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Jogos eletrônicos

Lula regulamenta setor de games e anuncia crédito, cursos e plataforma nacional

Decreto amplia acesso dos produtores a incentivos culturais; pacote prevê formação profissional e catálogo público para divulgar jogos brasileiros
Agora RN
14/10/2026 | 16:48

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira 14 o decreto que regulamenta o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos. A medida estabelece diretrizes para incentivar a produção brasileira, ampliar o financiamento e formar profissionais para uma indústria que vai além do entretenimento.

O pacote anunciado pelo governo inclui uma plataforma pública para divulgar jogos nacionais, novos cursos universitários e iniciativas de apoio a empresas. Parte das mudanças nas condições de crédito ainda será submetida à aprovação do comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

Lula sentado diante de monitores, segurando um controle de videogame, acompanhado por participantes do evento no Palácio do Planalto
Lula experimenta jogo durante o evento de regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, nesta quarta-feira 14, no Palácio do Planalto — Foto: Ricardo Stuckert

A regulamentação consolida o reconhecimento dos games como produtos culturais e obras audiovisuais interativas. Com isso, os desenvolvedores poderão acessar mecanismos de fomento, conforme as regras de cada programa, para financiar a criação e a comercialização de seus projetos.

“Game é cultura, game é audiovisual”, afirmou a ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante a cerimônia.

Segundo a ministra, o Brasil reúne cerca de 115 milhões de jogadores e movimenta entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões por ano nesse mercado. A intenção do governo é ampliar a participação do país na produção e na exportação de jogos, além do consumo de títulos desenvolvidos no exterior.

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Entre as novidades está o Game Brasil, uma plataforma pública e gratuita destinada a catalogar, divulgar e promover produções nacionais. O serviço deverá informar onde os jogos estão disponíveis. O investimento inicial previsto é de R$ 1,4 milhão.

Para apoiar empresas, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou uma chamada pública da Finep de R$ 200 milhões, voltada ao desenvolvimento de jogos e soluções digitais inovadoras.

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) também apresentará uma proposta para reduzir o valor mínimo dos empréstimos do FSA para empresas brasileiras de games, de R$ 500 mil para R$ 150 mil. Os juros propostos passariam de Taxa Referencial (TR) mais 2% para TR mais 0,5% ao ano.

Essas condições ainda dependem de aprovação. Os R$ 460 milhões previstos em crédito pelo FSA para 2026 atendem à indústria audiovisual, incluindo jogos eletrônicos, e não representam uma verba exclusiva para games.

Na formação profissional, o Ministério da Educação prevê cursos de graduação na área em cinco universidades federais, contemplando as cinco regiões do país. Foram pactuadas 230 vagas. O anúncio também inclui ações de qualificação do Ministério da Cultura.

O marco legal foi instituído pela Lei nº 14.852, de 2024. A legislação abrange jogos para computadores, consoles, celulares e plataformas on-line, inclusive aplicações de realidade virtual e aumentada.

A lei já estabelece diretrizes de proteção de crianças e adolescentes. Entre elas estão mecanismos de supervisão pelos responsáveis e salvaguardas para jogos que permitem comunicação entre usuários. A regulamentação anunciada agora também busca integrar o setor a políticas de educação, saúde e acessibilidade.

Apostas esportivas, jogos de azar e modalidades de apostas com premiação em ativos reais ou virtuais estão fora do enquadramento do marco legal e não podem receber os benefícios previstos nessa lei.