O Aeroporto Internacional de Natal, em São Gonçalo do Amarante, reduziu em 56% suas emissões operacionais de gases de efeito estufa desde que passou a ser administrado pela Zurich Airport Brasil, em 2024. O resultado levou o terminal potiguar a conquistar o nível 4 do programa internacional Airport Carbon Accreditation (ACA), tornando-se o segundo aeroporto do Norte-Nordeste e o quinto do País a alcançar esse reconhecimento. A certificação ocorre em meio aos investimentos da concessionária para reduzir custos energéticos e ampliar o uso de fontes renováveis na infraestrutura aeroportuária.
As emissões contabilizadas pela administradora passaram de 1.668 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e), em 2024, para 738 toneladas em 2025. A redução de 930 toneladas foi obtida com a utilização de energia elétrica de origem 100% renovável, medidas de eficiência energética e melhorias nos sistemas de climatização. O resultado considera as emissões operacionais monitoradas pela concessionária, não abrangendo integralmente as emissões produzidas pelas aeronaves durante os voos.

A certificação coloca Natal no mesmo patamar dos aeroportos de Florianópolis, Vitória e Macaé, também administrados pela Zurich Airport Brasil. Com isso, a empresa tornou-se a única concessionária da América Latina com todos os seus quatro aeroportos certificados no nível 4 do programa. O reconhecimento é concedido após avaliação de indicadores ambientais e dos mecanismos adotados para reduzir as emissões de carbono.
O Airport Carbon Accreditation é desenvolvido pela Airports Council International (ACI) e possui sete níveis de certificação, organizados em uma escala de 1 a 5. O nível 4 exige que os aeroportos apresentem resultados na redução das emissões diretas, mantenham processos de monitoramento e envolvam empresas que atuam em suas instalações. Também requer um planejamento de longo prazo para a descarbonização, alinhado às metas climáticas internacionais.
No caso de Natal, a concessionária estabeleceu como objetivo alcançar emissões líquidas zero até 2040. A meta considera compromissos previstos no Acordo de Paris e recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Para obter o reconhecimento, o aeroporto passou por auditoria independente, conduzida por organismo acreditado, e por revisão técnica da ACI.
“Esse resultado é uma conquista de grande importância para o que queremos nos nossos aeroportos: operações eficientes, sustentáveis e surpreendentes. Em Natal, esse reconhecimento é ainda mais celebrado, uma vez que o Rio Grande do Norte é sabidamente um destino verde, sendo um grande produtor de energia limpa e renovável, além de contar com grandes ecossistemas e biodiversidade em seu território”, afirmou Ricardo Gesse, CEO da Zurich Airport Brasil.
A certificação também amplia a participação do aeroporto potiguar em um movimento de modernização da infraestrutura aérea. A redução do consumo energético e a substituição de equipamentos movidos a combustíveis fósseis são medidas utilizadas por administradoras aeroportuárias para diminuir emissões e despesas operacionais. No caso da Zurich, os investimentos fazem parte de um programa aplicado aos quatro terminais sob sua gestão no Brasil.
Para Rafael Echevarne, diretor-geral da ACI para América Latina e Caribe, o resultado demonstra a adoção de práticas de descarbonização em toda a operação da concessionária. “A certificação Nível 4 do Aeroporto de Natal reforça a liderança da Zurich Airport Brasil em sustentabilidade. Ter todos os quatro aeroportos sob sua gestão neste nível do Airport Carbon Accreditation é um resultado notável e demonstra um compromisso consistente com a descarbonização e com as metas climáticas globais”, declarou.
Equipamentos reduzem emissões das aeronaves
Uma das principais iniciativas adotadas no Aeroporto de Natal foi a instalação dos sistemas 400 Hertz e PCA (Pre-Conditioned Air), que fornecem eletricidade e climatização às aeronaves durante a permanência em solo. Os equipamentos permitem reduzir o acionamento das unidades auxiliares de potência, conhecidas como APUs, que utilizam combustível fóssil para manter sistemas elétricos e de ar-condicionado em funcionamento.
Os dispositivos começaram a operar em maio de 2025 e passaram a ser utilizados por todas as companhias aéreas que atendem ao terminal. Desde então, evitaram a emissão de 1.616 toneladas de monóxido de carbono (CO₂) equivalente, segundo levantamento da concessionária. Esse volume integra as chamadas emissões de escopo 3, associadas às atividades de empresas que fazem parte da cadeia operacional do aeroporto.
A redução corresponde, de acordo com estimativa apresentada pela Zurich Airport Brasil, ao potencial de absorção de carbono de aproximadamente 12,4 mil árvores da Mata Atlântica. A iniciativa permite diminuir o consumo de combustível das aeronaves estacionadas e amplia a participação da infraestrutura aeroportuária no processo de redução das emissões do transporte aéreo.
Usina solar terá investimento de R$ 24 milhões
O próximo projeto da Zurich Airport Brasil para o terminal potiguar é a conclusão de uma usina solar fotovoltaica, com investimento previsto de R$ 24 milhões. A planta deverá entrar em operação até o fim de 2026 e tem como objetivo tornar o Aeroporto de Natal um dos primeiros do País com autossuficiência energética. A geração própria permitirá reduzir a dependência do fornecimento externo de eletricidade e ampliar a utilização de fontes renováveis nas atividades aeroportuárias.
O empreendimento integra o planejamento de descarbonização da concessionária, que pretende alcançar emissões líquidas zero até 2040. Além dos benefícios ambientais, a geração de energia dentro do próprio complexo poderá contribuir para maior previsibilidade dos custos operacionais, embora a empresa não tenha informado a economia financeira estimada com a nova instalação.
A certificação obtida em Natal faz parte do programa global administrado pela Airports Council International, entidade que representa aproximadamente 2 mil aeroportos em mais de 170 países. Na América Latina e no Caribe, a organização reúne terminais responsáveis por cerca de 95% do tráfego aéreo regional. O reconhecimento avalia tanto a redução efetiva das emissões quanto os compromissos assumidos pelas administradoras para os próximos anos.