Entraram na fase final as obras de requalificação e urbanização do entorno da lagoa de captação do Conjunto Santarém, na Zona Norte de Natal. De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), os serviços devem ser finalizados ainda em junho.
Orçada em R$ 4,5 milhões, a obra prevê o aumento da capacidade da lagoa, de 10 mil para 55 mil metros cúbicos. Além disso, novas bombas foram instaladas no local. Taludes foram adequados e uma nova estação elevatória foi construída.

O objetivo, de acordo com a Seinfra, é que a lagoa suporte volumes mais intensos de chuva, evitando transbordamento de água para propriedades no entorno.
A lagoa também está ganhando, em seu entorno, uma arena de grama sintética, uma ciclovia, pista de caminhada, pista de skate, mobiliário urbano, paisagismo e iluminação pública em LED.
A obra incluiu, ainda, a implantação de um novo sistema de drenagem na Rua Tarauacá, que sempre alagava em dias de chuva. “Desde que a obra foi finalizada, não registramos mais nenhum ponto de alagamento na região, mesmo em dias de chuva forte”, afirma a secretária da Seinfra, Shirley Cavalcanti.
A intervenção em Santarém integra um conjunto de ações preventivas realizadas pela Seinfra para enfrentar o período chuvoso de forma mais segura. A capital possui 82 lagoas de captação, sendo 11 classificadas como críticas com base em relatórios da Defesa Civil e da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). Dessas, sete localizadas na Zona Norte e quatro na Zona Oeste já passaram por limpeza completa. A seleção das prioridades foi feita com base em histórico de transbordamentos e risco direto a residências.
Além das limpezas preventivas, a Prefeitura também enfrenta um obstáculo recorrente: a presença de ligações clandestinas de esgoto em redes de drenagem. Essas ligações aumentam o volume de água nas lagoas mesmo fora do período chuvoso, fazendo com que elas operem frequentemente acima da capacidade. Isso agrava os riscos quando há chuva intensa. A maior parte desses casos ocorre em áreas onde o sistema de esgotamento sanitário ainda não está em operação, como na Zona Norte e Oeste. “Dependemos da ativação de estações de tratamento como a do Jaguaribe. Enquanto isso não acontecer, vamos continuar lidando com esse tipo de sobrecarga”, explicou Shirley.
Outro problema é o descarte irregular de lixo. Resíduos jogados nas ruas ou diretamente nas lagoas acabam obstruindo bocas de lobo e danificando bombas responsáveis pelo escoamento da água. “Tem gente que joga o lixo dentro da lagoa. Isso entope as tubulações, para as bombas e compromete todo o sistema”, disse. Segundo a secretária, esse comportamento, além de causar alagamentos, é enquadrado como crime ambiental e pode ser denunciado para fiscalização da Semurb, que realiza autuações com base nas denúncias.
Para mapear com precisão os problemas na rede de drenagem, a Seinfra tem utilizado robôs de vídeo monitoramento. Esses equipamentos percorrem o interior das tubulações para identificar entupimentos, fissuras e ligações clandestinas. Quando há obstrução, caminhões com hidrojato são acionados para desobstruir os pontos críticos. Casos de dano estrutural são encaminhados às equipes de reparo e, nos casos de esgoto irregular, os relatórios são enviados à semurb para aplicação de penalidades.
A secretária também comentou o andamento de projetos em outras áreas da cidade, como Ponta Negra e o Alecrim. Na orla da praia de Ponta Negra, o acúmulo de água em dias de chuva forte, os chamados espelhos d’água, está sendo tratado com um projeto complementar à drenagem já existente. Atualmente, 17 dissipadores estão em funcionamento, mas o volume gerado por chuvas acima de 40 milímetros, somado às ligações clandestinas, tem formado poças persistentes na areia. A Secretaria está desenvolvendo a chamada Etapa 2 da drenagem, que ainda passa por avaliações técnicas, estudos ambientais e processo de licenciamento. “Obras como essa não acontecem do dia para a noite. Exigem planejamento e responsabilidade”, afirmou.
No Alecrim, a Avenida Presidente Sarmento, conhecida como Avenida 4, também deverá passar por intervenção. O trecho sofre com alagamentos mesmo em chuvas moderadas e, segundo Shirley, o problema se deve à ausência de sistema de drenagem adequado e à falta de acesso às tubulações antigas, soterradas por imóveis construídos posteriormente. A Prefeitura já tem um projeto pronto e deve lançar a licitação da obra nos próximos dias.
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