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Alunos cotistas e não cotistas da UFRN têm desempenho acadêmico semelhante

No processo seletivo de 2016, por exemplo, os cinco primeiros lugares foram conquistados por alunos cadastrados nas cotas
Redação
16/04/2016 | 09:40

O rendimento acadêmico de alunos cotistas e não cotistas é semelhante na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com uma pequena vantagem para quem entra pelo sistema de cotas. No processo seletivo de 2016, por exemplo, os cinco primeiros lugares foram conquistados por alunos cadastrados nas cotas. Entre eles, a jovem Stella Layse da Silva Lima, 18 anos, que ingressou no curso de Pedagogia do Campus Natal após estudar o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio na rede pública.

Para ela, as oportunidades são distintas entre os advindos da escola pública e privada, pois “quem possui maior renda tem mais estrutura para estudar e melhor preparação para disputar uma vaga na Universidade”. Stella Lima defende que as cotas não retiram o mérito da aprovação dos beneficiados, muito menos significam que eles terão desempenho inferior ao dos demais universitários. “Conheço muitos amigos cotistas que são extremamente esforçados na vida acadêmica, inclusive minha irmã, estudante de Psicologia na UFRN. Porém, a assistência aos estudantes menos favorecidos é essencial para a permanência na Instituição”, ressalta.

Alunos cotistas e não cotistas da ufRio Grande do Norte têm desempenho acadêmico semelhante

Método e resultados

A evidência foi revelada no levantamento realizado pela Comissão Própria de Avaliação (CPA) da UFRN, uma das primeiras instituições federais de ensino superior no Brasil a analisar desde outubro de 2015, o impacto da política de assistência estudantil na permanência e na eficiência acadêmica da Instituição. Atualmente, 70% dos estudantes da Universidade ingressaram na ampla concorrência e 30% são cotistas, conforme a CPA.

A pesquisa comparativa foi baseada no Índice de Eficiência Acadêmica (IEA), calculado a partir do aproveitamento do período letivo em fatores como carga horária (CH), aprovação, frequência e quantidade de disciplinas. Após coletados os índices de todos os estudantes entre os períodos 2014.1 e 2015.1, houve a divisão entre cotistas e ampla concorrência, posteriormente, subdivididos nos grupos com IEA abaixo de cinco (5), entre cinco e sete (5 E 7) e acima de sete (7).

Entre ingressantes pela ampla concorrência, 57,3% apresentam IEA inferior a cinco; 18,35% entre cinco e sete e 24,4% acima de sete. As porcentagens dos cotistas são de 56,9% abaixo de cinco, 17,9% entre cinco e sete e 25,3% acima de sete. “Verifica-se que, apesar de uma ligeira diferença favorável aos cotistas, não existe disparidade significativa de desempenho acadêmico entre os dois grupos”, esclarece Alexandre Queiroz, presidente da CPA.

O professor ressalta que outros estudos serão feitos até novembro deste ano pela Comissão de Avaliação da Política de Assistência Estudantil para obter um resultado mais detalhado dessa comparação, como por exemplo, a organização dos dados por curso de graduação e o cruzamento com as notas obtidas no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade).