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Oriente Médio

Israel e Hezbollah anunciam trégua

Cessar-fogo mediado por Estados Unidos e Catar entra em vigor após escalada de confrontos no sul do Líbano e deixa impasse sobre presença militar israelense na região
Por O Correio de Hoje
22/06/2026 | 13:54

Israel e o Hezbollah concordaram com um novo cessar-fogo que entrou em vigor às 16h da última sexta-feira 19, no horário local do Líbano, equivalente às 10h em Brasília. O acordo foi negociado por representantes dos Estados Unidos e do Catar, com apoio do Irã, segundo informou à agência Reuters um alto funcionário do governo norte-americano sob condição de anonimato.

A trégua foi anunciada poucas horas após uma das mais intensas escaladas militares registradas desde o acordo de paz firmado entre Washington e Teerã no início da semana. Segundo a fonte ouvida pela Reuters, as partes concordaram em interromper as hostilidades após novos confrontos ocorridos ao longo do dia. “O Hezbollah e Israel concordaram com um cessar-fogo. Entendemos que, após a troca de tiros ocorrida hoje, Israel e o Hezbollah estão agora em cessar-fogo”, afirmou.

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Um dos últimos bombardeios de Israel ao sul do Líbano, embora o Exército israelense destruirá instalações subterrâneas - Foto: Reprodução / internet

Fontes ligadas ao Hezbollah disseram à Reuters que o grupo libanês passou a cumprir imediatamente os termos do entendimento. “Assim que recebemos a notícia do cessar-fogo, o aplicamos do nosso lado”, declarou uma das fontes. O Exército israelense também indicou disposição para respeitar o acordo, embora tenha ressaltado que manterá liberdade operacional diante de eventuais ameaças. “Estamos em cessar-fogo. Se o Hezbollah não nos atacar, então não estamos em tempo de guerra”, afirmou um alto integrante do governo israelense.

O anúncio ocorreu após Israel informar que realizou ataques contra mais de 80 alvos no Líbano, incluindo centros de comando, posições de lançamento de foguetes e estruturas atribuídas ao Hezbollah. As Forças de Defesa de Israel (FDI) classificaram a ofensiva como uma resposta às sucessivas violações do cessar-fogo por parte do grupo extremista. Segundo os militares, também foram atingidos dois centros de comando no Vale do Beqaa utilizados por integrantes da organização.

O Ministério da Saúde do Líbano informou que os bombardeios da última sexta-feira 19 deixaram ao menos 47 mortos e 97 feridos. Horas antes dos ataques, as Forças Armadas israelenses haviam confirmado a morte de quatro oficiais em combates no sul do país e informado que outros quatro militares ficaram feridos em um ataque com drone atribuído ao Hezbollah.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, lamentou as mortes dos soldados e reafirmou que o país continuará reagindo a qualquer ação considerada hostil. Em mensagem publicada na rede social X, o premiê declarou que Israel “não tolerará ataques às suas tropas ou ao seu território” e prometeu impor “um preço muito elevado” ao Hezbollah caso novos confrontos ocorram.

Apesar do cessar-fogo, permanece indefinida a situação das tropas israelenses posicionadas no sul do Líbano. O governo de Israel tem insistido na manutenção de uma chamada Zona de Segurança, faixa territorial situada a aproximadamente 10 quilômetros da fronteira e considerada estratégica para a proteção das comunidades do norte israelense. Nesta semana, autoridades do país divulgaram mapas indicando a intenção de manter presença militar na área.

O tema tem sido um dos principais pontos de divergência entre Israel e os Estados Unidos. O acordo firmado entre Washington e Teerã prevê o encerramento das operações militares em todas as frentes ligadas ao conflito e exige respeito à soberania e à integridade territorial do Líbano. Netanyahu, entretanto, resiste aos pedidos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para retirar as tropas da região.

Segundo autoridades israelenses ouvidas pela Reuters, as negociações entre os dois aliados seguem em andamento e são consideradas difíceis. Integrantes do governo de Israel avaliam que o acordo patrocinado pelos Estados Unidos não atende plenamente às preocupações do país em relação à segurança regional e ao programa nuclear iraniano.

As divergências também provocaram atritos públicos entre Trump e Netanyahu. Na última semana, o presidente norte-americano revelou ter mantido uma conversa tensa com o premiê israelense e criticou os bombardeios realizados em áreas residenciais de Beirute. Trump afirmou que a destruição de edifícios inteiros para combater integrantes do Hezbollah não era necessária e chegou a sugerir maior participação da Síria no enfrentamento ao grupo extremista.

Embora o cessar-fogo represente uma redução imediata da violência, analistas avaliam que a permanência das tropas israelenses em território libanês e as divergências sobre os termos do acordo de paz continuam sendo fatores de instabilidade para a região. A implementação efetiva da trégua dependerá do compromisso das partes em evitar novas ações militares e do avanço das negociações diplomáticas conduzidas pelos Estados Unidos, Catar e Irã.