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Repercussão
Advogado de caso Mariana Ferrer é visto como olavista, ostentador e religioso
Considerado um dos principais criminalistas de SC, Gastãozinho é assíduo em colunas sociais
Folha de S.Paulo
05/11/2020 | 05:39

O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, 50, que ganhou projeção nacional com o caso da influenciadora Mariana Ferrer, é um dos mais conhecidos criminalistas de Santa Catarina. Próximo de Olavo de Carvalho e fã da família Bolsonaro, o criminalista tem de políticos a chefões do crime organizado entre seus clientes.

Em Florianópolis, onde mora, Rosa Filho é como conhecido como Gastãozinho —seu pai, também advogado, foi criminalista e uma figura popular nos anos 1990, quando manteve um quadro com dicas de direito no Programa César Souza, líder de audiência no horário pela filial da TV Bandeirantes.

Gastãozinho também aparece com frequência na TV, mas em reportagens das emissoras locais, já que costuma ser muito requisitado para atuar em casos midiáticos e não raro consegue vitórias surpreendentes.

Também frequenta as colunas sociais catarinenses, nas quais já apareceu comentando as aquisições de uma nova Ferrari e de um helicóptero e em reuniões com a alta sociedade local, da qual também participam membros do Judiciário do estado.

Os amigos o descrevem como uma pessoa educada e gentil, muito diferente da que o vídeo divulgado pelo site The Intercept mostra. Nas imagens, o advogado apresenta fotos sensuais produzidas pela jovem para tirar sua credibilidade e reforçar o argumento de que a relação foi consensual.

A vida de ostentação de Rosa Filho é considerada contraditória pelos amigos ouvidos pela Folha, por causa de seu perfil religioso. Católico fervoroso, é fã de Josemaría Escrivá de Balaguer, sacerdote espanhol e fundador da Opus Dei, prelazia da Igreja Católica com viés conservador.

Costuma repetir a frase: “Pelos meus clientes vou até o inferno, mas não entro nele”. É membro da irmandade Senhor Jesus dos Passos, mantenedora e responsável pela administração do Imperial Hospital de Caridade, a mais tradicional do estado. Também faz parte da diretoria da Sociedade Hípica Catarinense.

Amigos afirmam que ele não consome bebida alcoólica. Dorme antes das 21h e acorda antes das 4h para rezar, fazer exercícios físicos e começa a trabalhar por volta das 6h30.

É apontado com um profundo conhecedor do Código de Processo Penal e, assim, consegue muitas vitórias.

Entre seus clientes mais famosos está Claudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, considerado um dos maiores assaltantes de banco de Santa Catarina e um membro de organização criminosa.

Também defendeu o então vice-governador Leonel Pavan, acusado pelo Ministério Público de receber propina para evitar o cancelamento da inscrição estadual de uma empresa junto à Secretaria da Fazenda, e o então presidente da Assembleia Legislativa, Romildo Titon (MDB), suspeito de irregularidades na instalação de poços artesianos no estado.

Recentemente, assumiu a defesa de Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, em um dos processos em que é alvo. Também é advogado, segundo amigos, de Olavo de Carvalho.

Na tarde de terça 3, Carvalho se pronunciou sobre o caso Mariana Ferrer nas redes sociais. “O fato é o seguinte: No tal processo Ferrer, a moça NÃO PROVOU incapacidade de dizer um simples “Não”. Ponto final. O resto, caros Weintraub e Damares, é POSE”, disse.

Outra suposta contradição apontada pelos amigos entre o discurso do advogado e suas práticas está no posicionamento mantido por ele durante anos de que não defenderia suspeitos de estupro.

Além de defensor do empresário André de Camargo Aranha no caso Mariana Ferrer, ele também disse em redes sociais que defenderia o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), acusado de estupro por uma ex-servidora, candidata a vereadora pelo mesmo partido. Aranha e Loureiro negam o crime.

Nesta quarta 4, o advogado saiu das redes sociais após uma série de ataques. O site do escritório também está fora do ar. Por meio de nota, ele afirma que Aranha foi absolvido por falta de provas. Disse ainda que é “indispensável assistir a toda a audiência antes de se emitir opiniões definitivas”.

“A audiência foi tensa e os embates entre a defesa e Mariana foram constantes e longos. Mariana mencionou as minhas filhas menores e aspectos pessoais da minha vida, algo que raramente é feito pela parte de um processo em relação a um advogado que nele atua”, disse.

Afirmou também que as dinâmicas entre a acusação e a defesa “abrangem aspectos relacionados a hábitos, perfis, relacionamentos e posturas das pessoas envolvidas”.

“Quero deixar claro que repudio qualquer forma de agressão ou violência física ou moral contra a mulher.”

“Por fim, lamento o mal-entendido caso alguém tenha se sentido ofendido, porque jamais foi minha intenção ofender ou agredir quem quer que seja. Acredito ter atuado dentro dos limites legais e profissionais, considerando-se a exaltação de ânimos que costuma ocorrer em audiências como aquela”, diz ele.

A seccional catarinense da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pediu esclarecimentos ao advogado. O pedido antecede eventual abertura de processo ético disciplinar.

Em nota, a Comissão OAB Mulher RJ defendeu que as condutas do advogado de defesa do réu, do promotor e do juiz sejam investigadas.

O ministro Gilmar Mendes classificou as cenas da audiência como “estarrecedoras”, em uma rede social. “O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação”, afirmou.

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