O Rio Grande do Norte vive uma transição econômica estratégica. Em um cenário marcado por mudanças climáticas, desigualdades sociais e necessidade de inovação sustentável, as chamadas “novas economias” deixaram de ser tendência para se tornarem necessidade competitiva. E o RN tem se posicionado como protagonista dessa agenda no Brasil.
O Estado foi destaque no Impacta Mais, realizado em São Paulo, reunindo investidores, aceleradoras, governos e atores do ecossistema de impacto do País. Desde 2017, o Sebrae RN vem estruturando programas voltados ao fortalecimento dos negócios de impacto social e ambiental.

Os projetos de impacto surgiram para apoiar negócios sustentáveis capazes de gerar lucro enquanto solucionam problemas da sociedade e do meio ambiente. A proposta é estimular empreendedores e empresas a criarem produtos e serviços que produzam impacto positivo.
Programas como Impacta RN e Regenera já aceleraram mais de 400 empresas no estado. Hoje, o RN possui negócios ligados à saúde, educação, conservação ambiental, agricultura, moda, turismo, tecnologia e economia azul, conectados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Os negócios de impacto possuem quatro características centrais: geram lucro, resolvem problemas socioambientais, monitoram o impacto gerado e atuam com intencionalidade. Alguns modelos ganham escala através da tecnologia, dando origem às startups de impacto.
Esse movimento também influencia empresas tradicionais, que vêm incorporando práticas ESG e iniciando uma transição para modelos mais sustentáveis. Nesse contexto, o Rio Grande do Norte tornou-se o primeiro estado brasileiro a instituir uma política voltada à Economia de Impacto, negócios verdes e sustentáveis.
Os negócios de impacto atuam como aliados estratégicos do poder público, ajudando a resolver problemas sociais e ambientais antes vistos exclusivamente como responsabilidade do Estado. Casos como a startup Pão Nosso e a ReforAMAR demonstram como a inovação social pode transformar territórios e gerar inclusão.
O RN já apresenta exemplos concretos dessa nova economia: energia renovável, moda sustentável, agricultura regenerativa, bioeconomia da caatinga, aquicultura sustentável e cooperativas da economia circular.
Entretanto, para consolidar essa transição, é necessário avançar em estratégias de crescimento verde e fortalecer a Nova Indústria Brasil (NIB), criando uma governança integrada entre governo, empresas, universidades, investidores e sociedade civil.
Existe uma transformação em curso. O crescimento verde já é realidade. O fortalecimento dos negócios de impacto demonstra que modelos sustentáveis são respostas urgentes para os desafios contemporâneos. O RN possui vocação, ativos ambientais e capital humano para liderar essa pauta nacionalmente.
Mona Nóbrega é gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural e Negócios de Impacto do Sebrae RN