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Saúde

Greve dos médicos é ‘movimento irresponsável e desserviço à população de Natal’, diz secretário de Saúde

Secretário Geraldo Pinho afirma que Sindicato dos Médicos está “coagindo” médicos que concordaram em migrar da Coopmed para as duas novas empresas vencedoras da seleção pública
Redação
03/09/2025 | 15:52

O secretário de Saúde de Natal, Geraldo Pinho, subiu o tom nesta quarta-feira 3 contra a greve dos médicos da capital potiguar, que já dura dois dias. Segundo ele, o movimento dos profissionais é “irresponsável” e um “desserviço à população”.

Em entrevista à TV Agora RN, Geraldo Pinho denunciou que o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN) está atuando para impedir que profissionais prestem serviços ao Município a partir das empresas Justiz e Proseg, que venceram a Cooperativa Médica (Coopmed) e passaram a ser responsáveis por prestar serviços de mão de obra desde a última segunda-feira 1º.

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Secretário municipal de Saúde de Natal, Geraldo Pinho - Foto: José Aldenir / Agora RN

“Foi feito um movimento irresponsável, lamentável, prestando desserviço – não à secretaria nem à prefeitura, é à população de Natal”, disse o secretário. Ele relatou que médicos que desejavam permanecer trabalhando foram “coagidos, assediados, intimidados de retaliações, de perder contrato em outros locais, como Unimed, Estado, onde a Cooperativa também tem contrato”.

Pinho explicou que a mudança da Coopmed para as duas novas empresas se deu porque a cooperativa prestava serviço desde junho de 2023 sem contrato formal. “Esse processo emergencial que a Secretaria Municipal de Saúde fez foi basicamente por um único motivo: legalizar e contratualizar esse serviço”, afirmou o secretário.

Ele registrou que a mão de obra médica é o maior gasto da Secretaria atualmente, com média de R$ 11 milhões e R$ 13 milhões por mês. “Só a gestão do prefeito Paulinho Freire (União) repassou quase R$ 90 milhões para a cooperativa médica de forma indenizatória”, explicou.

O secretário explicou que a Coopmed prestava serviços sem contrato formal desde junho de 2023, e, nesse cenário, os repasses eram feitos de forma indenizatória. Nesse tipo de pagamento, não há previsão contratual: o serviço é executado e, posteriormente, a empresa apresenta a conta à Prefeitura, que é obrigada a quitar, sem garantias jurídicas claras.

“Isso é ruim para quem contrata, isso é ruim para a empresa contratada e, o principal, isso é ruim para o médico que presta serviço, que fica descoberto de garantias, deveres e direitos, o famoso preto no branco”, destacou Geraldo Pinho.

Segundo Pinho, a contratação emergencial ocorreu por meio de dispensa eletrônica, com pesquisa de mercado e divisão em sete lotes. Duas empresas — Justiz e Proseg — foram selecionadas para assumir a mão de obra médica. Elas começaram a prestar o serviço em 1º de setembro.

Acusações de coação

O secretário denunciou que médicos que aceitaram migrar para as novas empresas sofreram pressões. “Médicos sendo ameaçados. Se furar o movimento, ter alguma retaliação junto ao Conselho Regional de Medicina”, afirmou. De acordo com ele, a Prefeitura já apresentou provas ao Ministério Público e vai acionar o Conselho Regional de Medicina (Cremern).

Apesar das denúncias, Pinho disse reconhecer que parte da categoria está insatisfeita com os novos contratos. “Cada caso é um caso. Agora, a gente tem que deixar bem claro: o médico é livre para trabalhar ou não. Não é sindicato, não é cooperativa que vai ditar o que o médico quer fazer. O que não podemos permitir é que o médico que quer permanecer, quer trabalhar, tenha sua liberdade cerceada de forma de coação, de intimidação, de retaliação”, declarou.

Legalidade do processo

O Sindicato dos Médicos contesta a legalidade dos contratos firmados com as empresas e aponta que uma decisão de primeira instância mandou republicar parte do edital. Pinho, no entanto, destacou que o município está resguardado.

“A Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde estão resguardados e respaldados por decisão de segunda instância do Tribunal de Justiça”, destacou.

Ele ressaltou que a administração municipal sempre cumpriu decisões judiciais, inclusive retirando do edital a exigência de registro no Conselho Regional de Administração (CRA), considerada restritiva. Mesmo assim, o resultado não foi alterado.

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