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Coluna
Bacia das almas é a expressão para definir aquele sujeito que está prestes a receber a Extrema Unção
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quarta-feira 11
Marcelo Hollanda
11/08/2021 | 10:04

Quem está na Bacia das Almas

Bacia das almas é a expressão infalível para definir aquele sujeito que está nas últimas, prestes a receber a Extrema Unção.

Alguns a usam para marcar uma reação do time que conseguiu a virada no placar na prorrogação. “Arrancou a vitória na Bacia das Almas aos 47 do segundo tempo”.

No caso do líder do governo da Câmara, deputado Ricardo Barros, entalado até os escassos fios de cabelo na CPI da Covid, a bacia das almas pode também significar outra expressão: “morrer abraçado”.

Pela lógica de uma contabilidade que jamais é criativa, políticos profissionais como ele ou o presidente da Câmara, Arthur Lira, sustentam suas posições de maneira mais ou menos inteligente.

Definitivamente, Lira ganha de lavada nesse quesito fazendo um jogo de xadrez com o presidente Jair Bolsonaro que Barros não pode mais fazer (vejam vocês!) por estar lá, na Bacia das Almas.

Lira deve sua eleição a um dos cargos mais poderosos do País à interferência do presidente e há uma dívida a ser paga pelo fato do Centrão hoje dar as cartas dentro do governo.

Só que em se tratando de Bolsonaro tudo sai mais caro pelas idiossincrasias do mandatário. E Lira, a despeito do tamanho da dívida, tem um jeito de defender Bolsonaro que pode incluir abandoná-lo à própria sorte.

Quando percebe que isso não será suficiente para endossar seu apoio irrestrito ao Planalto, ele joga uma bóia providencial amarrada a uma corda de contenção que maneja com uma sabedoria quase velhaca.

Já Ricardo Barros, não. Ele, como o nosso Fábio Faria, ministro das Comunicações, é do tipo que abraça qualquer tese para se manter vivo, mesmo que isso custe o que lhe resta de reputação.

Agora mesmo, Barros mudou completamente de ideia sobre a utilidade do voto impresso, que agora passou a fazer parte de uma de suas bandeiras de conveniência.

Certo está Lira que quando dá uma pancada no cravo, reserva a outra na ferradura. Que usa o cálculo político para manter sempre a corda esticada em seu favor ou fornecer mais para que alguém acabe enforcado enquanto ele está ileso.

Em 2015, Ricardo Barros – conhecido no Paraná como “leitão vesgo”, aquele que mamando numa teta não tira os olhos da outra – pertencia a base de apoio do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). E acompanhou o veto da petista ao voto impresso, previsto no projeto de lei da minirreforma eleitoral.

Agora, na Bacia das Almas, ele muda de opinião.

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