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De saída
Saída de Novaes do Banco do Brasil movimenta bastidores do governo
Segundo fontes, Rubem Novaes, de 74 anos, estava cansado e pediu demissão por motivos pessoais. Ele será nomeado assessor especial de Guedes
OGlobo
25/07/2020 | 05:42

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, decidiu deixar o cargo. Ele entregou nesta sexta sua carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Economia, Paulo Guedes. O pedido tem efeito a partir de agosto, em data que ainda será decidida, segundo comunicado do banco ao mercado, publicado no início da noite. Ele deve ser nomeado assessor especial de Guedes, mas passará a despachar do Rio.

Novaes deixa o cargo sem conseguir privatizar o banco, seu principal desejo. E também em meio a uma cobrança de Bolsonaro por uma atuação mais incisiva do Banco do Brasil, especialmente na redução de juros. O presidente tem comparado a situação do BB com a Caixa Econômica Federal, que efetuou uma série de cortes de juros nos últimos meses e tem servido de vitrine para ações do governo federal.

Em sua defesa, Novaes lembrava que o Banco do Brasil é uma empresa de capital aberto, com ações negociadas em Bolsa. Ontem, os recibos de ações negociados em Nova York registravam desvalorização de 1,36% após o anúncio da saída do executivo.

Nome ligado ao banco

Guedes deve buscar uma solução caseira para a substituição de Novaes e sem indicações políticas. Um dos nomes cotados é o de Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, atual vice-presidente de Gestão Financeira e Relação com Investidores do BB.

Outro nome cotado é o de Walter Malieni Junior, vice-presidente de Negócios de Atacado do banco. Também é citado o nome de Hélio Magalhães, presidente do Conselho de Administração do BB.

O nome do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, também chegou a ser mencionado por interlocutores, mas a assessoria do executivo negou a possibilidade. Caso seja escolhido um nome do mercado, o perfil desejado é de alguém alinhado com o secretário de Desestatização, Salim Mattar, porque a equipe econômica, com aval do presidente Bolsonaro, tem planos de preparar o banco para ser privatizado em 2023, em um cenário que considera a hipótese de segundo mandato do presidente.

Segundo fontes próximas a Guedes, Novaes estava cansado e pediu demissão por motivos pessoais. Ele tem dito a amigos que quer ficar mais próximo dos netos, no Rio. Novaes teria pedido ao ministro que fosse dispensado do cargo como um presente de aniversário. Ele faz 75 anos em agosto.

Novaes reclamou de cansaço da rotina como executivo do maior banco público do país, das cobranças dos órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União (TCU) e manifestou vontade de voltar para o Rio. Ele acha que o BB precisa de alguém mais jovem, contou um interlocutor. Novaes é amigo de Guedes e deve continuar próximo como assessor do ministro.

O executivo estava desgastado com TCU desde a reunião ministerial de 22 de abril, que teve o sigilo derrubado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio. Nela, ele chamou a corte de “usina de terror”. Mais recentemente, se irritou com decisão do tribunal de suspender anúncios em sites e blogs suspeitos de publicar ou compartilhar fake news.

Ao recorrer ao tribunal contra a decisão, o banco argumentou que está tendo prejuízo e redução de acessos com a proibição.

No texto divulgado ao mercado, o banco afirma que Novaes avalia que a companhia precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de inovação no setor bancário. Novaes tomou posse em janeiro de 2019, logo após Guedes assumir o Ministério da Economia. Assim como Guedes, é do time de ex-alunos da Universidade de Chicago (EUA), expoente do pensamento liberal.

Os dois se conheceram quando estudavam na instituição. Antes de assumir o comando do banco, ele foi presidente do Sebrae e diretor do BNDES. O até agora dirigente do BB está na equipe de Guedes desde a transição de Bolsonaro.

Na avaliação de um acionista minoritário relevante do Banco do Brasil, a instituição perdeu o protagonismo costumeiro para a Caixa no mandato de Rubem Novaes. A Caixa ganhou espaço nos últimos meses com o pagamento do auxílio emergencial e reduções de juros para o financiamento habitacional.

Para os acionistas, embora sempre tenha defendido a privatização, Novaes teria sido lento na estruturação de um projeto de privatização da instituição e de suas subsidiárias.

A saída de Novaes é mais uma baixa na equipe de Guedes. A pedido de Bolsonaro, o presidente do BNDES, Joaquim Levy, deixou o cargo no ano passado. Recentemente, Mansueto Almeida deixou o Tesouro Nacional.

Em entrevista ao GLOBO, concedida no fim de maio, Novaes disse estar convencido de que era necessário privatizar o Banco do Brasil, mas se dizia frustrado por não ver condições políticas para levar a proposta adiante. Mesmo durante a pandemia, e sendo do grupo de risco, Novaes continuava a dar expediente na sede do BB.

‘E tem um liberal lá’

Na avaliação de Novaes, a privatização é o melhor caminho para modernizar a instituição. Ele afirmou na ocasião que o banco perdeu o bônus de ser público e ficou apenas com o ônus. E citou como exemplo o fato de que o banco tinha a folha de pagamento de todo o setor público, a administração de depósitos judiciais e de repente tudo isso passou a ser definido por meio de concorrência.

De outro lado, se queixava das dificuldades para renovar quadros ou demitir funcionários com desempenho abaixo do esperado.

Na reunião ministerial do dia 22 de abril, Guedes disse que o governo faz “o que quer” com a Caixa e o BNDES. Já no BB, “a gente não consegue fazer nada” e “tem um liberal lá”, em referência a Novaes.

“O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. Porque ele não é privado, nem público. Então se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam’. Aí se falar assim: ‘bota o juro alto’, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta’.

O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”, afirmou, completando: “Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá.”.

Novaes então, diz que o povo vê o Banco do Brasil como um “porto seguro” e que o banco está em uma situação confortável.

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