BUSCAR
BUSCAR
Gastos
Importação de armas caminha para recorde no atual governo
Valor gasto até agora neste ano é quase o dobro do mesmo período em 2019
O Globo
30/08/2020 | 12:24

A importação de armas de fogo e munições se encaminha para atingir, em 2020, o patamar mais elevado dos últimos 11 anos. Em meio a decretos e incentivos públicos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, o gasto em armas estrangeiras já totalizava US$ 26,5 milhões até julho deste ano, 97% acima do registrado no período correspondente em 2019, segundo dados extraídos do Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), do Ministério da Economia.

O gasto parcial com importações neste ano, desconsiderando compras de armas e munições de guerra, já supera a quantia despendida em todos os anos da série histórica, à exceção de 2019, quando o valor de janeiro a dezembro totalizou US$ 36,5 milhões.

A tendência de alta, segundo especialistas, se iniciou no último ano do governo Michel Temer. Em 2018, segundo dados do Exército obtidos pelo GLOBO via Lei de Acesso à Informação (LAI), 33,2 mil armas — entre pistolas, revólveres, espingardas e fuzis — foram importadas por pessoas físicas e jurídicas. Foi o recorde na série histórica, seguido de perto por 2019, quando 30,2 mil armas estrangeiras entraram no país. O dado não inclui armas de órgãos de segurança.

“Se a ideia com a importação é entregar a policiais um material tecnologicamente mais avançado e confiável, não vejo problema. Já a política de “liberar geral” segue um raciocínio falacioso de que “se o bandido tem armas pesadas, o cidadão também precisa ter”. Na verdade, quanto mais armas pesadas circulam, mais você alimenta a criminalidade”, afirma Isabel Figueiredo, do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Pesquisa do Instituto Sou da Paz e do Ministério Público de São Paulo, em 2016, apontou que pelo menos 38% das armas apreendidas em casos de roubos e homicídios no país tiveram origem no mercado legal, e depois foram desviadas.

De acordo com Natália Pollachi, do Sou da Paz, o aumento de importações é efeito direto e também indireto de políticas de flexibilização no acesso a armas. No governo Temer, um decreto presidencial permitiu o aumento de compra de munições para algumas categorias, medida aprofundada já na gestão Bolsonaro, quando o número máximo passou de 50 para 200 munições por ano, e mais recentemente para 600 por pessoa — esta última modificação foi suspensa pela Justiça Federal de São Paulo.

Bolsonaro também ampliou, através de decretos, o rol de calibres a que cidadãos comuns têm acesso. Outra alteração feita pelo atual presidente, em decretos editados em julho e em setembro de 2019, foi revogar um veto a armas estrangeiras que tivessem versão similar no país.

“Os decretos permitiram armas de maior potencial e deram uma chacoalhada na importação, já que o Exército antes autorizava muito menos”, avaliou Pollachi.

Um dos porta-vozes mais ativos no atual governo pela importação de armas é o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que também assumiu informalmente funções de diplomacia com países vistos como aliados estratégicos. Eduardo já disse publicamente ter conversado com a fabricante americana de armas Sig Sauer, fornecedora do Exército dos EUA, e com a italiana Beretta.

No atual governo, enquanto Áustria — país da fabricante Glock —, EUA e Itália seguem no topo das importações, a China registrou uma queda de 21% no valor das vendas para o Brasil. Segundo a colunista Bela Megale, o Ministério da Justiça vai abrir um escritório em Washington dedicado à aquisição de equipamentos para segurança pública.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.