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Orgulho LGBT
Educação não sexista é importante para combater homofobia, diz CRP-RN
Dia do Orgulho LGBT é celebrado no próximo domingo, dia 28.
Redação
25/06/2020 | 11:56

No mês em que se comemora o Dia do Orgulho LGBT (celebrado no próximo domingo, dia 28), o Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Norte (CRP-RN) alerta sobre a importância de introduzir o debate sobre a educação não sexista para combater a homofobia desde a infância.

De acordo com a entidade, a educação sem sexismo, principalmente, com abordagem da educação sexual nas escolas, poderia ser usada como uma importante política de transformação da sociedade e de proteção social de populações vulneráveis como mulheres e a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais).

A educação não sexista tem como objetivo promover a igualdade entre homens e mulheres, combatendo a discriminação que leva em consideração o sexo biológico. “Introduzir o debate sobre o direito dos LGBTs é fundamental para que as crianças aprendam, desde cedo, que é preciso respeitar as diferenças, independente se a pessoa considerada ‘diferente’ integra o seu cotidiano ou não. Isso ajuda que elas aprendam a lidar com o diverso”, explica Rafael Gonçalves, psicólogo conselheiro e pós-graduando em psicopedagogia.

O psicólogo explica que os impactos psicológicos em pessoas que sofrem com discriminação e preconceito de gênero são para a vida toda e que, muitas vezes, começam como bullying, ainda na infância. “O bullying que acontece na escola na verdade tem nome: é homofobia, é transfobia, e tem suas raízes no machismo”, diz.

“É importante lembrar que as pessoas que são discriminadas pela orientação Sexual podem desenvolver baixa autoestima, além de sofrer no desgastante processo de se encaixar em estereótipos aceitos pela sociedade”, enfatiza.

Segundo Rafael, a sociedade tende a respeitar apenas pessoas com características físicas e comportamentais relacionadas a um padrão heteronormativo, que é machista e sexista. “O homem gay é respeitado, em grande parte, quando se comporta como homem heteronormativo. Um gay que se aproxima mais da figura feminina sofre ainda mais preconceito. Isso também afeta diretamente a vida de pessoas trans”, diz.

Estatísticas

Segundo dados do serviço Disque 100 do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) em 2018, 70% das quase 2 mil denúncias de violência à comunidade LGBT foram por discriminação, seguida de violência psicológica com 47,95% e por último a violência física com 27,48%. A maioria dos atingidos são gays e transexuais entre 18 a 30 anos.

Ainda segundo a pasta, a maioria dos agressores são heterossexuais.  Dos lugares onde as violações ocorrem, a rua e a própria casa das vítimas são os mais ameaçadores, o que diante da pandemia deixam as vítimas mais vulneráveis a sofrerem violência física e psicológica.

O psicólogo defende que o Estado precisa pensar em políticas públicas que protejam a vida e a garantam os direitos dessa população, incluindo oportunidades de emprego e renda.

“Há estatísticas que indicam que a cada 24 horas morre uma pessoa LGBT no Brasil. As mulheres trans são as maiores vítimas de preconceito e homicídio no país sendo o Brasil o país que mais mata travestis e transexuais no mundo.”, alerta.“O silenciamento dessa existência acontece, inclusive, quando estão em busca de emprego e não conseguem por serem vistas como estranhas, configurando assim, transfobia no mercado de trabalho”.

Estado precisa pensar em políticas públicas que protejam a vida e a garantam os direitos dessa população, defende Rafael Gonçalves, psicólogo conselheiro. Foto: Reprodução/CRP-N

O psicólogo explica que as pessoas que integram a comunidade LGBT lutam pelo direito de existir assim como elas são e como elas querem ser em sociedade. “Elas não precisam de consentimento para existir, mas de respeito”, finaliza.

Derrubada da ‘’Cura Gay’

Há um mês uma ação popular e política  chamada de “Cura gay” que solicitava práticas de reversão sexual  foi definitivamente derrubada no Supremo Tribunal Federal (STF) e manteve a resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que assegura a garantia de atendimento psicológico a pessoas independente da orientação sexual, sendo expressamente proibido por parte dos psicólogos o discurso da patologização, o uso de terapias de reversão sexual ou de discriminação contra homossexuais.

Desde 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Há dois anos, o órgão também desclassificou a transexualidade como doença mental. O CFP reforça que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão.

Em junho do ano passado, o STF tornou a homofobia e a transfobia crimes inafiançáveis e imprescritíveis, o que pode levar os agressores a pagarem pena de até 3 anos de prisão.

*Com informações do CRP-RN

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