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Entrevista
Agricultura potiguar fecha 2019 com balanço positivo, diz presidente da Faern
Segundo José Vieira, 2019 foi de “novos e tremendos desafios na luta para a retomada dos ativos dos produtores potiguares perdidos para os anos de seca”. Para 2020, ele destacou implantação de tecnologia israelense para produção
Redação
12/12/2019 | 01:00

O sistema que integra a Federação da Agricultura (Faern) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no Rio Grande do Norte (Senar) realiza nesta quinta-feira, 12, a partir das 19h, no Boulevard Recepções, em Parnamirim, o 5º Seminário Cenário Econômico e Político para o Setor Rural em 2020.

O evento, como acontece todos os anos, marcará a entrega das medalhas do Mérito Rural Senador Moacyr Duarte às personalidades que mais se destacaram no setor rural no ano.

Os participantes do seminário terão uma palestra do professor, antropólogo e consultor Luiz Almeida Marins Filho, considerado um dos 100 mais importantes palestrastes do País.

A premiação é considerada a maior honraria concedida pela Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern) aos nomes que se destacaram em prol do desenvolvimento do setor rural no Rio Grande do Norte.

A medalha, como acontece tradicionalmente, será entregue em quatro categorias: Política e/ou Administração Pública, Científica, Produtor Rural e Jornalismo. Os nomes agraciados foram escolhidos por representantes de entidades que compõe a comissão da medalha.

Este ano, os nomes agraciados por categoria serão os seguintes:
Produtor Rural: Francisco Veloso Júnior, diretor executivo da Tapuio Agropecuária; Política e/ou Administração Pública: coronel Alarico José Pessoa Azevedo Júnior, comandante-geral da Policia Militar do Rio Grande do Norte; Desenvolvimento Científico, Tecnológico ou do Ensino: Elton Lúcio de Araújo, professor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa); Comunicação e/ou Jornalismo: InterTV Cabugi, afiliada da TV Globo no RN.

Na entrevista abaixo, o presidente do Sistema Faern/Senar, José Vieira, faz um balanço do setor agropecuário em 2019. Confira:

Agora RN: Como o senhor definiria 2019 para os produtores do Rio Grande do Norte?
José Vieira: Do ponto de vista do Sistema Faern/Senar, foi um ano de muita expectativa, pois marcou o início da gestão de um novo presidente para o Brasil e de uma nova governadora para o Rio Grande do Norte. Ao mesmo tempo, foi um ano de novos e tremendos desafios na luta para a retomada dos ativos dos produtores potiguares perdidos para os últimos anos de seca. Então, foi tudo muito desafiador, mas meu balanço é positivo.

Agora RN: Em que pontos o senhor considerou positivo?
José Vieira: Nós conseguimos concluir, pela Federação da Agricultura e pelo Senar, nossa ação de assistência técnica continuada a 340 produtos rurais de caju do Estado dentro do programa “Fortalecimento da Cajucultura”, onde conseguimos ampliar em torno de cinco mil hectares a incorporação de novas áreas a essa produção, sem mencionar o trabalho de assistência aos cajueiros adultos que tanto sofreram com a estiagem. Incorporamos a Embrapa nesse processo na Serra de Santana para debater com os produtores tecnicamente a questão do reerguimento dessa cultura tão cara a nós, produtores potiguares.

Agora RN: Há algum projeto específico para tocar no ano que vem?
José Vieira: Estamos deslocando 40% do orçamento do Senar para a assistência técnica. Não posso revelar agora o valor, mas ele é substancial. Começou este ano com um projeto piloto para 300 produtores e deverá saltar para 1.600 produtores no ano que entra, graças à injeção de recursos que pretendemos dar. Essa assistência será fornecida no período de dois anos, abrangendo várias cadeias produtivas e de forma totalmente gratuita para o produtor. O objetivo é acompanhar de perto os nossos produtores rurais.

Agora RN: Os produtores também estão mobilizados para se defender dos frequentes assaltos e furtos no campo. Há uma ação nesse sentido?
José Vieira: Fizemos o terceiro seminário sobre segurança pública rural, envolvendo a Polícia Militar e o comanda da Secretaria de Segurança Pública. Chegou a hora de construirmos juntos um projeto para a criação de um destacamento voltado especificamente para a proteção dos nossos produtores, e já iniciamos a doação de drones e smartphones, além de algum recurso, para propiciar uma resposta rápida das autoridades toda a vez que um produtor estiver sob a ameaça de marginais. Apresentamos esse projeto à governadora durante a última Festa do Boi e ela ficou muito entusiasmada. A ideia é que as forças policiais possam chegar rapidamente aos locais afetados por meio de uma comunicação mais rápida.

Agora RN: Há bons sinais de recuperação da economia rural para o ano que vem?
José Vieira: Eu diria que há muitos e sólidos sinais. Estamos fechando o ano com um recorde no volume de exportações este ano no Porto de Natal, e a expectativa para o próximo ano é muito boa, com a possibilidade real de abertura no mercado chinês para as frutas potiguares. Ao mesmo tempo, a parceria público privada celebrada com um frigorífico de Ceará-Mirim tem como benefício imediato interromper a migração do nosso gado para a Paraíba, onde é abatido. Trata-se uma garantia importante para os produtores de que poderão abater seu gado no Estado.

Agora RN: O relacionamento com o governo Fátima é bom, já que a Confederação da Nacional da Agricultura (CNA) apoiou a eleição do presidente Jair Bolsonaro, mas o RN tem uma gestão do PT?
José Vieira: As relações não poderiam ser melhores. O secretário da Agricultura escolhido pela governadora (Guilherme Saldanha) é um grande parceiro dos produtores rurais, e o diálogo com ela é sempre fluido e produtivo. Em suma, nossas demandas são sempre muito bem atendidas pelo governo. E é bom que seja assim porque o próximo ano será desafiador.

Agora RN: Há alguma novidade à vista?
José Vieira: Vamos implantar seis estufas para a produção com pouca água e quase nenhum herbicida, beneficiando micro e pequenos produtores. É uma tecnologia que estamos trazendo de Israel, como uma solução econômica para esse segmento numeroso e tão importante. Queremos ampliar essas unidades tecnológicas para todo o Estado e, é claro, continuamos trabalhando a questão do endividamento rural, sempre com foco numa política agrícola diferenciada para o Nordeste e a diminuição da burocracia na captação desses recursos por parte dos produtores.

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