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Violência

Megaoperação no Rio de Janeiro vira ação policial mais letal da história

Governador Cláudio Castro classificou operação como um “sucesso” e disse que as únicas vítimas foram os quatro policiais
Redação
30/10/2025 | 05:24

A megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) realizada no Rio de Janeiro na última terça-feira 28 superou o massacre do Carandiru e se tornou a ação policial mais letal da história das forças de segurança no Brasil. O balanço é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O massacre do Carandiru, ocorrido em 1992 em São Paulo, deixou 111 mortos, após uma operação da Tropa de Choque da Polícia Militar dentro do presídio. A nova operação, que aconteceu nos complexos da Penha e do Alemão, na capital fluminense, resultou em 119 mortes, sendo 4 policiais. O Instituto Médico Legal (IML) ainda recebe corpos, e a contagem pode aumentar.

Megaoperação no Rio de Janeiro vira ação policial mais letal da história
Dezenas de corpos foram levados por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro - Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Entre os mortos, estão 61 corpos que foram recolhidos em uma área de mata por moradores do Complexo da Penha. Os corpos foram expostos na Praça São Lucas durante a madrugada e o início da manhã desta quarta-feira 29, após a operação. As imagens rodaram o mundo.

Durante a operação, houve intensa troca de tiros. Ruas das comunidades foram bloqueadas com barricadas, e objetos foram incendiados.

O secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou que as forças de segurança criaram o chamado “Muro do Bope” — policiais avançaram pela Serra da Misericórdia para cercar os criminosos e empurrá-los em direção à mata, onde equipes do Bope já estavam posicionadas.

No Rio, a ação também superou as operações anteriores no Jacarezinho (2021), com 28 mortos, e na Vila Cruzeiro (2022), com 24 óbitos.

Além dos mortos, foram 113 presos e 10 adolescentes apreendidos. Também foram recolhidas 118 armas, sendo 90 fuzis, 26 pistolas e um revólver. A ofensiva envolveu 2,5 mil policiais, blindados e helicópteros – para avançar sobre um território dominado pelo crime organizado. O Comando Vermelho chegou a usar drones com bombas na reação, o que expôs o poder bélico dos traficantes.

Megaoperação no Rio de Janeiro vira ação policial mais letal da história
Moradores da Penha fizeram protesto ao longo do dia exibindo corpos de mortos em operação do governo fluminense – Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Governador fala em sucesso da operação

Em coletiva de imprensa, o governador Cláudio Castro (PL) disse que as únicas vítimas da megaoperação são os 4 policiais mortos. “Aquelas foram as verdadeiras quatro vítimas. De vítimas, ontem, só tivemos os quatro policiais”, afirmou o governador.

“O Rio de Janeiro deu um grande golpe na criminalidade. Ontem foi um duríssimo golpe. Essa operação é um marco. Marca o início da retomada do Rio de Janeiro”, afirmou Castro, em entrevista ao SBT.

Castro destacou que o estado demonstrou ser possível garantir segurança pública e reforçou que o problema da violência ultrapassa as fronteiras do Rio. “O Rio de Janeiro faz parte da solução do Brasil. Esse é um problema de segurança pública do país inteiro, não apenas do Rio de Janeiro”, disse.

O governador também revelou ter se reunido com mais de dez governadores de diferentes estados, que colocaram suas forças policiais à disposição do Rio. “Precisamos solucionar esse problema”, completou.

Moraes cobra explicações

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou intimar o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, para prestar informações sobre a megaoperação.

Em sua decisão, o ministro afirma que a cobrança “encontra amparo nas determinações estruturais do acórdão do julgamento de mérito” da “ADPF das Favelas”, ação que estabeleceu parâmetros de atuação para reduzir a letalidade policial no Rio, especialmente nas comunidades, e obrigou o governo estadual a criar um plano de recuperação territorial de áreas dominadas por facções e milícias.

Lula ficou estarrecido

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou “estarrecido” com número de mortes na megaoperação no Rio de Janeiro.

Lula ainda não se manifestou publicamente sobre o caso. Ele estava retornando de viagem para a Ásia e foi informado ao chegar a Brasília na noite de terça-feira 28, segundo interlocutores do presidente. Nesta quarta, ele passou a manhã reunido com ministros no Palácio da Alvorada.

Depois da reunião, Lewandowski deu uma coletiva de imprensa ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo o ministro da Justiça, o caso no Rio de Janeiro foi uma “operação extremamente cruenta (com muito sangue derramado) e violenta”.

“É muito importante que se diga que a responsabilidade da segurança pública é dos governos estaduais. Com a PEC da Segurança Pública queremos inverter essa operação, queremos fazer com que todas as forças colaborem entre si, mudar esse panorama”, destacou.

O ministro da Justiça também disse que Lula ficou surpreso com a falta de informações repassadas ao governo federal sobre a operação.

Segundo o governo federal, não houve uma comunicação formal sobre a megaoperação.

“Houve um contato no nível operacional informando que haveria uma grande operação. Identificamos que nossa equipe do RJ, a partir da análise geral, entendemos que não era o modo que fazemos operação. Não teríamos nenhuma autorização legal para participarmos”, acrescentou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

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