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Mudança

Chefe do INSS é exonerado após quase 1 ano

Ana Cristina Viana Silveira assume presidência do instituto após demissão de Gilberto Waller Júnior
Por O Correio de Hoje
13/04/2026 | 15:49

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu uma mudança na presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a demissão do procurador federal Gilberto Waller Júnior e a nomeação de Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão, para o cargo.

A decisão foi tomada em meio à avaliação, dentro do Ministério da Previdência Social, de que o enfrentamento às fraudes relacionadas a descontos associativos já se encontra em estágio avançado, com operações em andamento para identificar e responsabilizar os envolvidos. Com isso, a prioridade passa a ser a redução da fila de requerimentos, que atingiu 2,7 milhões de pessoas em março.

Gilberto Waller foto Fabio Rodrigues
Gilberto Waller ficou 11 meses no INSS e será substituído por Ana Cristina Siqueira - Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Waller assumiu a presidência do INSS no fim de abril do ano passado, substituindo Alessandro Stefanutto, que deixou o cargo após ser afastado pela Operação Sem Desconto. Deflagrada pela Polícia Federal naquele mesmo mês, a investigação apura fraudes bilionárias em descontos indevidos aplicados a aposentadorias e pensões.

Durante os 11 meses em que esteve à frente do instituto, Waller enfrentou divergências com o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz. Um dos episódios ocorreu em novembro, quando o então presidente do INSS solicitou o afastamento da servidora Léa Bressy da função de sua substituta no órgão.

No pedido, Waller alegou suposta proximidade da servidora com Stefanutto. À época, o ministro solicitou a apresentação de provas que comprovassem eventuais crimes, irregularidades ou desvios éticos que justificassem a medida.

A nova presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, é indicada por Wolney Queiroz, que optou por permanecer no governo em vez de disputar as eleições de outubro. Com essa decisão, o ministro ganhou autonomia para reorganizar sua equipe na pasta.

Silveira assume com a missão de reduzir o estoque de processos pendentes e reestruturar o ambiente interno do instituto, considerado tensionado durante a gestão anterior. A expectativa é imprimir maior eficiência administrativa e acelerar a análise de benefícios previdenciários e assistenciais.

Nos bastidores, havia críticas à condução adotada por Waller, com a percepção de que sua estratégia para enfrentar a fila se concentrava na concessão de bônus a peritos médicos. Além disso, o crescimento do número de processos em análise não era considerado proporcional ao volume de novos requerimentos, o que gerou questionamentos sobre a eficácia da gestão.

A substituição no comando do INSS também busca reduzir possíveis desgastes políticos decorrentes do aumento da fila, tema sensível em um contexto eleitoral e com potencial de repercussão negativa para o governo federal.

Dados mais recentes indicam que, em março, o número de pedidos em análise caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões. Ainda assim, a demanda permanece elevada. A média diária de novos requerimentos chegou a 61 mil no período, superando os 59 mil registrados em fevereiro, o que reforça o desafio de equilibrar o fluxo de solicitações e a capacidade de atendimento do órgão.