BUSCAR
BUSCAR
Política

[VÍDEO] Ministro do STF usa resort no Paraná para encontros com empresários e banqueiros, diz jornal

Imagens mostram ministro em conversa com André Esteves e Luiz Pastore
Redação
22/01/2026 | 18:02

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Dias Toffoli utilizou o resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), para receber empresários, banqueiros e políticos. A informação é da coluna de Andreza Matias, do Metrópoles, que obteve imagens de um desses encontros realizados em área reservada dos jardins do hotel, às margens da represa de Xavantes, na divisa entre Paraná e São Paulo. Encontro aconteceu em 25 de janeiro de 2023.

Em um dos registros, Toffoli aparece vestindo camiseta azul-escura, bermuda cáqui e chinelos enquanto aguarda convidados. Em frente ao ministro, pousa um helicóptero Eurocopter AS365 Dauphin, da fabricante francesa Airbus, com prefixo PT-PCT, referência ao banco de investimentos BTG Pactual.

Ministro do STF usa resort no Paraná para encontros com empresários e banqueiros, diz joRio Grande do Norteal - Foto: Reprodução
Ministro do STF usa resort no Paraná para encontros com empresários e banqueiros, diz jornal - Foto: Reprodução

Da aeronave desce primeiro o empresário Luiz Pastore, dono do grupo metalúrgico Ibrame. Minutos depois, desembarca o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Avaliado em cerca de US$ 12 milhões, o helicóptero pertencia a Esteves. Toffoli cumprimenta Pastore com um abraço e um beijo no rosto, e depois recebe o banqueiro com um aperto de mão e um abraço.

Na sequência, Toffoli e André Esteves aparecem conversando com copos de bebida nas mãos, acompanhados por Martha Leonardis, ex-BTG e amiga do banqueiro. O encontro ocorreu em 25 de janeiro de 2023 e, segundo a coluna, exemplifica a rotina do resort, frequentemente usado por Toffoli para receber autoridades, artistas e nomes do setor empresarial.

André Esteves é descrito como próximo de ministros do Supremo, do Executivo e do Tribunal de Contas da União. O banqueiro mantém negócios que podem ser impactados por decisões da Corte, embora, à época, não tivesse processos seus ou do BTG sob relatoria de Toffoli. Luiz Pastore também mantém relações próximas com figuras da política e do meio empresarial, atuando nos setores de metalurgia, importação, indústria e administração de imóveis.

Foi em uma aeronave de Pastore que Toffoli viajou com o advogado Augusto de Arruda Botelho para assistir à final da Copa Libertadores, no Peru, em novembro passado. A viagem gerou questionamentos sobre a isenção do ministro para relatar investigações envolvendo o Banco Master. Botelho é advogado de defesa de Antonio Bull, ex-diretor da instituição.

Em meio a críticas à conduta de ministros, o presidente do Supremo, Edson Fachin, propôs a elaboração de um código de conduta para magistrados da Corte. A iniciativa provocou reação entre integrantes, entre eles Alexandre de Moraes. O escritório da mulher e dos filhos de Moraes foi contratado pelo Banco Master por R$ 129 milhões.

A visita de André Esteves e Luiz Pastore ao resort reforçou especulações de que Toffoli teria relação mais próxima com o empreendimento. Repórteres do Metrópoles, Valentina Moreira e Sam Pancher, se hospedaram no hotel por três dias e relataram que funcionários tratam o ministro como proprietário, afirmando haver uma casa de luxo e um barco à disposição dele, além de registros de fechamento do hotel para festas com convidados. No local, também há cassino com máquinas eletrônicas e mesas de blackjack, jogos proibidos no Brasil.

Nos documentos de compra e venda do hotel, entretanto, aparecem como proprietários dois irmãos e um primo do ministro. A empresa funciona em uma casa simples em Marília (SP), cidade natal de Toffoli. Na residência, a cunhada do ministro negou que o marido tenha sido dono de um empreendimento avaliado em R$ 30 milhões.

Em abril de 2025, segundo a coluna, o resort foi vendido ao advogado Paulo Humberto Barbosa, sócio de dirigentes da J&F e contratado pelos irmãos Wesley e Joesley Batista. Dois anos antes da transação, Toffoli suspendeu o pagamento de uma multa aplicada ao grupo no valor de R$ 10,3 bilhões.

Desde a venda, Toffoli esteve 58 dias no local e, no fim do ano, realizou uma festa para 140 pessoas, mobilizando toda a estrutura do resort. Dados do TRT-2 mostram que, de 2022 a janeiro deste ano, o ministro permaneceu no hotel ao menos 168 dias, em 19 ocasiões, o que equivale a uma hospedagem a cada sete dias.