O que faz de um evento algo que funciona, algo que dá certo? O comprometimento de quem o faz. Mesmo sem querer, os malucos que decidem fazer grandes acontecimentos imprimem no negócio um muito de si. Quando este muito vem isento de qualquer estrelismo do “eu”, da primeira pessoa, esse mesmo evento se torna gigante e ainda melhor.
Como profissional de comunicação, sempre tive vontade de cobrir o Dragão Fashion Brasil, considerado o maior evento do País de moda autoral. A oportunidade veio junto com o convite o ano passado. Por conta de compromissos assumidos anteriormente, com o coração apertado, precisei declinar. Mas o sonho persistia e acabou se concretizando nos últimos dias. Na capital do Ceará, participei de intensos três dias, de um total de quatro, do chamado DFB.

Não foi a estrutura, não foram as marcas e nem os desfiles o que mais me impressionou. Foi Cláudio Silveira, o idealizador do evento. Não o conhecia, apenas ouvi comentários aqui e ali de colegas da imprensa nacional. E o primeiro contato, na abertura, na primeira noite, foi impactante. Qualquer um por trás daquele que é considerado o terceiro evento de moda do Brasil, e que chega à 27ª edição, faria questão de aparecer e se posicionar no seu trono de direito, de forma superior. Normalmente, é o que se espera, ainda mais no mundo fashion, repleto dos grandes e inflados egos. Mas não esse Cláudio. Convocado pelo mestre de cerimônias, surgiu de camiseta e bermuda, a roupa com a qual certamente passou o dia no backstage montando tudo, literalmente com a mão na massa, para o Dragão voar novamente. A partir dali, ele chamou minha atenção!
Com voz firme e ritmada, deu o start para a edição 2026, que retornou a um dos territórios mais simbólicos de Fortaleza, com o tema “Praia de Iracema: coração e cérebro da Cidade Dragão”. Em sua fala, foi contundente na defesa da criatividade e da identidade brasileira, do fazer cearense, reforçando a relevância da moda autoral como motor de inovação para o setor. Em outras ocasiões, também ratificou que o evento existe, resiste e persiste. Talvez um muito por sua causa. Eu gosto de observar pessoas. O que elas fazem diz mais do que as palavras que ditam. O homem que se debruça no chão para desenrolar um tapete e transformá-lo em passarela, que agradece aos apoiadores sem ar de bajulação, que se posiciona pela relevância da moda surgida nas periferias é o mesmo que quer tanto que a coisa aconteça que não tem tempo nem para ouvir elogios (e olhe que eu tentei). Ele precisa andar, ele precisa fazer, ele precisa sentir.
Cláudio Silveira sabe o que o Dragão Fashion Brasil representa para muitos jovens estilistas que sonham um dia serem conhecidos e reconhecidos. Tem respeito por quem está começando. Por isso, dentro do evento, promove um concurso de Novos talentos. Por isso, ajuda com suporte de conexões e até financeiramente, com recursos próprios, alguns que estão começando. E mais ainda, por isso, tem respeito por sua própria história, construída há quase três décadas com o DFB. No fim da segunda noite, entra na sala branca de desfiles para, diante de um público pequeno, pedir delicadamente que as pessoas ocupem as primeiras fileiras para prestigiar um velho amigo, um estilista (J.Cabral) que fez parte das primeiras edições, mas que há tempos não participava. Por isso mesmo merecia uma plateia acolhedora e integrada. Ponto!
Eu gosto de adjetivos, embora no jornalismo raiz eles sejam considerados dispensáveis. Assim aprendi. Mas gosto de empregá-los quando são apropriados e merecidos. Esse é o caso. Se o evento tem o nome que tem em virtude do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, equipamento cultural de Fortaleza, uma referência a Francisco José do Nascimento, um jangadeiro e líder popular que lutou contra a escravidão, e por isso foi apelidado de Dragão; o idealizador deste evento de moda honra esse legado. Sua luta é contra outro tipo de imposição, a que não acredita que a moda pode ser feita por todos, pode ser usada por todos, pode surgir de todo lugar. Se o Dragão é essa criatura mitológica e lendária cujo um dos significados deriva do grego drákōn e do latim draco, que significam “olhos brilhantes”, foi inspirador ver o olho brilhante deste réptil alado humano chamado Cláudio Silveira.
P.S.:E aos leitores, preparem-se, porque esse Dragão vai cuspir fogo nas nossas próximas colunas trazendo tudo o que foi esse DFB 2026, inclusive a presença de alguns potiguares. (S.S.)
HAPPY BIRTHDAY
Gustavo Pires, Saulo Carvalho, Hiran Lima, Antônio Naud e Vinicius Albuquerque
DOMINGO
Carlos Eduardo Xavier, Domínio Arruda, Viviane Morais, Dávison Fernandes, Marcelo José Rebouças, Gleydva Dantas, Rosy Silvia, Breno Tinôco, Ana Paula Araújo, Ana Silvia Melo, Renato Jales, Leandro Vasconcelos, iveluska
SEGUNDA
Rafaella Ribeiro Dantas, Carmem Pinto Macedo, Patrícia Nunes e Isabelle Mesquita