Entrevista
“Governadora falhou ao não assumir a linha de frente”, afirma Sávio Hackradt
Apresentador do programa “Sem Amarras”, da 97 FM, e ex-chefe da Casa Civil da Prefeitura do Natal (na gestão Carlos Eduardo), jornalista analisa cenário político local e nacional e como os governos enfrentam o desafio que é a pandemia do novo coronavírus
Por Redação - Publicado em 29/06/2020 às 05:00
José Aldenir/Agora RN
Jornalista Sávio Hackradt
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O jornalista Sávio Hackradt, apresentador do programa “Sem Amarras”, da Rádio Agora FM (97,9), avalia que a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, “passou a ideia de que se omitiu” no combate ao novo coronavírus ao ter terceirizado a gestão da pandemia aos seus auxiliares.
Nesta entrevista ao Agora RN, o ex-chefe da Casa Civil da Prefeitura do Natal (na gestão Carlos Eduardo Alves) faz uma análise do cenário político local e nacional e fala sobre suas impressões para o pós-pandemia.

Confira:

AGORA RN - A imprensa tem sido constante alvo de ataques, sobretudo após a ascensão do governo Jair Bolsonaro. Você enxerga ameaça à atividade profissional exercida pelos jornalistas?

SÁVIO HACKRADT - A profissão de jornalista está sempre sob ameaça. Nenhum governo gosta de ser investigado e ver seus podres nas páginas dos jornais e revistas, nos noticiários de rádios e televisões. O presidente Bolsonaro acha que pode tudo e estimula seus seguidores no ataque a jornalistas. Primeiro, ele não pode tudo, e, segundo, os ataques dele e de seus seguidores não intimidam os verdadeiros jornalistas. Imagina se não houvesse a imprensa para denunciar os governos como seria a nossa sociedade. A imprensa é um grande instrumento que a sociedade tem para se proteger dos governos. E a imprensa brasileira tem cumprido esse papel.

AGORA - Qual é a sua análise em relação ao atual momento político do País? Vê riscos de quebra da normalidade democrática?

SH - Bolsonaro, se pudesse, fechava o Congresso e o STF para governar sozinho como um autocrata. Só não faz porque não pode. Mas sonha. E tem um pequeno grupo que o cerca que pensa em dar um autogolpe 24 horas do dia. Orientado pelo “guru” Olavo de Carvalho, esse grupo bolsonarista sonha em ocupar e aparelhar as estruturas do Estado e tomar o controle. Com um governante como Bolsonaro, o risco vai sempre existir.

AGORA - Qual é sua análise geral em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro? E especificamente quanto ao enfrentamento da pandemia?

SH - Um governo medíocre do ponto de vista geral. Qual o rumo do País? O que o ministro da Economia, Paulo Guedes, diz? O “Posto Ipiranga” abastece o País com quais programas, no sentido da industrialização, da infraestrutura, do comércio externo, do resgate de milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da miséria e na linha da miséria? O ministro Guedes só fala para e com o mercado financeiro, que vive da especulação. Aliás, a origem dele é o mercado financeiro. Quanto a pandemia, Bolsonaro é simplesmente um irresponsável e o maior responsável por essa tragédia de mortes pelo Covid-19.

AGORA - O RN conseguiu emplacar dois ministros no governo Bolsonaro: Fábio Faria e Rogério Marinho. Você considera que isso poderá representar efetivamente benefícios para o Estado?

SH - Não creio em muitas coisas boas para o RN só por essa condição de ter dois potiguares ministros. Mas, vamos aguardar e dar tempo ao tempo. A história nos dirá o resultado efetivo para os norte-rio-grandenses do trabalho dos dois ministros.

AGORA - Como está o desempenho da gestão da governadora Fátima Bezerra, em sua avaliação? No geral e em relação ao enfrentamento da pandemia.

SH - No geral, é um governo sem criatividade. Se você pegar a história recente do RN, de 1950 para cá, vai ver que só tivemos dois governos que inovaram do ponto de vista de mudanças mais profundas no Estado. Aluízio Alves, na década de 1960, e Cortez Pereira, na década de 1970. No mais, os governos, nesses mais de 60 anos, foram o mais do mesmo. O RN precisa de um projeto de desenvolvimento arrojado para entrar no século XXI, no novo milênio. Continuamos em meados do século passado. Sobre a pandemia, acho que o Governo do Estado faz o que está ao seu alcance, no seu limite, com um presidente da República negacionista atrapalhando todos os governos.

AGORA - Pela primeira vez desde o início da pandemia, a governadora participou na semana passada da coletiva de imprensa diária sobre a Covid-19. Na sua opinião, Fátima Bezerra tem sido omissa até aqui na atual crise?

SH - A governadora falhou ao não assumir a linha de frente no combate à pandemia. Desde o primeiro momento, era para ela estar à frente, mesmo sendo uma pessoa de risco. O governo não tinha como protegê-la? Claro que é possível criar barreiras de proteção para o governante. Passou a ideia de que se omitiu.

AGORA - Em Natal, o prefeito Álvaro Dias é o favorito para vencer as próximas eleições municipais?

SH - Não vejo favorito na eleição de Natal. Álvaro é quem tem mais intenção de votos, mas não passa de 30%. Isso não o classifica como favorito. Sem oposição, sem os concorrentes postos na disputa, falando sozinho todos os dias, e não rompe os 30%. Então, tem alguma coisa aí que não é boa para o prefeito.

AGORA - Como gestor público que já foi, em sua opinião, qual deve ser a estratégia dos gestores para conseguir governar no pós-pandemia, considerando o cenário de terra arrasada que se avizinha?

SH - Essa é uma pergunta para gênio responder. Até agora não vi, não ouvi e nem li nada que me convencesse de como será o pós-pandemia. Tudo que observei são especulações, especialmente de economistas. O que imagino é que o público e o privado vão ter que caminhar mais juntos.

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