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Economia

Brasil é o 6º que mais cresce no G20 em 2025, com alta de 2,3% do PIB

Ritmo menor reflete impacto da Selic a 15%, mas país supera EUA e mantém cinco anos seguidos de expansão
O Correio de Hoje
04/03/2026 | 19:12

A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025 e alcançou a sexta posição no ranking de expansão entre os países do G20, grupo das maiores economias do mundo. Os dados foram divulgados nesta terça-feira 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que informou que o Produto Interno Bruto (PIB) somou R$ 12,7 trilhões no ano passado.

Levantamento da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, com base nas 16 economias do G20 que já publicaram dados consolidados de 2025, mostra o Brasil à frente dos Estados Unidos, que registraram crescimento de 2,2%.

A safra recorde de commodities agrícolas contribuiu de forma mais incisiva para o crescimento do PIB do Brasil - Foto: FeRio Grande do Norteando Frazão/Agência Brasil
A safra recorde de commodities agrícolas contribuiu de forma mais incisiva para o crescimento do PIB do Brasil - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ranking é liderado pela Índia (7,5%), seguida por Indonésia (5,1%), China (5%), Arábia Saudita (4,5%) e Turquia (3,6%). Depois do Brasil aparecem Canadá (1,7%), União Europeia (1,6%), Reino Unido (1,4%), Japão (1,1%), Coreia do Sul (1%), França (0,9%), Itália (0,7%), México (0,6%) e Alemanha (0,4%).

Apesar da posição relativamente favorável no cenário internacional, o resultado brasileiro indica desaceleração em relação a 2024, quando o PIB avançou 3,4%. Ainda assim, 2025 marcou o quinto ano consecutivo de crescimento da economia.

Em boletim, a SPE atribuiu a perda de ritmo à política monetária contracionista. “Esse movimento indica que a política monetária contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade, contribuindo para o fechamento do hiato do produto”, afirmou o órgão.

O hiato do produto mede a diferença entre o nível efetivo de atividade e o potencial da economia sem pressionar a inflação. O fechamento desse hiato sugere que os juros elevados reduziram a demanda agregada, ajudando a conter a alta de preços.

Desde setembro de 2024, o Banco Central do Brasil elevou a taxa básica de juros. Em junho de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) levou a Selic a 15% ao ano, patamar mantido até o momento — o mais alto desde julho de 2006, quando estava em 15,25%.

A inflação permaneceu praticamente todo o ano acima da meta contínua de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam consumo e investimento e tendem a esfriar o mercado de trabalho, ainda que 2025 tenha encerrado com a menor taxa de desemprego da série histórica do IBGE.

Segundo a SPE, a perda de fôlego tornou-se mais evidente no segundo semestre, quando a atividade ficou praticamente estável em relação aos seis primeiros meses do ano. A agropecuária foi o principal motor do crescimento em 2025, compensando a moderação de outros setores.

Para 2026, a secretaria projeta nova alta de 2,3% do PIB. A expectativa é de desaceleração mais intensa da agropecuária, compensada por maior dinamismo da indústria e dos serviços.

O Copom já sinalizou que deve iniciar o ciclo de corte de juros na reunião marcada para os dias 17 e 18 de março. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira que o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã não deve impedir a redução da Selic.

A SPE avalia que a queda dos juros poderá estimular a indústria e a construção em 2026. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, em vigor desde o início do ano, e a expansão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado também devem favorecer o consumo e os serviços, em um ambiente ainda sustentado por mercado de trabalho resiliente.