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Política

“Denúncias são gravíssimas e investigação deve ir a fundo”, diz Fátima após operação da PF sobre desvios na saúde

Governadora afirmou que acompanhou a operação pela imprensa e defendeu uma apuração rigorosa
Redação
28/01/2026 | 16:05

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), classificou como “gravíssimas” as denúncias apuradas na Operação Mederi, deflagrada nesta terça-feira 27 pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que teve como alvos municípios potiguares, incluindo Mossoró, e resultou em medidas de busca e apreensão no âmbito de investigações sobre supostos desvios de recursos públicos, inclusive na área da saúde.

Em entrevista à Rádio Universitária FM, no programa Tamo Junto, Fátima afirmou que acompanhou a operação pela imprensa e defendeu uma apuração rigorosa, com independência e respeito ao devido processo legal. “Realmente, as denúncias são muito graves”, afirmou.

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A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) - Foto: Reprodução

A governadora ressaltou que, ao longo de sua trajetória pública, sempre defendeu a atuação firme e autônoma dos órgãos de controle. “Ao longo de toda a minha vida pública, nesses mais de 30 anos, sempre zelei muito pelo compromisso com a ética, com a transparência, com a honestidade e com o espírito público”, disse.

Segundo Fátima, a PF deve ter plena liberdade para conduzir as investigações. “Sempre ressaltei o papel muito importante da Polícia Federal e dos nossos órgãos de controle. A Polícia Federal tem que agir com muita independência e autonomia, para que o processo de investigação vá fundo, com serenidade, mas também com seriedade, rigor e aprofundamento”, declarou.

Ao mesmo tempo, a governadora afirmou que é fundamental o respeito às garantias legais das pessoas investigadas. “As pessoas que estão sendo investigadas devem ter assegurado o direito de defesa, mas o que a sociedade espera é que a investigação vá fundo”, frisou.

Fátima destacou ainda a gravidade específica das suspeitas quando envolvem recursos destinados à saúde pública. “As denúncias são gravíssimas porque apontam para desvio de recursos públicos numa área extremamente sensível, que é a área da saúde”, afirmou. Em seguida, reforçou: “O desvio de recursos públicos deve ser considerado um ato criminoso, seja de que natureza for. Agora, imagina quando é na área da saúde”.

Para a governadora, o caminho correto é permitir que as investigações avancem sem interferências. “É preciso seguir com firmeza, com independência, dentro da lei e com o devido respeito ao processo legal”, concluiu.

Entenda a Operação Mederi

Deflagrada pela PF e pela CGU, a Operação Mederi tem o objetivo de desarticular um esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios.

Ao todo, os agentes saíram às ruas para cumprir 35 mandados de busca e apreensão no Estado, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais determinadas no âmbito da investigação. Segundo o último balanço divulgado pela PF, foram apreendidos ao todo: 33 celulares, 34 dispositivos eletrônicos (notebooks, HDs e tablets), 4 veículos, 117 documentos e R$ 251 mil em espécie.

Parte do dinheiro apreendido foi encontrado em uma caixa de isopor na casa de Oseas Monthalggan, um dos sócios da Dismed – empresa que mantém contratos com diversas prefeituras, inclusive a de Mossoró. Em interceptações da PF, Oseas aparece conversando sobre a possível destinação de propina para o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União).

O prefeito de Mossoró nega as acusações. “Não tenho compromisso com o erro. Acredito na Justiça e por ela lutarei todos os dias da minha vida”, disse o prefeito. Segundo o gestor, o momento está sendo enfrentado “com muita tranquilidade, com muita fé em Deus e com muito sentimento de justiça”.

Além de Mossoró, as fraudes teriam ocorrido em outros cinco municípios potiguares: José da Penha, São Miguel, Serra do Mel, Paraú e Tibau. Mandados foram cumpridas nessas cidades e também em Natal e Upanema.

Segundo as apurações, há indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. As investigações envolvem empresas sediadas no Rio Grande do Norte que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados.

Auditorias realizadas identificaram falhas na execução contratual, incluindo indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço nos contratos analisados.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas.