A deputada federal Carla Dickson (União) anunciou que vai destinar R$ 30 milhões em emendas parlamentares para a causa neurodivergente no Rio Grande do Norte, com foco na criação e manutenção de centros municipais de referência voltados ao autismo e outras condições do espectro. “Nós vamos construir e manter centros de referência municipais”, afirmou a parlamentar, durante entrevista ao programa Radar 95, da rádio 95 Mais FM.
Médica e evangélica, Carla contou que sua atuação parlamentar ganhou novo rumo após prefeitos a procurarem pedindo apoio à pauta do autismo. “Cuidar dos pequeninos” virou, segundo ela, uma missão pessoal e política. “As mães atípicas estão pedindo socorro. Elas têm 30% mais chance de ter depressão e 80% das famílias são formadas por mães solo. Quando a deficiência entra por uma porta, o pai sai pela outra”, disse. A deputada relatou que muitas mulheres abandonam o trabalho para cuidar dos filhos, vivendo sob alto estresse e com dificuldade de acesso a laudos e benefícios sociais.

Em dez meses de mandato, Carla apresentou nove projetos voltados à causa. Entre eles, estão a implantação de estímulo precoce para bebês a partir de dois meses e o Plano Nacional de Inclusão do Jovem e Adulto Autista no Mercado de Trabalho. Outro projeto obriga que toda capacitação de professores da rede pública seja baseada em evidências científicas. “Na medicina, tudo é baseado em evidência. Na educação, também deve ser”, afirmou. A proposta já foi aprovada na Comissão de Educação e, segundo especialistas, pode se tornar um marco na educação inclusiva.
Integrante da Comissão Nacional de Políticas Públicas para o Autismo, Carla propôs que o grupo passe a se chamar Comissão da Pessoa com Neurodivergência e defendeu a criação de um Estatuto da Pessoa com Neurodivergência. “Nós não podemos olhar apenas para o paciente. Precisamos cuidar também do pai, da mãe, da família”, explicou. A deputada disse cursar pós-graduação na PUC Paraná sobre políticas públicas para neurodivergentes e considera a pauta “um chamado de Deus”.
Carla também iniciou um trabalho de inclusão nas igrejas, tanto católicas quanto evangélicas, com a implantação de salas multissensoriais e capacitação de líderes religiosos. “Já entregamos dezenas de kits multissensoriais, inclusive para igrejas de Pau dos Ferros, Currais Novos e Natal”, relatou. Ela citou ainda um dado alarmante: “Em 2030, uma em cada cinco crianças que nascerem no Brasil poderá ter autismo”.
Ao longo da entrevista, a deputada manteve o tom de engajamento emocional com o tema. “Uma mãe típica pensa ‘o que meu filho vai ser quando crescer’. A mãe atípica pensa ‘o que vai ser dele se eu morrer’”, disse. “Doeu meu coração, e é por isso que abracei essa causa.”