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Saúde
Afrouxamento do isolamento social leva a aumento de casos de coronavírus em 11 estados
Especialistas indicam que falta de coordenação do governo federal contribuiu para recorde da média diária de óbitos
OGlobo
27/07/2020 | 05:45

A pandemia do coronavírus bateu um novo recorde neste fim de semana no Brasil, em um sinal de que ainda está longe do fim, estacionando num platô demasiadamente alto que desde o início do mês se mantém acima de mil mortes diárias. No sábado, a média móvel indicou 1.097 óbitos por dia ao longo de uma semana. Onze estados ainda testemunham aumento no número diário de óbitos por Covid-19, em um cenário atribuído pelos cientistas ao afrouxamento excessivo e à desobediência às regras de isolamento social e à falta de coordenação pelo governo federal.

O Ministério da Saúde está sem titular desde meados de maio. Desde então, a média móvel diária de mortes aumentou 52%. Em estados como o Rio de Janeiro, apontam os especialistas, a situação é agravada pela falta de diálogo também entre prefeituras e o governo estadual.

Ainda segundo os pesquisadores, a disseminação da pandemia cumpre hoje uma terceira etapa — no primeira, concentrou-se no Rio e em São Paulo, as principais portas de entrada do país. Depois expandiu-se para capitais mais pobres, como Manaus e Belém, e agora o contágio migra para a faixa oeste do território nacional, do Rio Grande do Sul a Rondônia.

O país registrou ontem 23.467 novos casos e 556 novos óbitos por coronavírus, segundo um consórcio de veículos de imprensa formado por O GLOBO, Extra, G1, UOL, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Ao todo, o país registra 2.419.901 infecções e 87.052 mortes em decorrência da Covid-19.

Dos 124 dias de média móvel diária calculados — a partir de 24 de março, sete dias após a primeira morte no Brasil — o país ficou num patamar superior a mil óbitos em 41 dias. Desde 3 de julho não baixa dessa faixa. Isto representa 33% dos dias em que o cálculo foi feito.

O número mostra como a letalidade da doença vem avançando sobre o país, que tem tendência de estabilidade no número de óbitos, mas permanece num platô alto demais.

— O índice atual mostra que o país soma mais 7 de mil novas mortes por semana, ou 30 mil por mês. É muito provável que cheguemos a 200 mil até o final do ano — calcula Gabriel Maisonnave Arisi, pesquisador da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. — As regiões Sul e Centro-Oeste são as que mais sentem o impacto hoje, mas o contágio e os óbitos não sobem apenas nestas localidades. Há grandes bolsões populacionais ainda não expostos ao vírus.

Rio volta a piorar

Mesmo em São Paulo, onde a média diária de óbitos é considerada estável, a Covid-19 ainda mostra seu poder de fogo. Ontem, dos 645 municípios, 638 tiveram pelo menos um caso confirmado e 455 deles tiveram uma ou mais mortes. Também foi o quarto dia consecutivo em que o estado registrou mais de 10 mil infecções.

Professor do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, Gonzalo Vecina Neto avalia que, desde o mês passado, o índice de óbitos por coronavírus sustenta-se sobre uma nova camada da população.

— Em seus primeiros estágios no país, a Covid-19 fazia mais vítimas entre trabalhadores do setor informal, porque eles precisam sair diariamente de casa para trabalhar. Por isso, cidades mais pobres, como Manaus e Belém, viram seu sistema de saúde entrar em colapso — recorda. — Depois as mortes concentraram-se em trabalhadores de serviços essenciais, como funcionários de farmácias e mercados. Agora, a população está saindo de casa. Vai para a escola, deixa o home office. Eram pessoas que aderiram ao isolamento, e agora, ao “liberou geral”.

O Estado do Rio voltou a apresentar tendência de alta no número de mortes, o que não ocorria desde 4 de junho. Nestes 51 dias, as estatísticas fluminenses variavam entre estabilidade e queda, mas na maior parte do tempo houve redução na média de óbitos.

— A pandemia progrediu no Norte e na Baixada fluminense, e poderemos ver em breve um aumento agudo de hospitalizações nessas localidades — alerta Fernando Bozza, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e do Instituto d’Or. — Acredito que a situação está relativamente controlada na capital, mas não sabemos como será daqui em diante. Podemos ter surtos em locais específicos, ocorridos pela presença de um infectado em um local cheio, como um templo, por exemplo. O problema será se esses casos pipocarem em diversos locais da cidade. Aí, veremos um crescimento exponencial da Covid-19.

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