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Política

‘Se Álvaro não cumprir metas, daqui a 4 anos eu sou candidato’, diz Styvenson Valentim

Senador afirmou que a cobrança pública faz parte de uma mudança de postura que, segundo ele, passou a adotar após compreender o funcionamento da política institucional
Agora RN
22/01/2026 | 05:42

O senador Styvenson Valentim (PSDB) confirmou nesta quarta-feira 21 que será candidato à reeleição em 2026 e declarou apoio ao ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Ao mesmo tempo, deixou claro que o apoio está condicionado ao cumprimento de metas administrativas e que, caso o compromisso não seja honrado, poderá disputar o governo estadual em 2030.

“Álvaro sabe e já foi conversado com ele. Ele vai ter que cumprir as metas, com o objetivo de tirar o nosso estado do buraco. Se não cumprir as regras, daqui a quatro anos eu sou candidato. Porque tem que ter alguém com colhões para fazer, pô. Mas ele vai se comprometer. E todos vão observar. Acabou a época de promessa, viu, gente? Acabou a época de enganar as pessoas”, afirmou Styvenson.

Styvenson Valentim - Foto: José Aldenir/Agora RN
Senador se comprometeu a enviar recursos para eventual governo Álvaro Dias - Foto: José Aldenir/Agora RN

Styvenson afirmou que a cobrança pública faz parte de uma mudança de postura que, segundo ele, passou a adotar após compreender o funcionamento da política institucional. “Ganhar a campanha é muito fácil, Álvaro. Difícil é o depois”, declarou, ao reforçar que o acompanhamento do governo, caso Álvaro seja eleito, será permanente.

Ao explicar por que decidiu permanecer no Senado e não disputar o governo em 2026, Styvenson relatou conversas com prefeitos e lideranças municipais. “Recebi ontem cerca de 20 ou 30 ligações de prefeitos dizendo que estavam comigo em qualquer decisão minha”, afirmou. Segundo ele, o argumento mais recorrente foi a importância de manter sua atuação parlamentar. “Os prefeitos me diziam: ‘senador, a gente não pode perder uma vaga de Senado, a gente não pode perder um senador como o senhor’”, relatou.

O senador ressaltou que os municípios vivem situação financeira crítica. “São 167 municípios com 167 prefeitos que hoje não têm condições. Fazem uma mágica para pagar a folha”, disse. Ele citou dificuldades para financiar ações básicas. “Eles não têm condições de pagar cirurgia, fazer exame, fazer uma pavimentação, fazer uma reforma da escola. Coisa simples porque o dinheiro é bem contado”, afirmou.

Styvenson destacou que sua atuação parlamentar se concentra justamente na destinação de recursos via emendas. “São R$ 50 bilhões por ano para o Congresso Nacional investir em emendas parlamentares que ajudam municípios a fazer cirurgias, a construir hospitais, a fazer escolas”, declarou. Segundo ele, esse papel perde efetividade quando há entraves administrativos no Governo do Estado. “Não adianta eu mandar uma emenda para o prefeito Paulinho Freire resolver um problema turístico, como o Parque Linear, e o governo, através do Idema, por questão ideológica, não ceder aquele espaço”, afirmou, citando o imbróglio envolvendo a construção de um novo parque urbano dentro do Parque das Dunas, na Zona Sul de Natal.

Durante o discurso, o senador fez críticas ao que chamou de política ideológica nociva no Estado. “Falta desintoxicar o nosso Estado de uma política ideológica nociva que trouxe para trás”, disse, acrescentando que o problema não se limita ao PT, que atualmente governa o RN. “Eu não falo só do PT, não. Falo de sucessões de pessoas que prometeram mentiras, disseram que seria feito e nunca fizeram”, afirmou.

Styvenson também fez uma autocrítica sobre o início de seu mandato. “Nos dois, três primeiros anos do meu mandato, não consegui nada para o meu Estado. Político não se faz só, não”, declarou. Segundo ele, a compreensão de que a política é coletiva foi determinante. “Eu entendi na sua campanha que política se faz em grupo”, disse, dirigindo-se ao prefeito Paulinho Freire e sua campanha em 2024.

O senador afirmou ainda que tentou colaborar com o atual governo estadual. “Se tem uma pessoa aqui que tentou ajudar o governo do Estado, foi eu”, declarou. Ele citou repasses realizados. “A governadora Fátima Bezerra sabe quando eu mandei R$ 16 milhões para o Alto Oeste, quando eu mandei dinheiro para ajeitar aquele hospital, quando eu mandei R$ 7 milhões para reformar, construir uma escola nova”, disse, ao relatar frustração com a falta de retorno institucional.

Ao final, Styvenson reafirmou que o apoio a Álvaro Dias faz parte de um projeto coletivo, mas condicionado a resultados.

“Não sou bolsonarista, mas temos ideias semelhantes”

Apesar de estar no palanque do PL, Styvenson Valentim afirmou que não é bolsonarista, mas reconheceu convergência de ideias com lideranças da direita. Um dos pontos, segundo ele, é o combate a “injustiças” – numa referência às condenações dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

“A gente precisa de senadores para reequilibrar poderes, para colocar um ponto em cada poder. A gente não pode permanecer num país em que a gente tem medo de falar, eu nunca vi político ter medo de falar”, afirmou.

Ao abordar sua posição política, o senador fez questão de se diferenciar do bolsonarismo, mesmo citando afinidades programáticas com Rogério Marinho e outros aliados. “Eu sempre fiz questão de dizer, não sou bolsonarista, temos ideias semelhantes, temos ideias alinhadas”, declarou.

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