A Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC-RN) concluiu as Diretrizes de Fomento à Literatura de Cordel para as escolas públicas e privadas do Rio Grande do Norte. O documento será encaminhado ao Conselho Estadual de Educação (CEE-RN) para análise e regulamentação, com previsão de que as orientações sejam adotadas pelas escolas a partir de 2027.
As diretrizes foram elaboradas ao longo de mais de dois anos por um grupo de trabalho formado por profissionais da educação, pesquisadores e cordelistas. A proposta estabelece orientações para que a Literatura de Cordel seja trabalhada em todas as etapas da educação básica e nas diferentes modalidades de ensino.

A previsão é que o documento também seja apresentado aos profissionais da educação durante as jornadas pedagógicas antes da implementação nas escolas. Uma das primeiras medidas será a formação de professores para orientar o desenvolvimento de atividades relacionadas ao gênero literário.
A elaboração das diretrizes regulamenta, no âmbito pedagógico, a Lei Estadual nº 10.950, de 13 de julho de 2021, que criou diretrizes de incentivo e fomento à Literatura de Cordel nas escolas públicas e privadas do Rio Grande do Norte. A legislação prevê, entre outros objetivos, a valorização da cultura popular brasileira e o reconhecimento da identidade potiguar por meio do gênero.
Segundo Geralda Efigênia Macedo da Silva, cordelista e coordenadora do grupo de trabalho responsável pelo documento, a proposta amplia o espaço da literatura de cordel no ambiente escolar.
“Não é só o cordelista, é a literatura em si, a cultura literária de cordel, que vai sair de um universo que não é muito visto nem ouvido e passa a ser protagonista também no currículo escolar”, afirmou.
As diretrizes abrangem desde a Educação Infantil até a última etapa da educação básica. O conteúdo não ficará restrito à produção de folhetos ou à escrita de cordéis e prevê o contato dos estudantes com o gênero como manifestação literária e cultural.

Entre os aspectos que deverão ser trabalhados estão oralidade, leitura, identidade, cultura popular e experiências de comunidades e grupos sociais. A proposta também prevê o estudo do cordel em diálogo com outros gêneros literários, como soneto e conto.
“A Literatura de Cordel não é só fazer cordel. É muito mais do que isso: tem a oralidade”, explicou Geralda.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já apresenta habilidades e códigos relacionados ao trabalho com o cordel. As novas diretrizes estaduais devem organizar essas possibilidades em uma orientação específica para o Rio Grande do Norte.
“Vamos formar os professores e implementar nas escolas já a partir de 2027. Na jornada pedagógica também já serão apresentadas essas diretrizes”, disse Geralda.
A secretária de Estado da Educação, Socorro Batista, afirmou que a proposta busca reconhecer a presença do cordel na cultura e na história do Rio Grande do Norte e levar o gênero para o cotidiano escolar.
O grupo responsável pela elaboração das diretrizes é coordenado por Geralda Efigênia Macedo da Silva, da Subcoordenadoria de Ensino Fundamental (SUEF), e reúne profissionais de diferentes setores da SEEC, incluindo áreas pedagógicas e modalidades de ensino.
A Lei Estadual nº 10.950/2021 estabelece que as diretrizes de incentivo e fomento à Literatura de Cordel devem contribuir para o conhecimento da cultura popular brasileira, estimular a literatura popular em verso, valorizar os cordelistas potiguares e ampliar o acesso a diferentes gêneros literários no processo educacional.