O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, nesta quinta-feira 10, que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros é um “grande equívoco” e prejudica a relação comercial entre os dois países. O anúncio foi feito por Trump na quarta-feira 9, e atinge todas as exportações brasileiras aos EUA a partir de agosto.
Segundo Alckmin, os próprios dados norte-americanos mostram que os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil: foram US$ 7 bilhões em bens e US$ 18 bilhões em serviços no ano passado. “Dos 10 produtos que eles mais exportam para o Brasil, oito têm tarifa zero. Não pagam absolutamente nada para entrar no país”, destacou o ministro, após evento no Palácio do Planalto.

Alckmin também acusou a família Bolsonaro de ter atuado nos bastidores junto ao governo Trump para prejudicar a economia brasileira. “Antes era atentado à democracia, agora é um atentado à economia, prejudicando as empresas e os empregos. Mesmo fora do governo, continuam trabalhando contra o interesse brasileiro e do povo brasileiro”, criticou, relembrando a condução do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia e a tentativa de golpe em 2023.
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O vice-presidente disse acreditar que a medida norte-americana será revista e defendeu a continuidade do diálogo bilateral. Ele vinha conduzindo negociações comerciais diretamente com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. “O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo”, reforçou.
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Mais cedo, o presidente Lula (PT) anunciou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e criará um comitê emergencial com empresários exportadores. A aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, que prevê contramedidas tarifárias, também está sendo avaliada.