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Sustentabilidade

Aeroporto de Natal reduz emissões em 56% e recebe certificação internacional

Terminal administrado pela Zurich Airport Brasil alcança nível 4 de programa global de gestão de carbono; concessionária investe R$ 24 milhões em usina solar para ampliar geração própria de energia
Agora RN
14/10/2026 | 23:40

O Aeroporto Internacional de Natal, em São Gonçalo do Amarante, reduziu em 56% suas emissões operacionais de gases de efeito estufa desde que passou a ser administrado pela Zurich Airport Brasil, em 2024. O resultado levou o terminal potiguar a conquistar o nível 4 do programa internacional Airport Carbon Accreditation (ACA), tornando-se o segundo aeroporto do Norte-Nordeste e o quinto do País a alcançar esse reconhecimento. A certificação ocorre em meio aos investimentos da concessionária para reduzir custos energéticos e ampliar o uso de fontes renováveis na infraestrutura aeroportuária.

As emissões contabilizadas pela administradora passaram de 1.668 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e), em 2024, para 738 toneladas em 2025. A redução de 930 toneladas foi obtida com a utilização de energia elétrica de origem 100% renovável, medidas de eficiência energética e melhorias nos sistemas de climatização. O resultado considera as emissões operacionais monitoradas pela concessionária, não abrangendo integralmente as emissões produzidas pelas aeronaves durante os voos.

Passageiros na sala de embarque do Aeroporto de Natal
Ao mesmo tempo em que ganha em sustentabilidade, aeroporto registra o maior crescimento do turismo — Foto: Alex Régis/Zurich Airport

A certificação coloca Natal no mesmo patamar dos aeroportos de Florianópolis, Vitória e Macaé, também administrados pela Zurich Airport Brasil. Com isso, a empresa tornou-se a única concessionária da América Latina com todos os seus quatro aeroportos certificados no nível 4 do programa. O reconhecimento é concedido após avaliação de indicadores ambientais e dos mecanismos adotados para reduzir as emissões de carbono.

O Airport Carbon Accreditation é desenvolvido pela Airports Council International (ACI) e possui sete níveis de certificação, organizados em uma escala de 1 a 5. O nível 4 exige que os aeroportos apresentem resultados na redução das emissões diretas, mantenham processos de monitoramento e envolvam empresas que atuam em suas instalações. Também requer um planejamento de longo prazo para a descarbonização, alinhado às metas climáticas internacionais.

No caso de Natal, a concessionária estabeleceu como objetivo alcançar emissões líquidas zero até 2040. A meta considera compromissos previstos no Acordo de Paris e recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Para obter o reconhecimento, o aeroporto passou por auditoria independente, conduzida por organismo acreditado, e por revisão técnica da ACI.

“Esse resultado é uma conquista de grande importância para o que queremos nos nossos aeroportos: operações eficientes, sustentáveis e surpreendentes. Em Natal, esse reconhecimento é ainda mais celebrado, uma vez que o Rio Grande do Norte é sabidamente um destino verde, sendo um grande produtor de energia limpa e renovável, além de contar com grandes ecossistemas e biodiversidade em seu território”, afirmou Ricardo Gesse, CEO da Zurich Airport Brasil.

A certificação também amplia a participação do aeroporto potiguar em um movimento de modernização da infraestrutura aérea. A redução do consumo energético e a substituição de equipamentos movidos a combustíveis fósseis são medidas utilizadas por administradoras aeroportuárias para diminuir emissões e despesas operacionais. No caso da Zurich, os investimentos fazem parte de um programa aplicado aos quatro terminais sob sua gestão no Brasil.

Para Rafael Echevarne, diretor-geral da ACI para América Latina e Caribe, o resultado demonstra a adoção de práticas de descarbonização em toda a operação da concessionária. “A certificação Nível 4 do Aeroporto de Natal reforça a liderança da Zurich Airport Brasil em sustentabilidade. Ter todos os quatro aeroportos sob sua gestão neste nível do Airport Carbon Accreditation é um resultado notável e demonstra um compromisso consistente com a descarbonização e com as metas climáticas globais”, declarou.

Equipamentos reduzem emissões das aeronaves

Uma das principais iniciativas adotadas no Aeroporto de Natal foi a instalação dos sistemas 400 Hertz e PCA (Pre-Conditioned Air), que fornecem eletricidade e climatização às aeronaves durante a permanência em solo. Os equipamentos permitem reduzir o acionamento das unidades auxiliares de potência, conhecidas como APUs, que utilizam combustível fóssil para manter sistemas elétricos e de ar-condicionado em funcionamento.

Os dispositivos começaram a operar em maio de 2025 e passaram a ser utilizados por todas as companhias aéreas que atendem ao terminal. Desde então, evitaram a emissão de 1.616 toneladas de monóxido de carbono (CO₂) equivalente, segundo levantamento da concessionária. Esse volume integra as chamadas emissões de escopo 3, associadas às atividades de empresas que fazem parte da cadeia operacional do aeroporto.

A redução corresponde, de acordo com estimativa apresentada pela Zurich Airport Brasil, ao potencial de absorção de carbono de aproximadamente 12,4 mil árvores da Mata Atlântica. A iniciativa permite diminuir o consumo de combustível das aeronaves estacionadas e amplia a participação da infraestrutura aeroportuária no processo de redução das emissões do transporte aéreo.

Usina solar terá investimento de R$ 24 milhões

O próximo projeto da Zurich Airport Brasil para o terminal potiguar é a conclusão de uma usina solar fotovoltaica, com investimento previsto de R$ 24 milhões. A planta deverá entrar em operação até o fim de 2026 e tem como objetivo tornar o Aeroporto de Natal um dos primeiros do País com autossuficiência energética. A geração própria permitirá reduzir a dependência do fornecimento externo de eletricidade e ampliar a utilização de fontes renováveis nas atividades aeroportuárias.

O empreendimento integra o planejamento de descarbonização da concessionária, que pretende alcançar emissões líquidas zero até 2040. Além dos benefícios ambientais, a geração de energia dentro do próprio complexo poderá contribuir para maior previsibilidade dos custos operacionais, embora a empresa não tenha informado a economia financeira estimada com a nova instalação.

A certificação obtida em Natal faz parte do programa global administrado pela Airports Council International, entidade que representa aproximadamente 2 mil aeroportos em mais de 170 países. Na América Latina e no Caribe, a organização reúne terminais responsáveis por cerca de 95% do tráfego aéreo regional. O reconhecimento avalia tanto a redução efetiva das emissões quanto os compromissos assumidos pelas administradoras para os próximos anos.