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Jaqueline Almeida

Do caixa eletrônico ao celular: como o crime econômico migrou para o ambiente digital

Confira a coluna de Jaqueline Almeida desta terça-feira 19
Jaqueline Almeida
19/08/2025 | 05:05

Nos últimos anos, a criminalidade econômica tem passado por uma transformação silenciosa, mas extremamente perigosa. Se antes os golpes se concentravam em abordagens presenciais — como estelionatos com cheques falsos, cartões clonados ou vendas simuladas —, hoje, grande parte dessas práticas migrou para o ambiente digital. A facilidade de acesso às tecnologias e a popularização dos smartphones abriram espaço para um novo cenário de atuação criminosa: rápido, silencioso e, muitas vezes, difícil de rastrear.

Os golpistas se adaptaram. Clonagem de aplicativos de mensagem, envio de links falsos, criação de perfis falsos em redes sociais e até simulação de centrais de atendimento bancário se tornaram comuns. Uma simples foto de documento enviada pela internet pode ser suficiente para abrir contas, solicitar empréstimos e movimentar valores em nome da vítima. Em alguns casos, os criminosos utilizam softwares capazes de imitar vozes, aumentando ainda mais a credibilidade da fraude.

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Do caixa eletrônico ao celular: como o crime econômico migrou para o ambiente digital - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O alerta principal é: nenhuma instituição financeira ou empresa séria solicita senhas, códigos de segurança ou confirmação de dados sensíveis por telefone, SMS ou aplicativos de mensagem. Ao receber qualquer contato desse tipo, interrompa imediatamente a conversa e busque canais oficiais de atendimento.

Entre as práticas mais seguras para se proteger estão: ativar a autenticação em dois fatores em todas as contas e aplicativos; manter senhas diferentes para serviços distintos; evitar clicar em links recebidos por mensagens de desconhecidos ou de contatos que estejam se comportando de forma estranha; e conferir sempre o endereço de e-mail e site antes de inserir informações pessoais.

A prevenção, nesse cenário, não depende apenas de tecnologia, mas de atenção constante. A cada nova ferramenta criada para proteger o usuário, surge uma nova estratégia criminosa para burlar a proteção. Por isso, a informação continua sendo o maior aliado contra o golpe. Compartilhar conhecimento, orientar familiares e amigos — especialmente os mais idosos — e manter-se atualizado sobre os métodos utilizados pelos criminosos é uma forma de tornar o ambiente digital menos favorável à ação desses grupos.

O crime mudou de endereço: saiu das ruas e entrou nas telas. Cabe a cada um de nós reforçar as portas virtuais e desconfiar sempre que algo parecer “bom demais para ser verdade”. No mundo digital, o cuidado precisa ser redobrado — e a atenção, permanente.