BUSCAR
BUSCAR
Esporte
Atletas e paratletas do RN traçam caminho rumo aos Jogos de Tóquio
Por enquanto o Rio Grande do Norte conta com um potiguar na briga pela medalha de ouro, Italo Ferreira é um dos dois representantes do Brasil no surfe. As Olimpíadas acontecem de 23 de julho de 2021, já as Paralímpiadas começam dia 24 de agosto
Helliny França
23/11/2020 | 07:47

Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, no Japão, foram adiados de 2020 para 2021 devido à pandemia do novo coronavírus, afetando completamente o planejamento que os candidatos a vagas na competição haviam feito. Treinos precisaram ser repensados, cronogramas ajustados, em meio a tudo isso, atletas e paratletas potiguares se esforçam, se adaptam e se preparam para as competições que podem trazer a tão sonhada vaga para o principal evento esportivo do planeta. 

Por enquanto o Rio Grande do Norte conta com um potiguar na briga pela medalha de ouro, Italo Ferreira é um dos dois representantes do Brasil no surfe. As Olimpíadas acontecem de 23 de julho de 2021 a 8 de agosto, já as Paralímpiadas começam dia 24 de agosto terminando em 5 de setembro.

Olimpíadas 

O potiguar Flávio Gustavo é atualmente o 5° homem mais rápido do país, marca alcançada após participar do Troféu Brasil em 2019, o atleta compete nas categorias 100m rasos e 200m rasos do atletismo. Ainda no ano passado, ele participou da prova 4x100m no Mundial de Atletismo no Catar ano passado, alcançando a 4ª colocação. Flávio está na lista de velocistas pré-convocados para as Olimpíadas de Tóquio e teve que se adaptar para manter os treinos de alto rendimento durante a quarentena. 

Atletas e paratletas do rn traçam caminho rumo aos jogos de tóquio
Velocista Flávio Gustavo. Foto: CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo)

“Eu tive que me adaptar para não perder toda a preparação que vinha fazendo desde outubro do ano passado, tive que fazer alguns treinos em casa. Desde agosto eu consegui voltar às pistas e academias e tem dado tudo certo”, disse o velocista.

Flávio se prepara ainda para o Troféus Brasil desse ano que acontece em São Paulo em dezembro, as competições internacionais foram canceladas, então essa competição pode ajudar o atleta a conseguir o rankeamento necessário para conquistar a vaga para os Jogos de Tóquio. 

“Tem tudo para dar certo, estou buscando competir as provas individuais, estamos trabalhando forte pra isso, mas se não der certo tem o revezamento 4x100m, onde eu também poderei competir pelo Brasil e representá-lo nas Olimpíadas”, disse Flávio.

Infelizmente por falta de apoio no estado, Flávio não representa o RN, atualmente ele compete pelo Maranhão, essa é a realidade da também velocista Jully Ferreira, que representa o Paraná, ela compete pelas categorias 800m e 1500m. 

A atleta coleciona títulos como o de bicampeã brasileira, campeã do Grand Prix Internacional de Atletismo, além de ser recordista e pentacampeã Norte-Nordeste e como todo atleta, July sonha em participar das Olimpíadas. Atualmente ela está em São Paulo, onde seguia uma rotina de treino que acabou sendo alterada.

“Como nunca estive em um Jogos Olímpicos, só de estar lá seria um sonho”, afirma Jully.

Sobre como a pandemia afetou sua preparação a atleta contou sobre as adaptações necessárias para continuar mantendo o condicionamento físico nesse período.

Atletas e paratletas do rn traçam caminho rumo aos jogos de tóquio
Jully Ferreira. Foto: Wagner Carmo

“A pandemia afetou de modo geral a minha rotina de treino, pois aqui em São Paulo tudo estava fechado, parques, praças, pistas e não me senti confortável em sair na rua no início, fiquei 3 meses totalmente isolada, não conseguindo treinar 2 vezes ao no dia”, conta a velocista.

Jully também adaptou os treinos em casa, montou circuitos e fez exercícios para fortalecer a musculatura. Improvisando para não ficar parada, atleta usou escadas e o estacionamento do prédio onde mora para os exercícios, materiais como banco e pneu também viraram itens de treinos. Após os primeiros meses ela começou a sair na rua e com algumas restrições voltou às pistas. Para a surpresa de July, ela descobriu há dois meses que está grávida, a gestação já está no quarto mês, mudou a rota, mas os planos continuam os mesmos, a ideia é continuar treinando com todos os devidos cuidados com a gestação e voltar aos treinos 40 dias após o parto, a tempo de competir e conseguir o índice exigido pela Confederação Nacional e Internacional de Atletismo.

“Na minha opinião a vida de atleta é passageira e curta, não podemos nos privar de viver alguns momentos tão importantes como esse, apenas darei uma pausa, logo estarei de volta  e acredito que melhor que estava, pois fisiologicamente falando a atleta após ser mãe tem tudo para voltar em melhor forma. Então meus planos apenas deram uma pausa, pois meu desejo é voltar aos treinos 40 dias após o parto e as competições 2 ou 3 meses depois”, relatou a atleta.

Outro competidor do atletismo é Cláudio dos Santos, ele compete na marcha atlética, e conta que ficou 3 meses sem treinar no início da pandemia, um momento difícil para o atleta, que voltou a rotina aos poucos nos meses seguintes e agora visa fazer uma boa marca no Troféu Brasil. 

Atletas e paratletas do rn traçam caminho rumo aos jogos de tóquio
Cláudio Richardson. Foto: Marcelo Ferrelli- Cbat

“No início fiquei parado, depois voltei a treinar lentamente com caminhadas e depois corridas leves, esse momento foi muito ruim, pois fiquei entediado, sem ânimo, sem motivação para voltar ao treinamento. Agora estou voltando aos treinos tentando recuperar a forma física e conseguir quem sabe fazer uma boa marca no Troféu Brasil”, relatou Cláudio.

O atleta que representa o RN, disse que faltam 2 ou 3 competições para conseguir o índice necessário para alcançar a vaga nas Olimpíadas. Cláudio já foi campeão 11 vezes da Copa Brasil de Marcha Atlética 50km, é recordista Sul-americano nos 50.000m (pista), além de ter sido o 7° colocado nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro em 2007. 

Paralímpiadas 

No dia 24 de agosto começam as Paralímpiadas, os potiguares também estão na briga por vagas na competição. Júnior França é atleta do parahalterofilismo e integra a seleção brasileira, ele conta que a pandemia afetou bruscamente a rotina e o ritmo de treinamento.

“No início da quarentena foi difícil, parou tudo, a gente não sabia o que estava acontecendo ainda, nem a magnitude do que iria acontecer, mas depois fui tentando fazer exercícios em casa mesmo pra não ficar parado, tive que fazer algumas adaptações”, conta o paratleta.

Júnior já conseguiu voltar a rotina com algumas restrições, como a quantidade de atletas nos locais de treinamento, o distanciamento e a higienização dos equipamentos após o uso

Antes da pandemia, em fevereiro, o potiguar venceu a etapa da Copa do Mundo de Halterofilismo disputada em Abuja, capital da Nigéria. O paratleta que compete na categoria até 49kg, levantou 145kg em sua segunda tentativa. O parahalterofilista está bem perto de conseguir a vaga para os Jogos de Tóquio, apenas uma competição internacional o separa do evento no Japão.

“Estou há uma casa de Tóquio, eu preciso participar de um evento internacional, preciso fazer uma marca que já tenho a nível geral, mas o ranking específico para as Olimpíadas eu sou o 9° e é necessário que eu esteja entre os 8 melhores. Mas estou muito confiante”, disse Júnior.

O paratleta é o 8° no ranking geral da categoria, e participando de mais uma competição e alcançando a marca que ele já fez anteriormente, ele passa para o 6° lugar do ranking mundial e conquista a vaga nas Paralímpiadas. Os oito melhores em cada categoria têm participação garantida nos Jogos. 

“Será uma grande conquista chegar na Paralímpiada, será a minha primeira vez nos Jogos, eu iniciei em 2015, mas devido a alguns critérios não consegui participar dos Jogos do Rio em 2016”, disse Júnior.

O paratleta está há 5 anos no esporte, desde sua segunda competição ele representa a seleção brasileira. Júnior é o atual recordista brasileiro da categoria, campeão brasileiro, campeão recordista das Américas, campeão recordista Parapan-americano de Lima em 2019.

Além do Júnior, a potiguar Ana Raquel Lins também está na preparação para os Jogos de Tóquio, ela compete no paraciclismo e contou que no início conseguiu fazer adaptações e treinar em casa.

Atletas e paratletas do rn traçam caminho rumo aos jogos de tóquio
Ana Raquel. Foto: Comitê Paralímpico Brasileiro

“A pandemia afetou mais em relação ao treinamento de força, tentei improvisar em casa. Em relação ao ciclismo consegui adaptar com o uso de um equipamento chamado rolo de treinamento”, conta Ana Raquel.

 A paratleta, no entanto, acabou tendo que sair de casa e se isolar por um período depois que a sua família contraiu a covid-19.

“Parte da minha família teve a covid-19 e tive que passar um tempo fora de casa, o que me fez ficar um tempo parada”, relata a paraciclista.

Ana ainda não voltou 100% a rotina que tinha antes da pandemia, ainda estão sendo feitos ajustes e adaptações nos treinamentos. Faltam ainda 2 competições internacionais para que os países saibam quantas vagas terão para os Jogos em cada categoria, a partir daí a Confederação Brasileira de Ciclismo irá convocar os atletas. Ana busca se superar caso consiga a vaga para as Olimpíadas.

“O foco caso consiga a vaga é ter melhores resultados e tempos que os conquistados no Parapan de Lima em 2019”, relata a paraciclista.

Ana Raquel é campeã brasileira de paraciclismo de contra relógio, campeã brasileira de paraciclismo de pista e 5ª colocada no Parapan de Lima.

Jogos de Tóquio na Pandemia

Os jogos foram oficialmente adiados em março pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), a decisão foi tomada após uma teleconferência entre Thomas Bach, presidente do COI, e Shinzo Abe, Primeiro-Ministro do Japão, para resguardar a segurança de atletas, técnicos e de todos que participariam diretamente ou indiretamente das competições. 

No dia 12 de novembro foi divulgado que os atletas que forem disputar os Jogos de Tóquio não deverão passar pelo período de isolamento de 14 dias. A exigência tem sido feita a todos que chegam ao Japão do exterior por conta da pandemia. Os classificados para os Jogos, porém, deverão ser poupados, de acordo com Toshiro Muto, chefe-executivo do Comitê Organizador. 

A decisão sobre os espectadores estrangeiros será tomada no próximo ano, dependendo da evolução da pandemia. Será criado um livro de regras, de código de condutas, que deverá ser divulgado ainda em 2020. Nos primeiros meses de 2021, o Comitê Organizador disse que irá definir qual será a capacidade de públicos das arenas e estádios, atualmente os eventos esportivos no país contam com 50% de assentos ocupados.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.