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Economia

Acordo entre Mercosul e União Europeia abre nova frente para exportações do RN

Fruticultura e pesca aparecem entre os setores com maior potencial de crescimento após redução tarifária entre os blocos
Redação
07/05/2026 | 05:40

A entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, iniciada em 1º de maio, ampliou as expectativas do setor produtivo do Rio Grande do Norte em relação ao mercado externo. O tratado, assinado em 17 de janeiro de 2026, prevê redução gradual de tarifas de importação e maior acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, considerado um dos principais destinos globais para exportações agrícolas e industriais.

Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o Brasil poderá ampliar as exportações em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência do acordo. O tratado prevê tarifa zero para mais de 5 mil produtos e benefícios imediatos para outros 543 itens, cenário que deve favorecer segmentos estratégicos da economia brasileira e também atividades com forte presença no Rio Grande do Norte.

Mercosul UE
Acordo com a União Europeia vai destravar pauta exportadora do Estado - Foto: Reprodução

No Estado, a principal expectativa está concentrada na fruticultura, uma das atividades mais internacionalizadas da economia potiguar. Produtos como melão e melancia, exportados principalmente para mercados europeus como Holanda e Espanha, tendem a ganhar competitividade com a redução de custos tarifários. O setor avalia que o acordo pode ampliar o volume exportado e fortalecer a presença do estado no mercado europeu.

Além da fruticultura, o segmento de pescados acompanha o avanço das negociações comerciais como oportunidade para recuperar espaço internacional. As exportações brasileiras de pescado para a União Europeia estão suspensas desde 2017 por questões sanitárias, mas representantes do setor enxergam no novo cenário uma possibilidade de retomada gradual das operações.

“Nós temos que citar aqui, por exemplo, a questão da pesca, e se busca esse mercado europeu já há um certo tempo. Pesca é essa que foi, recentemente, teve o tarifaço americano. Nós buscamos isso como compensação à comunidade europeia”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, Roberto Serquiz, em entrevista à TV Tropical.

Apesar do ambiente favorável, o acordo ainda depende da ratificação definitiva pelos países envolvidos para entrar plenamente em vigor. Enquanto isso, entidades empresariais e representantes do setor produtivo discutem formas de ampliar a inserção do Estado no novo contexto comercial e fortalecer canais de exportação.

“Nada é tão instantâneo. Isso é toda uma construção, maturação para se chegar. Agora, o potencial do Rio Grande do Norte, sim, a partir do momento que você tem um novo mercado se apresentando, as instituições com a Federação da Indústria, como as demais instituições, se debruçarem sobre isso e construir esses canais comerciais para que tudo isso que nós estamos imaginando de positivo venha a acontecer”, disse Serquiz.

O tratado também traz desafios para produtores e empresas brasileiras. A União Europeia mantém exigências ambientais e sanitárias rigorosas, o que deverá exigir adequações em cadeias produtivas locais para atender aos critérios estabelecidos pelo bloco. Ao mesmo tempo, a redução tarifária prevista no acordo facilitará a entrada de produtos europeus no mercado brasileiro, aumentando a concorrência em diversos setores industriais.

“Quando você fala em economia, você fala em economia mundializada, economia globalizada. Quando você tem um acordo, você tem a ida e a vinda. E um mercado como o de 780 milhões de pessoas é realmente um potencial enorme a ser desenvolvido e cada um com seus desejos, com suas vontades”, afirmou Roberto Serquiz.

Para representantes do setor produtivo potiguar, o impacto do acordo dependerá não apenas da abertura tarifária, mas também da capacidade de adaptação das empresas locais às novas exigências de competitividade, sustentabilidade e logística internacional.