Cerca de 20 ministros do governo Lula (PT) devem deixar suas pastas para concorrer a cargos públicos pelo País, como forma de reforçar a base do petista nos estados. O número leva em consideração ministros que já manifestaram a intenção de se afastar dos cargos e os que já detêm cargos públicos e podem buscar reeleição. A apuração é do jornal Folha de S. Paulo.
Seguindo a orientação do presidente, ministros que são deputados ou senadores licenciados devem se afastar dos ministérios para garantir candidaturas e apoio eleitoral a Lula nos estados. Caso confirmadas todas as saídas, o presidente deve ficar sem seu núcleo duro no governo durante a campanha.

Um dos pedidos diretos feitos por Lula foi para que a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) deixe o posto para concorrer ao Senado pelo Paraná. Responsável pela articulação política do governo, Gleisi é deputada federal licenciada pelo PT-PR, e havia a expectativa de que tentasse a reeleição no cargo. No entanto, o pedido do petista foi um pleito ao Senado.
Os ministros devem se descompatibilizar de suas pastas até abril, às vésperas da campanha eleitoral.
Entre os ministros palacianos, o petista Rui Costa (Casa Civil) também deve deixar o cargo para se candidatar ao Senado. Também há uma possibilidade, segundo interlocutores, de que Rui concorra novamente ao Governo da Bahia.
Junto a eles, Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) também deve se afastar, mas para comandar a campanha de Lula à reeleição. O marqueteiro foi chefe de campanha na última disputa, em 2022. Diferentemente dos demais, ele deve sair somente em junho.
Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) deve ser um dos únicos dos ministros do Palácio do Planalto a se manter na posição, embora pudesse se candidatar à reeleição como deputado federal pelo Psol-SP.
Fora do Palácio, 12 ministros também devem se afastar.
Entre os que já confirmaram publicamente que sairão está Anielle Franco (PT), da Igualdade Racial, que tentará se eleger pela primeira vez deputada federal pelo Rio de Janeiro. Buscando a reeleição, há Sonia Guajajara (Psol), dos Povos Indígenas, como deputada por São Paulo, e Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura, como senador por Mato Grosso.
Além deles, Jader Filho (MDB), das Cidades, também já declarou que deverá disputar a Câmara pelo Pará. Também já anunciaram que sairão: André de Paula (PSD), da Pesca, Silvio Costa Filho (Republicanos), dos Portos e Aeroportos, e Waldez Góes (PDT), do Desenvolvimento Regional.
Um possível candidato à reeleição como deputado, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), desistiu de disputar em dezembro passado.
Uma das principais movimentações recentes em torno da campanha é a de Simone Tebet (Planejamento), que deve se filiar ao PSB para disputar o Senado por São Paulo. Junto a ela, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), também pode se lançar como senadora por São Paulo.
Ainda no estado, havia sido cogitado o nome de Geraldo Alckmin (PSB) para disputar o governo estadual, mas até o momento a intenção de Lula é mantê-lo como vice em 2026, segundo interlocutores.
Ministros como Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Camilo Santana (Educação), André Fufuca (Esportes), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Alexandre Silveira (Minas e Energia) são nomes que também podem disputar cargos no Congresso ou em governos estaduais.
Também há casos de ministros dispostos a se candidatar mas que aguardam deliberação com o presidente, como o pedetista Wolney Queiroz (Previdência) e Márcio França (Empreendedorismo), que tem intenção de disputar o Governo de São Paulo pelo PSB.
Renan Filho (Transportes), por sua vez, já confirmou saída para disputar o Governo de Alagoas.
Outros que ainda podem sair para a corrida são o petista Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), do PCdoB.