O otimismo moderado também se reflete na intenção de investimento, que subiu 1,3 ponto em janeiro, para 44,6 pontos, na terceira alta consecutiva do indicador. Ainda assim, o nível permanece abaixo do observado em janeiro de 2025, quando estava em 45,1 pontos.

A edição de dezembro de 2025 da Sondagem Indústria da Construção ouviu 315 empresas — 123 pequenas, 134 médias e 58 grandes — entre os dias 5 e 14 de janeiro de 2026.