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Eleições 2026

Cadu elogia Fátima, mas diz ter ‘DNA próprio’ e promete foco em emprego

Candidato defende legado de Fátima, mas afirma que terá estilo diferente, descarta aumento de impostos e prevê reenquadramento das contas estaduais em dois anos
Agora RN
16/10/2026 | 00:38

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira 15 que tem “DNA próprio” e que pretende imprimir uma orientação diferente à administração estadual, embora defenda a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), do qual participou durante sete anos e três meses.

O ex-secretário da Fazenda, que disputa o segundo turno contra Allyson (União), afirma que sua eventual gestão terá como focos a geração de emprego e renda, a aproximação com o setor privado e a recuperação da capacidade de investimento do Estado.

Cadu de Lula sentado em uma poltrona durante entrevista
Candidato ao Governo do RN Cadu de Lula buscou se diferenciar do estilo de Fátima Bezerra, sua madrinha política — Foto: Reprodução/InterTV RN

“Eu tenho um DNA próprio, eu tenho uma trajetória diferente de Fátima. Fátima tem uma ligação muito forte com o movimento sindical e deu a cara dela ao governo dela. A minha cara vai ser uma cara de desenvolvimento, geração de emprego, de renda, de redução das desigualdades sociais”, declarou.

Apesar disso, Cadu reforçou sua ligação com Fátima e elogiou a gestão que está terminando. “Nós temos vários avanços no governo da professora Fátima, do qual eu tenho muito orgulho de ter participado. Eu não tenho o hábito, como meu adversário, de esconder meus aliados, de quem está ao lado de mim. Pelo contrário, eu tenho orgulho de com quem eu caminho.”

O candidato do PT afirmou que pretende preservar a valorização dos servidores — que foi marca da gestão de Fátima — ao mesmo tempo que vai direcionar a administração às necessidades de quem depende dos serviços estaduais. “Nós vamos olhar para o serviço público cada vez mais sob a ótica de quem usa o serviço público”, disse, mencionando pacientes à espera de cirurgias e famílias com filhos nas escolas públicas.

O petista também reafirmou o orgulho de ter participado da gestão de Fátima e apresentou a honestidade como principal fundamento dessa identificação. “Eu tenho orgulho da honestidade de Fátima”, afirmou. Segundo ele, seu eventual governo ampliaria os avanços e enfrentaria os desafios que permanecem na saúde e na educação.

“Você pode não concordar com Fátima, mas você nunca viu Fátima com a Polícia Federal batendo na porta da casa dela por suspeita de desvios de recursos públicos. Nunca viu a Polícia Federal batendo na minha casa”, acrescentou o candidato.

Incentivos e licenciamento

Ao explicar como pretende estimular investimentos privados, Cadu apresentou quatro frentes: incentivos fiscais, licenciamento ambiental, infraestrutura e formação de mão de obra. Sustentou que a atualização da regra de benefícios tributários durante a gestão de Fátima — que gerou o Proedi — tornou o Estado mais competitivo. “Hoje as empresas não saem mais do Rio Grande do Norte para ir para outros estados devido a incentivos melhores”, afirmou.

O candidato prometeu reduzir a burocracia e acelerar a análise dos pedidos de licenciamento, preservando as exigências ambientais. “Nós vamos dar mais celeridade ao licenciamento ambiental do nosso estado. Isso é um compromisso nosso. Mas nós não vamos abrir mão dos cuidados com o meio ambiente”, declarou. Também defendeu maior autonomia para o órgão ambiental do Estado — o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) — e prometeu equipe com perfil técnico, honestidade e diálogo como critérios.

Mineração, energias renováveis, fruticultura, pesca e turismo foram apontados como atividades com potencial para ampliar a arrecadação e gerar oportunidades. Na infraestrutura, mencionou a duplicação da BR-304, a conectividade pelo aeroporto e o Porto-Indústria Verde. A proposta inclui conectar a educação às demandas desses setores. “A gente vai desenvolver, mas vai distribuir riqueza também ao nosso governo”, disse.

Contas públicas e impostos

Questionado sobre como financiar novas políticas diante das restrições orçamentárias, Cadu reconheceu que a situação fiscal continua desafiadora, mas afirmou que os indicadores melhoraram. Sua estratégia, explicou, combina expansão econômica e controle das despesas. “A gente precisa fazer com que a receita cresça num ritmo maior do que as despesas”, declarou.

O desafio aparece nos dados do Tesouro Nacional: no primeiro quadrimestre de 2026, a despesa com pessoal do Executivo potiguar atingiu 56,12% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite máximo de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Os números constam do Relatório de Gestão Fiscal em Foco, divulgado em junho.

Para a próxima gestão, Cadu comprometeu-se a cumprir a trava que limita o crescimento da despesa com pessoal a 80% do avanço da Receita Corrente Líquida. A regra está prevista na Lei Complementar Estadual nº 777/2025 e passará a valer integralmente a partir de 2027.

“Em dois anos, o Rio Grande do Norte vai voltar a estar dentro dos limites prudenciais da lei”, prometeu. A recuperação fiscal, acrescentou, abriria espaço para ampliar os investimentos.

O candidato descartou elevar impostos para executar suas propostas. “Nosso projeto não tem uma linha sequer sobre aumento de imposto”, respondeu. Ao ser confrontado com a defesa do reajuste da alíquota do ICMS durante sua passagem pela Fazenda, atribuiu a medida à redução da capacidade de arrecadação dos estados promovida pelo governo federal anterior, em 2022. Reiterou que pretende obter receitas adicionais com o crescimento da economia.

Relação com eventual governo Flávio

Cadu reafirmou que trabalha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse que manteria a atuação institucional se o adversário Flávio Bolsonaro (PL) vencer. Como referência, citou os quatro anos em que o governo Fátima conviveu com uma administração federal de outro campo político, a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Nós exercemos o papel institucional em todos os momentos”, afirmou.

O candidato também defendeu sua capacidade de negociação, citando a presidência do conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda (Comsefaz) e as articulações da reforma tributária. “Eu sou candidato do presidente Lula, eu defendo as bandeiras do presidente Lula, mas eu também tenho poder de diálogo com quem pensa diferente de mim”, declarou.

Educação: tempo integral e complemento ao Pé-de-Meia

Na educação, Cadu prometeu colocar todas as escolas estaduais em tempo integral, melhorar instalações e conectividade e complementar o programa Pé-de-Meia, do Governo Federal com R$ 50 mensais pagos pelo Estado por estudante beneficiado. Estimou o custo em R$ 4 milhões por mês, ou R$ 48 milhões anuais, e associou a medida à permanência dos jovens na escola.

A proposta foi acompanhada da promessa de colocar o RN entre os dez melhores resultados do Ideb até 2030. Segundo o Inep, o índice do ensino médio da rede pública no Estado passou de 3,2, em 2023, para 3,9, em 2025. O indicador combina desempenho em português e matemática com taxas de aprovação. “A gente vai investir cada vez mais na valorização das professoras e dos professores e também nas instalações físicas das nossas escolas”, afirmou.