Ao longo dos últimos anos, iniciativas voltadas à redução das desigualdades econômicas e sociais no País têm enfrentado grandes desafios. No Nordeste brasileiro, marcado por desigualdades históricas, o ambiente é ainda mais complexo e exige esforços adicionais, com iniciativas disruptivas.
Entre 2008 e 2016, muitos municípios tiveram a oportunidade de experimentar uma estratégia de desenvolvimento territorial por meio do programa Territórios da Cidadania. Embora a iniciativa não tenha tido continuidade, algumas regiões mantiveram essa visão e hoje colhem resultados positivos.

O território onde está inserido o Geoparque Seridó é um desses exemplos. A estratégia de desenvolvimento territorial foi incorporada por gestores públicos, instituições de ensino, setor produtivo e pela própria população. O resultado é um modelo de cooperação que vem gerando oportunidades e fortalecendo a identidade regional.
Recentemente, ocorreu em Arouca, Portugal, o Fórum de Geoparques da Unesco. Um geoparque mundial da Unesco é um território reconhecido por seu patrimônio geológico de relevância internacional e que utiliza esse patrimônio para promover desenvolvimento sustentável, educação, conservação ambiental e valorização cultural.
Em Arouca, representantes do Geoparque Seridó apresentaram ao mundo os avanços, desafios e transformações vivenciados nos seis municípios que integram o território (Cerro Corá, Lagoa Nova, Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas e Parelhas), além de conhecer experiências de outras regiões do planeta. Isso nos orgulha!
No planeta, existem 241 geoparques distribuídos em 51 países, impactando diretamente a vida de cerca de 55 milhões de pessoas. No Brasil, são seis chancelados pela Unesco.
A experiência internacional demonstra que, com governança, cooperação e objetivos bem definidos, é possível transformar a realidade de um território, gerando emprego e renda, valorizando a cultura local, a ciência e o patrimônio ambiental.
O Seridó potiguar vive um momento de mudanças e crescimento, impulsionado pela retomada do algodão (agora agroecológico), pela ampliação e diversificação da mineração, pela melhoria da cadeia do leite e derivados, pela consolidação da indústria de confecções, pela valorização do bordado e pelo aumento constante do fluxo turístico.
Precisamos aproveitar essa passagem ‘do cavalo selado’. Com seus roteiros turísticos e seus 21 geossítios, que são os lugares para visitação, com relevância científica, educativa, cultural ou paisagística, o Geoparque Seridó tornou-se uma referência quando se fala na interiorização do turismo no Rio Grande do Norte. Mais do que um atrativo turístico, é um instrumento de desenvolvimento territorial, capaz de gerar oportunidades econômicas, fortalecer a identidade local e promover sustentabilidade.
Chegar até aqui não foi fácil e, os próximos passos serão ainda mais desafiadores. Mas o Geoparque Seridó continuará contribuindo para o desenvolvimento regional porque o Seridó possui um ativo capaz de transformar dificuldades em oportunidades: o seu povo.
Hoje,com orgulho, celebramos os avanços do Geoparque Seridó, prova de que o desenvolvimento territorial não é uma utopia, mas uma realidade construída com trabalho coletivo, respeito à terra e valorização das pessoas.
*João Hélio Cavalcanti é diretor técnico do Sebrae-RN