Publicidade
Arroxo
Altas de novembro dificultam a sobrevivência dos potiguares
A carne, a fezinha semanal na Sena, energia elétrica, todas as despesas que cresceram com a inflação oficial no País, aceleraram em 0,51% em novembro, maior resultado para o mês desde 2015
José Aldenir / Agora RN

O porteiro Ailton comprou sua moto de 150 CC usada faz pouco tempo, mas ultimamente até a gasolina dela ele começou a regular, especialmente depois que alguns itens de gastos obrigatórios subiram.

A carne, a fezinha semanal na Sena, energia elétrica, todas as despesas que cresceram com a inflação oficial no País, aceleraram em 0,51% em novembro, maior resultado para o mês desde 2015.

Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Robério, que dirige Uber, para complementar a renda que ele consegue vendendo os doces e salgados preparados pela mulher, diz que o maior problema na percepção dele é com a alta da gasolina, que ele já achava muito cara, “mas que agora ficou difícil de engolir”.

A sorte, segundo ele, é que ficou um pouco mais barato comprar hortifrúti em algumas promoções de supermercados, já que ele raramente frequenta atacados por falta de tempo. “Mas, olha, tá complicado”, assegura.

Gabriela, a exemplo de muitos outros estudantes universitários, aluga um quarto sem banheiro perto da UFRN por R$ 460,00 por mês numa república como mais cinco moradores do mesmo perfil. Os custos que mais a preocupa são o do rateio de IPTU (R$ 192 a parcela rateada), energia (R$ 30) e alimentação (R$ 300).

“Muita conta para quem ganha, entre bolsa e estágio, R$ 1.200 e ainda manda dinheiro para a mãe, que mora em outro estado, todo o mês”, diz Gabi.

Razões das altas

O avanço de 8,09% no preço das carnes foi o principal motor da inflação ao consumidor em novembro, com uma contribuição de 0,22 ponto porcentual. A alta foi o mais acentuado desde novembro de 2010, quando as carnes subiram 10,67%.

“A situação no momento é uma demanda alta da China pela carne brasileira. Foi principalmente carne bovina. As outras também foram influenciadas, porco e frango, mas o grande destaque foi a carne bovina”, explica Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

A carne de porco subiu 3,35% em novembro, enquanto o frango inteiro aumentou 0,28% e o frango em pedaços subiu 0,34%. O grupo Alimentação e bebidas saiu de um avanço de 0,05% em outubro para elevação de 0,72% em novembro.

Sem a pressão das carnes, diz Kislanov, o IPCA teria sido de 0,30% em novembro, mas, devido ao encarecimento da proteína bovina, os alimentos para consumo no domicílio interromperam uma sequência de seis meses consecutivos de quedas de preços, com um avanço de 1,01% em novembro.

Também foram destaques no mês os avanços de tarifas dos jogos de azar, que subiram 24,35% em novembro, e da energia elétrica, que aumentou 2,15%.

Como consequência, as despesas mais elevadas das famílias com Alimentação e bebidas, Habitação e Despesas Pessoais responderam por 82% da inflação de novembro. A alta no IPCA do último mês foi concentrada, cada um dos três grupos com maior pressão de preços teve um fator principal de alta, apontou Pedro Kislanov.

Com isso, a taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses acelerou de 2,54% em outubro para 3,27% em novembro, permanecendo consideravelmente abaixo da meta de 4,25% perseguida pelo Banco Central este ano.

Publicidade
Publicidade