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Economia

Alckmin diz que prioridade do governo é garantir abastecimento e conter alta do diesel

Vice-presidente defende desoneração de PIS/Cofins e subsídio ao combustível diante de pressão internacional sobre preços
Por O Correio de Hoje
16/03/2026 | 10:18

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado 14 que a prioridade do governo federal neste momento é garantir o abastecimento e conter a alta do diesel no país. Segundo ele, as medidas anunciadas nesta semana — que incluem a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins e a concessão de uma subvenção de R$ 0,32 por litro — devem reduzir o preço do combustível em pelo menos R$ 0,64 por litro nas bombas.

Alckmin argumentou que a iniciativa busca mitigar os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. Embora o Brasil seja exportador de petróleo, cerca de 25% do diesel consumido no país é importado, o que expõe o mercado doméstico às oscilações externas.

Alkimin
Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin - Foto: Cadu Gomes

“A prioridade agora é garantir abastecimento e segurar o preço do diesel”, afirmou o vice-presidente durante visita a uma concessionária da Scania em Santa Maria, no Distrito Federal. A agenda ocorreu no contexto do programa Move Brasil, voltado à renovação da frota de caminhões.

Segundo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a elevação do diesel tem potencial de pressionar custos logísticos e afetar a inflação. O combustível é amplamente utilizado no transporte de cargas, o que impacta diretamente os preços de alimentos e outros bens.

O vice-presidente também criticou a política adotada em 2022 pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro, que limitou a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis e vetou mecanismos de compensação financeira aos Estados.

Segundo Alckmin, a decisão gerou perda de arrecadação e desencadeou disputas judiciais. “Os estados foram para a justiça porque perderam receita. Acabou tudo judicializado, virando aí um precatório gigantesco”, afirmou.

Ele ressaltou que, apesar da produção nacional de petróleo, o país ainda não possui capacidade de refino suficiente para atender integralmente à demanda interna por diesel, o que explica a necessidade de importação do combustível.

Durante a agenda no Distrito Federal, Alckmin também destacou os resultados iniciais do programa Move Brasil, iniciativa voltada ao estímulo da indústria e à modernização da frota de veículos pesados.

Segundo o vice-presidente, o programa conta com R$ 10 bilhões em recursos e reduziu o custo médio de financiamento de cerca de 23% para 13%. Em dois meses de operação, R$ 6,2 bilhões já teriam sido contratados. “A resposta foi espetacular”, afirmou.

De acordo com ele, a iniciativa incentiva caminhoneiros autônomos e empresas de transporte a adquirir veículos novos ou seminovos, com impacto positivo para a indústria e para a segurança nas estradas.

Alckmin também defendeu medidas voltadas à produção de veículos de menor impacto ambiental, como a eliminação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o chamado carro sustentável.

O modelo, segundo o governo, deve ser fabricado no Brasil, utilizar motor flex, ter ao menos 80% de reciclabilidade e emitir no máximo 83 gramas de CO₂ por quilômetro rodado.

Para o vice-presidente, a renovação tecnológica da frota pode contribuir tanto para a redução da poluição quanto para a segurança viária. “Quando se tem tecnologia, é como uma vacina. Isso vai evitar acidentes e mortes”, afirmou.