João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva deixou a prisão nesta quarta-feira (9), após permanecer 18 dias preso por causa da investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, que caiu durante um salto de rope jump sem estar presa às cordas de segurança. Após a soltura, ele afirmou que viveu um “sentimento aterrorizante” durante o período em que esteve detido e disse estar aliviado com a conclusão das investigações que afastaram sua participação no caso.
Além de João, Gabriel Barros Martins também teve a prisão revogada. Os dois estavam presos desde 20 de junho. A Polícia Civil não os indiciou e pediu a revogação das prisões. O Ministério Público também não apresentou denúncia contra ambos.

“É um sentimento de angústia constante. Um sentimento aterrorizante, até porque a gente não tem notícias de como as coisas estão, o que está acontecendo. É extremamente angustiante. Graças a Deus, agora estou mais aliviado, sinto-me grato pelas equipes de investigações, que fizeram o trabalho delas, conseguiram investigar tudo e verem que, de fato, eu não tinha nada a ver com aquilo”, afirmou João.
Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil apontou que João exercia a função de retirar os equipamentos dos participantes após os saltos, na parte inferior da ponte. Depois da queda de Maria Eduarda, ele se aproximou da vítima para verificar sinais vitais e acionou, por rádio, o pedido de apoio especializado.
Inicialmente, João havia sido preso por suspeita de ocultação de provas, devido ao desaparecimento da câmera utilizada pela vítima durante o salto. No decorrer das investigações, essa hipótese foi descartada, levando a polícia a solicitar sua liberdade.
“Eu estava prestando um serviço. Minha parte era ficar só na parte de baixo da ponte. Foi aterrorizante. Agora me sinto mais aliviado. Graças a Deus, tudo se solucionou”, declarou.
Gabriel Barros Martins também teve a participação afastada pela investigação. Segundo a Polícia Civil, ele era responsável por acompanhar a descida dos participantes, realizar bloqueios e desbloqueios do sistema e preparar os equipamentos para os próximos saltos. Ele havia sido preso sob suspeita de ter fugido do local após a tragédia, hipótese posteriormente descartada pelos investigadores.
A defesa de Gabriel criticou a prisão e afirmou que a medida foi “desproporcional”, sustentando que a tragédia não justificava os excessos. Os advogados também manifestaram solidariedade à família de Maria Eduarda. A defesa de João não havia se pronunciado até a última atualização do caso.
Quatro seguem presos e foram denunciados
Enquanto João e Gabriel foram liberados, quatro investigados permanecem presos e já foram denunciados pelo Ministério Público.
Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves responderão por homicídio com dolo eventual qualificado por motivo torpe e por recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como organizadora do evento, foi denunciada por homicídio com dolo eventual qualificado por omissão imprópria e fraude processual.
Na denúncia, o Ministério Público sustenta que os responsáveis pela atividade “tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias”, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos.
Segundo o órgão, o grupo atuava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes.
A Polícia Civil investigou oito pessoas em dois inquéritos. O primeiro resultou no indiciamento de três instrutores por homicídio com dolo eventual. O segundo apontou Evelyne Gonçalves como responsável pela organização do evento, indiciando-a por homicídio e fraude processual.