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Bancas que resistem

Bancas que resistem: de clientes a donos de espaço em Ponta Negra

Família que comanda Revistaria e Tabacaria Ponta Negra resiste à digitalização e segue sonho de ter uma banca
Fernando Azevêdo
28/08/2025 | 05:18

O sonho de Francisca Ubiraneide era ter uma banca de jornal para chamar de sua. Saía do trabalho e ia para a Tabacaria do Tota, em Petrópolis, para folhear revistas e se manter informada. Junto com o marido e também cliente do Tota, Eden Lula, ela viu a oportunidade de realizar seu sonho em 2009, quando fundou a Revistaria e Tabacaria Ponta Negra, localizada próximo ao Praia Shopping.

Foi justamente por meio de Antônio Barbosa, o Tota, que tudo foi possível. Ele queria passar esse ponto adiante, e Eden e Francisca, que tinha acabado de se formar em Pedagogia e cuidava do filho pequeno, fizeram a proposta para adquirir o ponto. O começo foi financeiramente desafiador. Eden se dividia entre a carreira de professor, a gestão de uma farmácia e a banca, que demorou cerca de um ano para “se pagar”.

Bancas que resistem Foto: José Aldenir
Revistaria e Tabacaria Ponta Negra fica localizada ao lado do Praia Shopping - Foto: José Aldenir/Agora RN

Eden saiu da farmácia que mantinha com o irmão e passou a se dedicar mais à banca junto com a esposa. Fundaram até uma segunda revistaria, que operou por cerca de cinco anos no mesmo bairro. O movimento era muito grande quando a Revistaria e Tabacaria Ponta Negra surgiu, lembra Francisca. Saíam por volta de 200 revistas no final de semana. “Agora, mal saem 10”.

O jornal ainda tem demanda, dizem os empreendedores. As pessoas de mais idade são clientes fiéis, observa Gabriel Lula, 29 anos, filho de Francisca e Eden. “A minha geração já não procura mais esse material. Quando a gente começou, a coisa não era tão digitalizada assim. A internet e o celular eram uma lenda”, diz Gabriel.

Vendo que a digitalização diminuía as vendas de jornais e revistas, a família passou a investir no ramo da tabacaria, e é assim que Gabriel vê o futuro da banca. Mas o cenário ainda é de resistência ao digital. As pessoas ainda querem ler jornal impresso, resolver jogos em revistas e ler revistas diversas.

“Ter uma banca de revista hoje também é um pouco de resistência a esse processo de digitalização que não volta. A coisa vai se informatizando, e hoje manter um comércio que ainda tem literatura física, de certa forma, é uma resistência”, afirma Gabriel. Ele frisa que a história da banca é uma história familiar. O negócio ajuda a aproximar todos e fortalece os laços entre eles.

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Família de Eden e Francisca é dona da banca e encara o desafio da gestão – Foto: José Aldenir/Agora RN

“Não é resistência no sentido negativo da coisa. É resistência no sentido de dizer que a gente não deixa o público que ainda consome isso [materiais impressos] desamparado de produto, a gente não deixa essas pessoas carentes, especialmente as pessoas mais idosas, que ainda passam o tempo de solitude com caça-palavras, com leitura de jornal”.

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