BUSCAR
BUSCAR
Investigação

Família rebate Polícia e contesta suspeita de que pai matou filho e tirou a própria vida

Advogada afirma que parentes acreditam na participação de outras pessoas e possuem elementos ainda não entregues à Polícia Civil
Agora RN
28/08/2026 | 22:37

A família de João Paulo Fernandes de Oliveira, de 37 anos, contesta a hipótese de que ele tenha matado o próprio filho, Vicente Rafael Lemos Fernandes de Oliveira, de 5 anos, e tirado a própria vida em seguida. Pai e filho foram encontrados mortos dentro de uma residência no Centro de Areia Branca, na segunda-feira 24.

A advogada Samanta Moraes, que representa os interesses dos parentes de João Paulo, afirmou que a família acredita que uma ou mais pessoas tenham entrado no imóvel e cometido os crimes. Segundo ela, existem elementos que ainda serão apresentados à Polícia Civil.

João Paulo Fernandes de Oliveira com o filho Vicente Rafael
Pai e filho foram encontrados mortos em uma casa no centro de Areia Branca — Reprodução

“Nós temos alguns elementos de prova que ainda não foram levados à Justiça nem ao inquérito policial. Eu não posso dar mais detalhes sobre isso”, declarou a advogada.

A versão apresentada pela família de João Paulo ainda não foi confirmada pela investigação. O inquérito permanece aberto, e novas pessoas deverão ser ouvidas.

A advogada afirmou que, para os parentes de João Paulo, ele pode ter aberto a porta da casa para alguém conhecido. A Polícia Civil não encontrou sinais de arrombamento no imóvel e investiga se uma terceira pessoa esteve no local.

“Que ele abriu a porta para alguém, ou mais de uma pessoa, e que essas pessoas foram as que cometeram o crime”, disse Samanta.

Segundo a representante da família, as informações sobre as pessoas consideradas suspeitas pelos parentes serão levadas à autoridade policial. A advogada pediu que não sejam apresentadas conclusões antes do encerramento da investigação. “Se ele fez, que seja provado que ele fez, nós não acreditamos. E, se tem realmente essas pessoas que estão na mira, que elas sejam responsabilizadas”, afirmou.

Vicente não morava permanentemente com João Paulo, mas passava determinados períodos com o pai. Segundo a polícia, a rotina era semelhante a uma guarda compartilhada. A criança também recebia cuidados das avós paterna e materna.

Samanta afirmou que João Paulo havia buscado judicialmente participar da rotina do filho depois da separação e acompanhava a vida escolar da criança.

“Era uma convivência sadia. Ele amava a criança. Ele participava de tudo. Ele tinha acesso ao boletim escolar, ele tinha acesso à vida da criança”, declarou.

A advogada também disse que João Paulo estava trabalhando e vivendo um período considerado estável pela família. Para os parentes, não haveria motivo conhecido que explicasse um homicídio seguido de suicídio.

Caso

Os corpos foram localizados em uma residência na Rua Padre Afonso Lopes, no Centro de Areia Branca. Pai e filho apresentavam ferimentos provocados por arma branca.

Vicente foi encontrado sobre uma cama, com sinais de violência e sangue pelo corpo. João Paulo estava debaixo do mesmo móvel.

A avó da criança foi até a casa e chamou pelos moradores. Como ninguém respondeu, ela entrou no imóvel, encontrou o neto e acionou a Polícia Militar.

“Ao chegar ao local, foi constatada uma criança aparentemente de 5 ou 6 anos, e havia muito sangue. Fizemos uma varredura no interior da residência e, após algum tempo, localizamos o pai da criança, que também estava em óbito, na parte de baixo da cama”, relatou o sargento Maciel, que participou da ocorrência.

A Polícia Civil apura como hipótese inicial um homicídio seguido de suicídio, mas informou que essa possibilidade ainda depende dos resultados das perícias e da coleta de outros elementos.

“Supostamente, trata-se de um homicídio seguido de um suicídio, mas isso é uma suposição. Os ferimentos são de faca, então a gente precisa agora apurar mais elementos para poder verificar como vai se dar”, afirmou a delegada Giulia Cavalcante após a localização dos corpos.

De acordo com a delegada, João Paulo era usuário de drogas. A mãe da criança, que estava separada dele havia algum tempo, encontra-se há cerca de cinco meses em tratamento em Mossoró. A polícia informou que somente os exames periciais poderão determinar se João Paulo estava sob o efeito de alguma substância no momento das mortes.

A suspeita inicial é de que as mortes tenham ocorrido durante a noite anterior à localização dos corpos. A Polícia Científica realizou a perícia na residência e recolheu materiais para análise.