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Política

Um voto faz diferença

Diferença de 32 votos na disputa pela Câmara Federal remete a eleições municipais decididas por margens estreitas no RN
Heitor Gregório
06/10/2026 | 02:10

“Nenhuma pretensão de poder pode prevalecer a soberania popular” — Do ministro Edson Fachin, presidente do STF

Poucas eleições terminam como a do Rio Grande do Norte. Com 99,99% das urnas apuradas, ainda faltava uma única urna de Tibau do Sul. E aquela urna, sozinha, ainda tinha força suficiente para alterar a composição da bancada federal do Estado. Quando a totalização chegou aos 100%, João Maia (PP) estava reeleito deputado federal com 123.040 votos. Robinson Faria (PP) ficou fora com 123.008 votos. A diferença foi de 32 votos. E a história tem uma coincidência interessante. Em 2000, Galbê Maia, irmão de João Maia, foi eleito prefeito de Jardim de Piranhas por uma diferença ainda menor: quatro votos. Galbê recebeu 3.626 votos contra 3.622 de Antônio Macaco. Em São João do Sabugi, a história foi ainda mais impressionante. Em 1978, Joaquim de Assis Úrsula perdeu a eleição para prefeito por um único voto. Já em 2020, Dr. Gustavo Soares, hoje deputado estadual eleito, venceu Ivan Júnior na disputa pela Prefeitura de Assú por somente cinco votos. São histórias que a política guarda para nos lembrar de algo muito simples. Um único voto pode separar toda a distância que existe entre a vitória e a derrota.

Retrato do colunista Heitor Gregório sorrindo
Heitor Gregório, autor da coluna — Imagem do acervo do portal

Fátima sai fortalecida

A governadora Fátima Bezerra (PT), que teve sua força política subestimada nos últimos tempos, sai fortalecida das urnas. Cadu de Lula (PT) chegou ao segundo turno para o Governo e Samanda de Lula (PT) foi eleita para o Senado. Saldo positivo e liderança preservada.

Rafael Motta e meio milhão de votos

Mesmo sem conquistar uma vaga no Senado, Rafael Motta (PDT) sai fortalecido das urnas. Com estrutura política e financeira limitada e apoio de pouco mais de dez prefeitos, recebeu mais de meio milhão de votos no RN. Em Natal, sem apoio de vereadores, Rafael teve 116.978 votos, contra 68.537 de Zenaide Maia, apoiada por quase 20 vereadores. Sua candidatura também teve peso na disputa pelo segundo voto, contribuindo para reduzir o espaço de Zenaide e favorecer a eleição de Samanda de Lula. Rafael não conquistou o mandato, mas preservou um expressivo capital eleitoral.

E os votos de Álvaro?

O segundo turno no Rio Grande do Norte será entre Allyson (União) e Cadu de Lula (PT). A diferença entre os dois no primeiro turno foi de apenas 15.509 votos. Agora, um dos principais números da nova disputa está nos 530.580 votos de Álvaro Dias (PL), terceiro colocado. Para onde irão esses votos no segundo turno?

Renovação nas bancadas

A bancada federal do RN tem cinco reeleitos: Natália Bonavides (PT), Benes Leocádio (União), Sargento Gonçalves (PL), General Girão (PL) e João Maia (PP). As três novidades são Nina (PL), Dr. Bernardo (PV) e Thabatta Pimenta (PV). Na Assembleia Legislativa, a renovação foi maior: oito novos deputados entre as 24 cadeiras, equivalente a um terço da Casa (33,3%).