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Amor & Dinheiro

RN tem 962 mulheres inscritas em site para serem bancadas por homens ricos

Site de relacionamentos brasileiro promete conectar mulheres a homens ricos; site já tem 240 'sugar daddies' dispostos a patrocinar gastos de jovens interessadas
Redação
24/02/2018 | 18:55

A velha máxima de “casar por dinheiro” ganhou uma nova roupagem com a evolução das redes sociais. É crescente a onda de mulheres, das mais diversas idades, que utilizam programas ou aplicativos para iniciar relacionamento com homens ricos dispostos a pagar atividades educacionais, viagens, roupas ou – pequenos e grandes – luxos.

A ideia é de que um homem pode investir livremente em uma jovem em troca de companhia ou intimidade – a partir de acordos contratuais pré-estabelecidos.

RN tem 962 mulheres inscritas em site para serem bancadas por homens ricos - Agora RN

No Rio Grande do Norte, o site “Meu Patrocínio” contabiliza 240 homens dispostos a financiar custos femininos e um total de 962 mulheres esperando “uma vida mais próspera”.

De acordo com o site, os financiadores são chamados de “Sugar Daddy”  (pai de açúcar, em tradução literal). A mulher bancada financeiramente recebe a nomenclatura as “Sugar Baby”. Os estrangeirismos derivam da origem do serviço, os Estados Unidos, onde o mecanismo já acontece há quase dez anos.

Permeada por polêmicas, como ser, no fim das contas, uma espécie de ‘prostituição velada’, a empresa tenta se desvincular da imagem de “meretrício moderno”. O cadastro no serviço diz que uma “Sugar Baby é aquela mulher que quer encontrar homens financeiramente estáveis que podem proporcionar o estilo de vida que ela deseja”.

A ideia é de que financiadores e financiadas possam, a partir do serviço, engatar relacionamentos duradouros – sejam pagos ou não – com as participantes do aplicativo. Os potiguares que bancam as meninas possuem uma renda mensal de RS 20 mil.

Há “sugar daddies” que relataram ter renda acima de R$ 100 mil. Em média, eles chegam a dispor entre 10% a 20% dos rendimentos para bancar pedidos de uma “Sugar Baby”.

Formada em licenciatura em matemática, a gaúcha Debora*, 24, está desempregada há seis meses. Atualmente, ela dá aulas particulares. “Essa atividade sempre foi um meio de ganhar dinheiro extra e hoje é minha única renda. Estou à procura de um homem para me oferecer alguma ajuda financeira”, diz ela.

No Rio Grande do Norte, o perfil de mulheres interessadas no serviço é formado por jovens que cursam graduação superior, com idade entre 18 e 30 anos e que, hoje, estão desempregadas.

Segundo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (Ibge), da população de 18 e 24 anos no Rio Grande do Norte, entre outubro e dezembro de 2017, 26% não estavam trabalhando no período pesquisado.

Em todo o país, o site contabiliza 27 mil usuários cadastrados. Dentre os estados com maior número mulheres inscritas, estão São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Para entrar na rede, é preciso preencher um cadastro com as preferências e, no caso dos homens, revelar a renda mensal e o tamanho do patrimônio. Já a mulher precisa passar por um minucioso catálogo de informações pessoais – fotos e preferências. As duas partes têm o perfil analisado de forma minuciosa e, só depois da confirmação de todos os dados, as páginas pessoais são publicadas no site.

Os patrocinadores só têm acesso ao perfil das candidatas após desembolsar R$ 199. O objetivo é preservar a identidade dos envolvidos. Além disso, a negociação entre as partes envolvidas também sigilosa. A empresa monitora as conversas dos usuários para coibir o uso indevido do aplicativo. Segundo o site, o objetivo é ajudar “homens e mulheres que buscam relacionamentos de benefício mútuo”.

Investigação 

Na Bahia, a Comissão de Direito das Mulheres da Assembleia Legislativa decidiu denunciar o site “Meu Patrocínio” ao Ministério Público Estadual (MPBA). De acordo com a denúncia, o site promove a mulher como “coisa descartável ou mercadoria”.

*Nome fictício para preservar a identidade