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Turismo
Crescimento do turismo regional leva oxigênio à hotelaria potiguar
Com boa parte da frota aérea ainda no chão por causa da pandemia do novo coronavírus, turistas sobre quatro rodas movimentam a economia potiguar
Marcelo Hollanda
12/09/2020 | 06:32

Sem dinheiro para promoção e divulgação do destino e com uma histórica falta de equipamentos turísticos, o Rio Grande do Norte começou pelo interior a emitir os primeiros acordes de recuperação em meio à épica pandemia do novo coronavírus.

Noticiada pela imprensa nacional como “aglomeração” no feriadão da Independência, caso de Pipa, o sinal de que o paciente ainda vive depois de mais de cinco meses de distanciamento social não deixa de ser um começo para esse tão aguardado retorno.

“Ele tenderá inicialmente a se repetir nos fins de semana com os turistas chegando aos seus locais preferidos sobre quatro rodas”, resume o hoteleiro José Odécio Rodrigues Júnior, presidente da Associação da Indústria Hoteleira no RN (ABIH).

Poderiam chegar de distancias de até 500 ou 600 quilômetros, mas a verdade que os pontos de origem, na sua grande maioria, é a metade disso.

Ou menos ainda. São de deslocamentos dentro dos limites territoriais do estado ou da Paraíba. Um ou outro de Pernambuco e do Ceará, mas a grande maioria potiguares mesmo, especialmente de Natal.

Nada mal para uma indústria até outro dia aterrorizada por uma pandemia paralisante, mas que já vinha sendo relegada historicamente pelas administrações estaduais, especialmente o da ex-governadora Rosalba Ciarlini, uma espécie de unanimidade negativa entre os empresários do “trade” turístico local.

Depois de uma gestão considerada mais proficiente por parte do governador Robinson Faria e com medidas importantes da gestão Fátima Bezerra, que zerou o ICMS do querosene de aviação e deve renovar o desconto do mesmo tributo sobre a energia elétrica do setor hoteleiro até o final de 2021, convenhamos, há mais boas notícias do que más no ar.

“Primeiro com o turismo eminentemente regional, de curtas distâncias, depois com o restabelecimento progressivo dos voos, trazendo visitantes de outras regiões do país, penso que a retomada é real”, confirma o presidente da Associação dos Hoteleiros de Tibau do Sul e Pipa (Ashtep), Wanderson Borges.

O famoso destino potiguar, desde as priscas eras dos anos 70 e 80, Pipa desta vez não foi apenas um ponto luminoso a brilhar no mapa do elefante, garante ele.

São Miguel do Gostoso, Galinhos, outros destinos praianos, além dos serranos, também se encheram de vida nos últimos fins de semana, sob rigorosa vigilância biossanitária dos empresários, pelo menos no interior dos estabelecimentos.

Wanderson, que credita os bons resultados recentes de Pipa à uma pequena taxa optativa cobrada na diária dos hospedes pelos hotéis, permitiu à associação que ele preside alavancar os negócios.

“Nosso grande problema ainda está na infraestrutura e na falta de equipamentos turísticos, que prejudicam sobretudo Natal neste momento em que começamos a sair da pandemia”, afirma.

Com o Forte dos Reis Magos fechado, numa reforma interminável, e as restrições impostas ao turismo de eventos, entre outros problemas, a retomada para muitos empresários, pequenos, médios e até alguns grandes, mais se assemelha a uma corrida de fundo.

“O ponto de chegada será dezembro de 2021”, imagina Bruno Reis, presidente da Empresa Potiguar de Promoção do Turismo (Emprotur).

Para ele, um dos diferenciais do RN nessa corrida em relação à concorrência nordestina foi o fato do Rio Grande do Norte ter sido o primeiro estado a receber o selo “Turismo Mais Protegido” do World Travel & Tourism Council (inglês), com o respaldo da Organização Mundial do Turismo.

Segundo Bruno, a promoção do destino agora depende de verbas de emendas parlamentares e de uma injeção mais ambiciosa de recursos para 2021. As emendas seriam em torno de R$ 3 milhões, fora um recurso bem maior do governo do estado que ele não detalhou, mas que segundo José Odécio da ABIH, seria de R$ 11 milhões.

No mês passado, empresários do setor se reuniram com a governadora Fátima Bezerra, quando foi amarrado parte de um pacote que a administração divulgará para a classe produtiva.

Uma das grandes preocupações desse segmento é com as festas de passagem de ano, quando os negócios disparam para o setor hoteleiro, hoje acossado pela concorrência dos alugueis por temporada, onde eles alegam não existir uma fiscalização das autoridades para possíveis aglomerações, ao contrário do que acontece na hotelaria e no setor de bares e restaurantes.

Nesta sexta-feira 11 durante uma entrevista a uma rádio de Natal, o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Habib Chalita, afirmou que o setor tem todo o interesse de colaborar com nas medidas sanitárias, por mais restritivas que elas sejam às operações do negócio.

“A verdade é que tem bares operando com quatro pessoas para dar conta da demanda que aparecer”, afirmou.

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