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Eleições 2026

Debate entre Lula e Flávio tem propostas e troca de acusações

Último confronto antes do segundo turno abordou economia, segurança pública, saúde e educação; candidatos também discutiram patrimônio e relações com Daniel Vorcaro
Agora RN
24/10/2026 | 08:21

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações e apresentaram propostas para o governo federal durante o último debate presidencial antes do segundo turno das eleições, realizado na noite desta sexta-feira 23, na TV Globo. O encontro, mediado pelo jornalista César Tralli, abordou temas como custo de vida, endividamento, segurança pública, saúde, educação e infraestrutura. No bloco de tema livre, os candidatos concentraram os ataques em denúncias e questionamentos sobre patrimônio e relações pessoais.

O debate começou com discussões sobre obras de infraestrutura e investimentos nas diferentes regiões do país. Flávio afirmou que o Brasil voltou a ser um “cemitério de obras” e prometeu ampliar ferrovias, concessões e acesso à internet, além de propor pedágio gratuito para motociclistas em novas rodovias. Lula citou investimentos que, segundo ele, somam R$ 1,7 trilhão, e mencionou obras como a Transnordestina e o túnel Santos-Guarujá.

Debate entre Lula e Flávio tem propostas e troca de acusações
Lula e Flávio Bolsonaro participaram do último debate presidencial antes do segundo turno - Foto: Divulgação / TV Globo

Na discussão sobre o salário mínimo, Lula defendeu a política de valorização acima da inflação e afirmou que, sem os reajustes promovidos pelos governos petistas, o piso seria de R$ 900. Flávio prometeu aumentos acima da inflação e atribuiu o endividamento das famílias aos gastos públicos e ao custo de vida. Também declarou ser favorável à tarifa zero no transporte público aos fins de semana.

O agronegócio foi outro tema do primeiro bloco. Flávio criticou a burocracia e as dificuldades de acesso ao crédito rural e prometeu ampliar o uso de tecnologia no setor, além de firmar um pacto com governadores para combater o crime organizado nas fronteiras. Lula afirmou que sua gestão ampliou os recursos destinados à agricultura e as exportações brasileiras.

Os candidatos também divergiram sobre investimentos no Sul e no Norte. Flávio prometeu preservar a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e a Petrobras, reajustar aposentadorias acima da inflação e ampliar obras de saneamento e pavimentação. Lula criticou a proposta de cortes de gastos defendida pelo adversário e destacou ações de preservação ambiental, incluindo o Fundo Amazônia.

Ao tratar do Nordeste, Lula citou investimentos em institutos federais, indústria e mobilidade e questionou as realizações do governo de Jair Bolsonaro (PL) na região. Flávio respondeu mencionando a transposição do Rio São Francisco, o aumento de benefícios sociais durante a gestão anterior e a proposta de construir uma ferrovia na região.

Licença-maternidade, dívida pública e SUS

No segundo bloco, Lula questionou o voto de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade quando o senador era deputado estadual. Flávio reconheceu que mudou de posição após se casar e ter filhas. “Eu estava errado”, afirmou. “Hoje votaria completamente diferente”.

O presidente também cobrou explicações sobre expressões usadas pelo adversário durante a campanha, como “bolsa-farelo”, em referência ao Bolsa Família, e “nove dedos”, usada para se referir a Lula. Flávio pediu desculpas pela expressão. “Lula, se eu ofendi, eu te peço desculpas, não queria te ofender”, disse.

A discussão sobre o endividamento das famílias levou Flávio a defender uma proposta de renegociação de dívidas de pessoas físicas e empresas. Lula afirmou que seu governo já adotou iniciativas nessa área e questionou a proposta de ajuste fiscal do adversário, que chamou de “tesouraço”.

Na discussão sobre saúde, Lula questionou declarações de integrantes de um eventual governo Flávio sobre os recursos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). O senador respondeu que os cortes propostos atingiriam, segundo ele, a corrupção no governo. Flávio também acusou Lula de ter votado contra a implantação do SUS durante a Assembleia Constituinte. O presidente voltou a criticar a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo Bolsonaro.

Educação, apostas e segurança pública

No terceiro bloco, Flávio voltou a criticar o custo dos alimentos e o endividamento da população. O senador propôs transformar a Caixa em um “banco da prosperidade”, com crédito para famílias e empreendedores, e questionou as condições dos financiamentos habitacionais.

Lula defendeu novas medidas de renegociação de dívidas e afirmou que o governo pretende facilitar a retomada do consumo. Os dois também discutiram as apostas on-line. O presidente defendeu a proibição das bets, argumentando que a medida protegeria a renda das famílias. Flávio responsabilizou o governo pela expansão do setor e classificou a proposta de proibição como eleitoral.

Na educação, Lula defendeu os investimentos em universidades, institutos federais e escolas e prometeu ampliar o ensino em tempo integral até o ensino médio. Também mencionou a intenção de expandir o programa Pé-de-Meia para universitários.

Flávio afirmou que manterá o Pé-de-Meia e apresentou propostas de auxílio a famílias sem vagas em creches públicas, ampliação do ensino técnico e parcerias entre escolas e empresas. Também defendeu reforço em português e matemática e aulas de tecnologia e inteligência artificial.

A segurança pública provocou outro confronto. Lula questionou a atuação de Flávio na defesa de um policial militar acusado de matar Ana Clara, menina de cinco anos atingida por um disparo de fuzil em 2021. A mãe da criança acompanhou o debate. O senador prestou solidariedade à família e afirmou que não há provas de que o policial tenha cometido o crime.

Flávio defendeu penas mais duras para criminosos, castração química para estupradores e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. Lula propôs fortalecer as polícias e combater milícias e narcotráfico, além de acusar o adversário de proximidade com milicianos. Flávio negou as acusações.

Patrimônio e Banco Master marcam bloco livre

No quarto bloco, de tema livre, Lula questionou Flávio sobre uma disputa envolvendo uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, citada em uma denúncia atribuída ao jogador Richarlison. O presidente perguntou sobre a relação do senador com o advogado Willer Tomaz. Flávio negou envolvimento irregular e afirmou que a questão já havia sido decidida pela Justiça.

O senador, por sua vez, questionou Lula sobre um suposto presente de uísque recebido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O presidente negou ter recebido a bebida e questionou a relação de Flávio com o banqueiro.

Os candidatos também discutiram o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que o projeto recebeu investimentos privados e negou o uso de recursos públicos. Lula voltou a questionar a relação do adversário com Vorcaro.

A abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico também voltou ao centro do debate. Lula afirmou ter autorizado a divulgação de dados próprios e de familiares e cobrou que Flávio fizesse o mesmo. O senador respondeu que havia apresentado sua documentação e exigiu a divulgação de informações sobre familiares e pessoas próximas ao presidente.

Lula também questionou a origem dos recursos usados por Flávio na compra de uma casa avaliada em R$ 5,9 milhões. O senador afirmou que o dinheiro vinha de seu trabalho e citou sua atuação como advogado. Em seguida, Flávio levantou questionamentos sobre o patrimônio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e sobre a relação dele com pessoas próximas.

Nas considerações finais, Lula comparou os gastos com cartões corporativos de seu governo e da gestão Bolsonaro e voltou a associar o adversário às milícias. Flávio reiterou propostas para a segurança pública, a recuperação do poder de compra e o combate ao crime organizado.

O debate foi o último encontro entre os dois candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo 25.