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Rachadinha
Extratos bancários de Queiroz provam depósitos de 21 cheques à Michelle Bolsonaro
Movimentações datam de outubro de 2011 a dezembro de 2016, em valores de R$ 3 mil e R$ 4 mil que somados chegam a R$ 72 mil
Estadão Conteúdo
07/08/2020 | 15:44

Extratos bancários do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz anexados à investigação sobre suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Boslonaro enquanto deputado estadual no Rio revelam que o ex-PM depositou 21 cheques em nome da primeira-dama Michelle Bolsonaro. As movimentações datam de outubro de 2011 a dezembro de 2016, em valores de R$ 3 mil e R$ 4 mil que somados chegam a R$ 72 mil.

O detalhamento dos depósitos de Queiroz em nome de Michelle foi revelado pela Revista Crusoé nesta sexta, 7, e confirmado pelo Estadão.

Em 2018, quando o caso Queiroz veio à tona, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) anexado aos autos da Operação Furna da Onça já havia citado um cheque de R$ 24 mil depositado pelo PM em favor da mulher do presidente Jair Bolsonaro.

Logo em seguida, o presidente apresentou sua versão dizendo que o valor seria referente a parcela do pagamento de um débito antigo de Queiroz com ele. Além disso, apontou que o montante depositado em favor de Michelle seria ainda maior: R$ 40 mil.

Os extratos bancários de Queiroz são um novo capítulo da história e apontam que os depósitos do ex-assessor para Michelle chegam a R$ 72 mil e foram realizados da seguinte maneira:

– 2011 – três cheques de R$ 3 mil compensados em outubro, novembro e dezembro

– 2012 – três cheques de R$ 3 mil compensados em janeiro, fevereiro e julho

– 2013 – dois cheques de R$ 3 mil compensados em fevereiro e abril

– 2016 – sete cheques de R$ 4 mil compensados em abril, maio (2), junho, julho, novembro e dezembro

Segundo a reportagem da Crusoé, nos extratos bancários de Queiroz não há depósitos feitos por Bolsonaro na conta do ex-PM. A publicação diz ainda que entre 2007 e 2018 foram registrados créditos de R$ 6,2 milhões na conta do ex-assessor – R$ 1,6 milhão identificado como salários, R$ 2 milhões atrelados a depósitos do gabinete de Flávio na Alerj e R$ 900 mil em espécie sem identificação.

Queiroz é apontado como suposto operador financeiro de esquema de ‘rachadinha’ instalado no gabinete do senador Flávio Bolsonaro à época em que era deputado estadual no Rio.

Ele foi preso preventivamente em junho, mas hoje está em domiciliar por ordem do ministro João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça. A Procuradoria-Geral da República tenta restabelecer a prisão do ex-PM e de sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar.

COM A PALAVRA, MICHELE BOLSONARO

A reportagem entrou em contato por e-mail com a Assessoria de Imprensa da Presidência da República e, até a publicação desta matéria, ainda não havia recebido uma resposta. O espaço está aberto a manifestações.

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