Os técnico-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aprovaram, em Assembleia Geral realizada na manhã desta quinta-feira 19, a deflagração de greve da categoria a partir do dia 23 de fevereiro. A votação ocorreu no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM).
A paralisação foi aprovada por 53,5% dos votantes, totalizando 68 votos favoráveis. Foram registrados 53 votos contrários (41,7%) e 7 abstenções (4,8%), evidenciando divisão entre os participantes. A decisão ocorre após quase um ano em estado de greve e diante do descumprimento de 17 pontos do acordo firmado com o governo federal.

O principal ponto do debate foi o não cumprimento integral do acordo, com ênfase na exclusão dos aposentados do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e na ausência de avanços em pautas estruturais, como a implementação das 30 horas para todos.
RSC e exclusão de aposentados
Durante a assembleia, dirigentes e representantes da base relataram que, embora o RSC seja apontado como uma das maiores conquistas recentes da carreira, sua regulamentação deixou de fora os aposentados sob justificativa orçamentária. Entre os defensores da greve, a avaliação é de que a exclusão fere o princípio da paridade e amplia desigualdades dentro da categoria.
Também foi informado que aproximadamente 60% dos servidores não poderão requerer o RSC nos moldes atuais. Entre os que terão direito, há preocupação de que parte não alcance a pontuação exigida.
Os que defenderam a paralisação afirmaram que o movimento não se restringe ao RSC, mas busca garantir o cumprimento integral dos 17 itens pendentes do acordo, incluindo a pauta das 30 horas, já protocolada em 2026 por entidades nacionais como FONASEFE e FONACATE.
Divergências sobre o momento da greve
A assembleia foi marcada por posições divergentes. Parte da direção e da base avaliou que uma greve imediata pode atrasar a implementação do RSC, uma vez que a comissão responsável pela análise dos processos poderá ter seus trabalhos impactados. Também houve menções ao cenário político nacional e a possíveis impactos na percepção da categoria perante a sociedade.
Por outro lado, os defensores da paralisação argumentaram que o governo vem apostando no esvaziamento da mobilização e que a ausência de pressão compromete a efetivação dos direitos acordados. Sustentaram que a greve é necessária para assegurar o cumprimento de todos os pontos ainda pendentes.
Durante a assembleia, também foram eleitos representantes para a I Conferência Antifascista, que será realizada em Porto Alegre (RS), de 26 a 29 de março. Foram escolhidos quatro representantes: pela direção, Eliane Alves, coordenadora-geral, e Roberto Silva, coordenador de Políticas Sociais, Raças, Diversidades e Etnias; pela base, os servidores Viktor Gruska e José Rebouças.
Com a greve aprovada, a direção do sindicato informou que comunicará formalmente o reitor da UFRN e convocou a categoria a participar das mobilizações. A orientação é ampliar a adesão nas próximas semanas. As informações sobre a deflagração da greve, prevista para a próxima segunda-feira (23), serão divulgadas nos canais oficiais do sindicato.