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Opinião

Artigo: O dinheiro do tráfico e a origem da violência, por Alexandre Macedo

Classe média alta é a culpada diretamente pelo aumento da força do tráfico e da violência no País
Alexandre Macedo
26/10/2023 | 05:00

A política tem de existir porque é através dela que os problemas da sociedade são resolvidos. E em tudo há política. Em casa, no trabalho, na escola… Em todo canto há atitudes políticas. As instituições sempre estão agindo com uma dosagem de política. Às vezes a política serve para encaminhar e resolver problemas da sociedade, mas às vezes é o contrário: ela também pode ser responsável pela agudização de determinadas questões.

Vejamos o caso do Rio de Janeiro.

onibus queimados
Ônibus queimados por milicianos no Rio de Janeiro na última segunda-feira 23 - Foto: TV Globo / Reprodução

Na última segunda-feira, 35 ônibus e até 1 trem foram incendiados como resposta de uma milícia a uma ação policial que terminou na morte de Matheus da Silva Rezende, de 34 anos. Conhecido como Faustão ou Teteu, Matheus era considerado o número 2 da maior milícia do Rio. Ele foi o 3º membro da família a morrer em confrontos com a polícia do Rio.

O caso mostra como o Estado brasileiro perdeu a guerra para a milícia e para o tráfico de drogas.

E tem algo claro, mas que não é dito por conta da tal política: não é o Estado que é culpado pela explosão do tráfico ou da milíci a. Sabe quem é o culpado diretamente pelo aumento da força do tráfico de drogas e, portanto, do aumento da violência no País de pé a ponta? É quem compra a droga, é quem financia o tráfico.

O dinheiro da milícia ou do tráfico não vem de fora. Pode até haver mecanismos pelos quais o tráfico ganha dinheiro usando o Brasil como um corredor para transporte de drogas. Mas aqui dentro é o foco principal.

E sabe quem banca tudo isso? A classe média, a classe média alta e os ricos. São eles que compram a cocaína. O pobre não compra cocaína. No máximo, compra crack, e isso não geraria essa força que existe no comando do tráfico e que levou para cada estado do País, com mais ou menos poder, as facções criminosas.

É um círculo vicioso: a classe média alta, que pode consumir a cocaína e outras drogas mais caras, compram a droga e, com esse dinheiro, financia o poder do tráfico. No dia seguinte, ela é vítima da violência e culpa o Estado.

É preciso rachar essa conta.

*por Alexandre Macedo, que é publicitário.