Pacientes com doença falciforme no Rio Grande do Norte denunciam a falta da hidroxiureia, medicamento essencial para o tratamento da doença. Mesmo após decisão determinando o fornecimento, a medicação segue em falta há meses na Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), o que tem provocado agravamento dos sintomas e internações, segundo relatos.
A babá Glauciene, de 39 anos, diagnosticada com a doença aos sete meses de idade, relata dificuldades diante da ausência do remédio. “O que nos tortura bastante é ficar sem a medicação. Ficou sem 2 dias sem a medicação, a gente já começa a ter muito sono, a principal é as crises álgicas, que é atacar o corpo inteiro. Onde tiver circulação, ataca”, afirmou, em entrevista à TV Tropical.

Segundo ela, a dor é intensa. Glauciene afirma que, sem o medicamento, pacientes têm recorrido a analgésicos mais fortes, sem resultado efetivo. “O remédio que ainda ameniza é a morfina, mas já tem paciente que nem a morfina tá suprindo”, relatou.
A paciente afirma que recebe a medicação há 18 anos pela rede pública, com retirada mensal de cerca de 120 comprimidos. No entanto, o fornecimento foi interrompido. “Vai fazer 3 meses, porém lá não tem uma compra regulável. Eles eram para comprar para nunca faltar”, declarou.
Sem acesso regular ao medicamento, Glauciene disse que depende de doações. A redução da dose tem impacto direto no quadro clínico. “Eu sinto dor constante. Eu não durmo porque eu tenho insônia”, disse.
Ela também relata preocupação com a progressão da doença. Ainda de acordo com a paciente, a mobilização coletiva tem sido dificultada pelo estado de saúde dos pacientes. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN informou que o processo de aquisição do medicamento foi concluído recentemente. Segundo o comunicado enviado à Unicat, o Estado aguarda a entrega por parte dos fornecedores para que a distribuição seja normalizada.