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Fórmula 1

F1: Bortoleto explica falha nas largadas

Piloto brasileiro afirma que problema está ligado ao conjunto motriz e exige desenvolvimento de longo prazo
Por O Correio de Hoje
22/07/2026 | 16:44

A dificuldade da Audi nas largadas, um dos principais problemas enfrentados pela equipe em sua temporada de estreia na Fórmula 1, está ligada a limitações técnicas do conjunto motriz e não apenas à execução dos pilotos. A avaliação é do brasileiro Gabriel Bortoleto, que detalhou o funcionamento do sistema em entrevista ao podcast Na Ponta dos Dedos, do ge.

Segundo o piloto, mesmo quando realiza um procedimento considerado perfeito, o desempenho inicial do carro ainda fica abaixo do apresentado por equipes rivais diretas, como Alpine e Racing Bulls. A limitação compromete a disputa por posições logo nos primeiros metros das corridas e tem impactado diretamente os resultados da escuderia alemã em 2026.

Bortoleto
Gabriel Bortoleto afirma que a solução depende de um longo processo de desenvolvimento para tornar o carro mais competitivo

O principal fator, de acordo com Bortoleto, está no turbocompressor utilizado pela Audi. Diferentemente das unidades de potência desenvolvidas por fabricantes como Ferrari e Mercedes, o conjunto da equipe alemã utiliza um turbo de maiores dimensões, característica que restringe a forma como o motor pode ser utilizado durante a largada.

“Mesmo que a gente faça a largada perfeita, talvez seja uma largada mediana até para as equipes disputando com a gente, as Alpines, Racing Bulls”, afirmou.

Desde as mudanças promovidas pela Fórmula 1 para tornar o procedimento de largada menos automatizado e ampliar a participação do piloto no controle da embreagem e da aceleração, diferenças de comportamento entre os motores passaram a ter influência ainda maior sobre o desempenho na saída dos boxes.

Na avaliação do brasileiro, os motores equipados com unidades Ferrari e Mercedes conseguem reduzir muito mais a rotação antes da liberação da embreagem sem perder pressão no turbocompressor, permitindo uma aceleração mais eficiente.

“Você consegue ouvir quando assiste à Ferrari, ou aos motores da Mercedes, eles conseguem soltar a embreagem até mais agressivos do que a gente. Conseguem abaixar bastante o giro do motor. Na hora que ele sobe de giro, talvez o tamanho do turbo deles ajude e permita a eles descerem tanto de giro e depois subir, sem perder a pressão do turbo. E os caras disparam na largada”, explicou.

No caso da Audi, acrescenta, o motor precisa manter rotações mais elevadas para evitar apagões. “Se desce mais do que isso, o motor literalmente morre”, resumiu.

Embora a equipe tenha conseguido reduzir parcialmente o problema nas últimas etapas, os efeitos ainda aparecem nas estatísticas da temporada. Somando corridas principais e sprints, Bortoleto já perdeu 17 posições nas largadas em 2026.

O piloto avalia que a solução definitiva exigirá mudanças estruturais no desenvolvimento do motor, processo limitado pelo teto orçamentário imposto pela Fórmula 1.

“É uma limitação que a gente tem e que tem tentado trabalhar em volta, até conseguir uma solução definitiva, mas que não é algo rápido. É um desenvolvimento de motor, demora um tempo e provavelmente nem vai ser para esse ano. Tem que ter paciência, a gente tem que tentar tirar tudo que consegue do procedimento atual. Para o futuro, tentar trazer uma evolução grande para tentar ser um dos melhores na largada. Mas isso leva tempo, desenvolvimento, dinheiro… são muitos outros fatores”, concluiu.