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Festival

DoSol amplia programação e reforça atuação contínua na cena musical de Natal

Agenda mistura shows, residências e acesso democrático à música na Sede Cultural DoSol, em Lagoa Nova
Por O Correio de Hoje
13/04/2026 | 14:18

Em meio à consolidação como patrimônio cultural e imaterial do Rio Grande do Norte, o Festival DoSol amplia sua atuação em 2026 com uma agenda que combina celebração simbólica e ocupação contínua da cena musical em Natal.

A programação se organiza em ordem crescente ao longo de abril e maio e posiciona a Sede Cultural DoSol como um ponto ativo de circulação artística. Neste sábado 18, o projeto “Portas Abertas” abre a agenda com entrada gratuita e apresentações de Botoboy, Carol Porto, Tiquinha Rodrigues, Vagalumes do Mar e a banda paraibana Zepelim e o Sopro do Cão.

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Projeto “Portas Abertas” reúne artistas locais e convidados em programação gratuita na Sede Cultural DoSol, que fica em Lagoa Nova - Foto: Divulgação

Já em maio, a sequência começa no dia 2, com show do pernambucano Siba, desta vez em formato pago. No dia seguinte, 3 de maio, a partir das 16h, o “Portas Abertas” retorna ao formato gratuito com apresentações de Maria Liz, Sertão Sangrento, Jxvxns, Antiadore e Eliminadorzinho, reforçando a proposta de acesso democrático à música independente.

Entre os dias 5 e 8 de maio, a agenda se expande para a Residência Orquestra Greiosa, indicando uma ocupação que vai além dos shows e alcança também processos formativos e de experimentação artística dentro do espaço.

A cantora Maria Liz, aliás, chega ao palco em um momento de afirmação de sua trajetória autoral. Em entrevista à Revista Cultue, do Grupo Agora RN, a artista detalhou os primeiros passos na música e o processo de criação de seu single de estreia, “Flerte Tropical”, canção que sintetiza referências da sonoridade brasileira com elementos que transitam entre o acústico e o eletrônico.

Mesmo em início de carreira, Maria Liz já acumula apresentações na capital potiguar desde 2023. “Acho que a música transpassa o invisível, é colocar um som na vida, nas coisas que a gente sente”, disse. A presença da artista na programação dialoga com a proposta do DoSol de funcionar como plataforma de lançamento e circulação de novos nomes da cena independente.

O movimento ocorre pouco mais de um ano após o festival ser oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado, por meio da Lei nº 12.075, sancionada em fevereiro de 2025. O projeto foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa e sancionado pela governadora Fátima Bezerra, consolidando institucionalmente uma trajetória iniciada em 2001.

“Receber um título de Patrimônio Cultural do Estado é surreal. Eterniza em lei uma ideia utópica de valorização real do bem cultural potiguar. Nos sentimos felizes e empoderados para continuar esse legado daqui pra frente”, afirmou Ana Morena, idealizadora do festival.

Com mais de duas décadas de atuação, o DoSol já reuniu mais de 2 mil artistas e se consolidou como uma das principais plataformas de difusão da música independente no Nordeste. A estratégia atual, no entanto, aponta menos para a lógica de grandes eventos isolados e mais para a construção de uma rotina cultural permanente — um deslocamento que ganha forma na Sede Cultural DoSol, espaço multiuso inaugurado em 2022 no bairro de Lagoa Nova.

O local, com capacidade para cerca de 60 pessoas, reúne área de shows, jardim para atividades abertas e estrutura de produção cultural. A proposta, segundo os organizadores, é operar como laboratório contínuo para artistas e público. “Acho que o principal legado de um festival de música e cultura como o DoSol é o legado afetivo e de memória que o público vai acumulando ano após ano”, disse Anderson Foca, também idealizador do projeto.

A criação da sede responde a um vazio deixado pelo encerramento do antigo espaço na Ribeira, que funcionou por 15 anos na Rua Chile e se tornou referência para a música local. O fechamento, seguido pela pandemia, acelerou a necessidade de um novo formato. “Sentimos a necessidade de ter um espaço nosso”, resumiu Foca, ao explicar a busca por um modelo que equilibrasse sustentabilidade e acesso.

A escolha por um espaço menor também revela uma estratégia de longo prazo. Em vez de apostar em grandes plateias, a sede privilegia a experimentação e o crescimento gradual dos artistas. A lógica, segundo os organizadores, permite testar formatos, formar público e manter a cena ativa mesmo fora dos grandes festivais.

Nesse contexto, o “Portas Abertas” funciona como síntese da proposta: programação gratuita, diversidade estética e circulação de artistas locais e de fora do estado. Mais do que um evento, o projeto reforça a ideia de que a cultura se constrói no cotidiano — um princípio que, reconhecido por lei, ganha também novas camadas de permanência e visibilidade.

Serviço

18 de abril (sábado)
Evento: Portas Abertas – Sede Cultural DoSol
Horário: A partir das 16h
Entrada: Gratuita (sujeita à lotação)
Atrações: Botoboy, Carol Porto, Tiquinha Rodrigues, Vagalumes do Mar e Zepelim e o Sopro do Cão (PB)

2 de maio (sábado)
Evento: Show de Siba
Entrada: Paga (ingressos à venda online)

3 de maio (domingo)
Evento: Portas Abertas – Sede Cultural DoSol
Horário: A partir das 16h
Entrada: Gratuita (sujeita à lotação)
Atrações: Maria Liz, Sertão Sangrento, Jxvxns, Antiadore e Eliminadorzinho

De 5 a 8 de maio
Evento: Residência Orquestra Greiosa

Local: Sede Cultural DoSol – Lagoa Nova, Natal (RN)