Urinar com frequência durante a noite pode ser um sinal de alerta para o câncer de próstata. A informação é do oncologista Rodrigo Jerônimo, que reforçou a importância do diagnóstico precoce e destacou que muitos homens ainda resistem em fazer o exame de toque retal, essencial para a detecção da doença.
“Alteração urinária, você urinar demais à noite ou durante o dia, o jato ficar mais fino, sangramento na urina, perda de peso e dor nos ossos podem ser sinais de câncer de próstata. Não se deve esperar nenhum sintoma, porque a maioria dos casos diagnosticados tardiamente já está em estágio 4, com metástase”, explicou o médico, em entrevista ao programa Meio Dia RN, da 96 FM, nesta segunda-feira 3.

Rodrigo Jerônimo lembrou que 30% dos cânceres em homens são de próstata, e que a detecção precoce aumenta em até 90% as chances de cura. “O câncer de próstata tem taxa de cura de 80% a 90% se diagnosticado precocemente”, afirmou.
O especialista destacou que o exame de PSA (Antígeno Prostático Específico) isolado não é suficiente. “Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata não apresentam alterações no PSA. Por isso, é necessário associar o exame de sangue ao toque retal”, explicou. Segundo ele, o exame é rápido e indolor: “O toque dura de 5 a 10 segundos e não dói”.
Para o especialista, o preconceito ainda é um obstáculo, especialmente entre os homens do Nordeste. “Ainda existe resistência, mas diminuiu bastante. A falta de informação e o preconceito cultural são os principais vilões. Acabei de sair da Liga e a gente diagnosticou um paciente que já está com, infelizmente, câncer metastático, porque lá no interior não foi feito nem o PSA, nem muito menos o toque. Eu perguntei por que ele não fez. Disse que achava que não ia ter e que o toque é doloroso, o que não é”, afirmou.
O médico ainda deu dicas acerca do exame. “Toda vez que você for fazer o PSA, sempre recomendamos não massagear a próstata, ou seja, evitar relação sexual, andar de moto ou praticar atividades que gerem impacto direto na região. Atividade física intensa também deve ser evitada antes do exame, pois pedalar, cavalgar ou andar de moto pode causar um aumento falso no PSA”.
Rodrigo Jerônimo também chamou atenção para os fatores de risco: “Homens negros ou com histórico familiar de câncer de próstata em parente de primeiro grau devem começar os exames aos 40 anos. Já os demais devem iniciar entre 45 e 50 anos”.
Entre as recomendações preventivas, ele citou hábitos saudáveis: “A prevenção primária é não ser sedentário, manter o peso, não fumar, não beber em excesso e praticar exercícios aeróbicos regularmente”. O oncologista também lembrou que a alimentação influencia: “Os obesos têm mais câncer prostático e tumores mais agressivos. A dieta equilibrada, com frutas, verduras e carne vermelha com moderação, ajuda muito”.
O especialista esclareceu que é mito a ideia de que o tadalafila ou viagra previnem o câncer de próstata. No entanto, quem já tem câncer prostático e está em tratamento pode utilizá-los, pois esses medicamentos atuam na vasculatura e não interferem nos hormônios.
Rodrigo Jerônimo aproveitou a entrevista para falar de uma pesquisa desenvolvida na Liga Contra o Câncer, em Natal, que reduz a dose de um medicamento usado em pacientes com câncer de próstata metastático. “Descobrimos que, em vez de quatro comprimidos diários, um já é suficiente para manter os mesmos resultados e com menos efeitos colaterais”, afirmou.
No último sábado 1º, a equipe médica da Liga promoveu um mutirão de consultas gratuitas para diagnosticar o câncer de próstata. Foram cerca de 120 pessoas atendidas no total no Cecan. O oncologista reforçou o recado da campanha Novembro Azul: “Não espere sentir nada. Chegou à idade, faça o PSA e o toque. Isso pode salvar sua vida”.

Novembro Azul
Durante o mês de novembro, o movimento conhecido como Novembro Azul ganha destaque em todo o mundo, chamando a atenção para os cuidados com a saúde do homem e, especialmente, para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.
Apesar dos avanços na medicina, essa ainda é uma doença que preocupa: segundo o World Cancer Research Fund, foram registrados cerca de 1,47 milhão de novos casos de câncer de próstata em 2022, o que o coloca entre os tipos de câncer mais comuns entre os homens em escala global.
No Brasil, os números também são expressivos. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, no triênio 2023-2025, surjam 71.730 novos casos por ano, o que corresponde a um risco estimado de 67,86 casos para cada 100 mil homens. Trata-se do câncer mais incidente na população masculina, excluindo os tumores de pele não melanoma, e também o segundo que mais mata homens no país. Somente em 2021, mais de 16 mil brasileiros perderam a vida em decorrência da doença, o que representa, em média, 44 mortes por dia.
A idade é um dos principais fatores de risco: aproximadamente 75% dos diagnósticos ocorrem em homens com 65 anos ou mais. No entanto, também pesam na estatística a história familiar da doença e a etnia. Fatores relacionados ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade e alimentação rica em gorduras também impactam. Quando detectado precocemente, o câncer de próstata tem altas taxas de cura e pode ser tratado de forma eficaz.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que a decisão de realizar exames de rastreamento seja individualizada e tomada em conjunto com um profissional de saúde, levando em conta fatores de risco e o histórico pessoal de cada homem. O exame de sangue PSA e o toque retal são procedimentos simples e rápidos que ajudam a identificar alterações na próstata antes mesmo de surgirem sintomas.