Durante muito tempo, foi comum ouvir, em tom pejorativo, a expressão: “Vai para a China!”. Pois bem, fui à China. E, se tiver outra oportunidade, voltarei.
Recentemente, participei de uma missão técnica promovida pelo Polo Sebrae de Energias Renováveis e pela Absolar. A programação incluiu a participação na SNEC, maior feira mundial de energia fotovoltaica, além de visitas técnicas e reuniões com instituições ligadas ao desenvolvimento das energias renováveis.

A missão teve como objetivo acompanhar tendências, conhecer inovações tecnológicas e ampliar conexões em um dos mercados mais dinâmicos do mundo. Passamos por Xangai e Pequim para observar de perto a realidade de um país que hoje lidera segmentos como energia solar e eólica, baterias de armazenamento, veículos elétricos, robôs e humanoides.
Mais do que os avanços tecnológicos, impressiona a capacidade de planejamento e execução. A China construiu, ao longo das últimas décadas, um projeto consistente de desenvolvimento. Vale lembrar que, entre os anos 1970 e 1980, o PIB brasileiro era semelhante ao chinês e, em alguns momentos, superior.
Hoje, a diferença é expressiva. Nos últimos 30 anos, o PIB da China passou de US$ 0,87 trilhão para US$ 18,74 trilhões, multiplicando sua economia por cerca de 22 vezes. No mesmo período, os Estados Unidos cresceram 3,6 vezes.
Esses números nos levam a refletir sobre a importância de fatores como educação, inovação, infraestrutura, ambiente de negócios e visão de longo prazo. Mantido o atual ritmo de crescimento, a China poderá se consolidar, em breve, como a maior economia do planeta.
Essa percepção não decorre apenas dos indicadores econômicos. Chama atenção a presença de valores como responsabilidade, disciplina, respeito às leis e compromisso coletivo, elementos que ajudam a sustentar um projeto nacional de desenvolvimento.
Como brasileiro, essa experiência reforçou uma convicção: o Brasil também possui condições de transformar sua realidade. Temos riquezas naturais, um povo criativo e acolhedor, além de um capital humano extraordinário.
Exemplos como o da China mostram que o desenvolvimento não acontece por acaso. Exige planejamento, continuidade, inovação e compromisso coletivo.
Em um mundo que tantas vezes prefere temer aquilo que não compreende, talvez a pergunta mais adequada não seja mais “Vai para a China!”, mas sim: “O que podemos aprender com o dragão?”.
Afinal, esse símbolo milenar de força e sabedoria pode inspirar o Brasil a reconhecer seu potencial e construir um futuro à altura de sua grandeza.