Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram uma marcha na manhã desta quinta-feira 16 e chegaram até a sede da Governadoria, em Natal, para reivindicar avanços na política de reforma agrária. O grupo saiu de São Gonçalo do Amarante e percorreu o trajeto a pé. Uma reunião com representantes do governo estadual está prevista para as 13h30.
Segundo Márcio Melo, representante do movimento, a mobilização faz parte de uma articulação nacional. “Nosso movimento de hoje é a jornada de luta pela reforma agrária. É uma jornada nacional, começou desde a semana passada em alguns estados, e nós aqui do Rio Grande do Norte iniciamos ontem [quarta] à noite”, disse.

O principal objetivo da mobilização, de acordo com ele, é a ampliação de assentamentos no Estado. “O nosso objetivo é a questão do assentamento para 5 mil famílias na campanha que a gente tem no Rio Grande do Norte”.
O representante também destacou que houve paralisação nas políticas de reforma agrária nos últimos anos. “O último assentamento que foi feito no Rio Grande do Norte foi em 2015”. Ele acrescentou que houve avanços recentes: “Esse ano, já tivemos cinco decretos para ser criado nosso projeto de assentamento, mas não avança”.
Além da pauta nacional, o MST apresentou reivindicações específicas ao governo estadual. “A gente tem uma reunião já pré-agendada agora com o pessoal do governo, agora às 13h30”, afirmou Márcio. Entre os pontos, está o assentamento de famílias em áreas públicas: “É o assentamento de 100 famílias no Baixo Assu, que são terras do próprio Governo do Estado, e a gente vem há 6 anos e essa terra não foi repassada nem para as famílias”.
O movimento também cobra ações em educação e infraestrutura. “Temos pontos em relação à questão da educação, que é as turmas de jovens e adultos. Aqui em Natal tem um programa que a gente já tem experiência, a gente precisa também avançar nessa pauta”. Sobre produção agrícola, ele destacou a necessidade de acesso à água: “A pauta para os assentamentos é a questão da perfuração de poços, os assentados possam, de fato, produzir, ter água para produzir”.
De acordo com o MST, o Estado conta com mais de 22 mil famílias assentadas. “Hoje no Rio Grande do Norte, pelo Incra, a gente tem em torno de 22 mil famílias assentadas. Têm famílias do crédito fundiário, em torno de 2 a 3 mil famílias”. As famílias vivem majoritariamente da agricultura. Ele citou culturas como mandioca, milho e feijão entre as produções desenvolvidas nos assentamentos.
O representante afirmou que a atividade enfrenta dificuldades, principalmente pela falta de financiamento. “A Reforma Agrária precisa de crédito. Se você não tiver o crédito, que é o recurso para você trabalhar, então você vai encontrar dificuldade para produzir”. Após a chegada à Governadoria, o grupo pretende permanecer em Natal até sexta-feira 17.
A marcha deste ano traz o lema: “30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás: por memória, justiça e Reforma Agrária Popular”, trazendo a memória dos Sem Terra que foram assassinados no dia 17 de abril de 1996, no Pará. Ao todo, no RN, são 62 acampamentos e cerca de 5.340 famílias que aguardam desapropriação de terras no Estado.